Developer: Reptoid Games
Plataforma: Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 12 de agosto de 2021

Quem passou pelos anos 90, certamente fala deles com um sorriso nos lábios, e aqui é importante referir que estou a falar do que se passou nessa altura, seja a música, os filmes, e tecnologia bastante ultrapassada face ao que existe nos dias de hoje. Mas foram anos bastante bons e que marcaram todos aqueles que tiveram a oportunidade de vivenciar isso na primeira pessoa.

Devo confessar que nos primeiros trailers de Fire Tonight foi fácil voltar àqueles tempos, até porque já estava na minha adolescência, onde os telefones fixos eram a maneira de falar com os amigos e namoradas, marcar idas ao café e marcar jogos de futebol. Longe estávamos nós de pensar que passados poucos anos teríamos um telemóvel na mão onde podíamos mandar uma simples mensagem ou mesmo telefonar de qualquer local onde estivéssemos. Já a internet era por linha telefónica, a 56kbit/s (cruz credo), e pagava-se o preço de uma chamada telefónica, acrescentando ainda o valor mensal que tínhamos de pagar pelo serviço, isto é, comunicar com amigos era sempre mais fácil pelo telefone.

Em Fire Tonight voltamos aos belos anos 90, onde um casal de namorados Maya e Devin está ao telefone naquelas belas conversas de namorados, que muitas vezes já nem sabem o que falar, mas estão tão apaixonados que não querem largar o telefone nem por nada. É durante essa altura que a chamada vai abaixo, e Maya percebe que na rua, a caixa por onde passa a ligação telefónica está a arder, fazendo com que tenha deixado de ter telefone em casa. Como não podia deixar de ser, e para não deixar o seu namorado pendurado, Maya decide encontrar uma cabine telefónica na rua (felizmente naquela época existiam bastantes espalhadas pelas cidades) para explicar a Devin o que se tinha passado.

É exactamente a partir deste momento que começa a nossa aventura com Maya pela cidade, primeiramente para encontrar a tal cabine telefónica, mas posteriormente para chegar à casa de Devin.

Pelos diversos locais que vamos passando, vamos tendo a nostalgia de “revivermos” coisas dos anos 90, e até da história de Maya e Devin, com ela a por vezes lembrar-se que já passou naquele local com o namorado. Na verdade, o jogo vai tendo sempre algumas falas de Maya e Devin nem que seja para nos darem umas dicas sobre o que se passa, e sobre o que estão a pensar naquele momento.

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Ao longo do jogo vamos percorrendo a cidade, e cada um dos novos locais que encontramos é um novo nível onde temos diversos obstáculos para ultrapassar. Vamos encontrar quebra-cabeças para resolver, chaves para encontrar, locais cheios de fogo por onde não conseguiremos passar, polícia que não nos permite passar certos locais (mas tentaremos passar sem que eles nos vejam), e até alguns itens que nos ajudarão – como é o caso, por exemplo, de um walkman, que faz com que certas zonas deixem de ter fogo, possibilitando por isso a nossa passagem.

O jogo tem uma vista isométrica, onde podemos movimentar a câmara apenas mexendo no analógico direito. E isso é um ponto essencial, já que existem diversos edifícios, uns mais altos que os outros, e será sempre necessário verificar e encontrar passagens e objectos. Muitos dos edifícios têm portas nas quais podemos entrar e que nos levam ao terraço de cada um deles, isto permite-nos alcançar muitas vezes outros terraços de edifícios, ou escadas para nos movimentarmos para outros locais.

É essencial os jogadores perceberem que todos os locais são pequenos quebra-cabeças, onde tudo está à nossa vista, apenas de, por vezes, a maneira de lá chegarmos seja um pouco complicada. É aqui que o jogo tem a sua falha, porque além de não nos dizer o que necessitamos de fazer, também não oferece dicas para o caso de estarmos completamente perdidos. Seria muito bem vindo um sistema que pudéssemos activar para dar uma ou outra dica para sabermos como avançar em determinado local. Aconteceu-me algumas vezes ficar bastante tempo sem saber como avançar, e isso leva a alguma frustração.

Quanto à jogabilidade, os comandos estão muito bons e respondem facilmente com o analógico esquerdo para nos movimentarmos, o direito para movimentar a câmara, e depois apenas dois botões, um de acção e outro para usarmos a habilidade especial, como por exemplo o walkman. Se por vezes existem jogos em 3D que não funcionam muito bem, em Fire Tonight isso não acontece, diria mesmo que é um excelente exemplo para outras companhias indies, que por vezes ficam a desejar nesta componente.

Já a nível gráfico está impecável, graficamente bastante bonito, com bons detalhes, principalmente por todo o jogo ser passado durante a noite, e mesmo nesse cenário que poderia fazer com que o jogo ficasse demasiado escuro, isso não acontece, conseguindo oferecer ao jogador a total noção da noite, mas ao mesmo tempo, dando-lhe uma visão de tudo sem problemas.

Fire Tonight é um daqueles indies que consegue prender o jogador durante toda a jornada destes dois namorados. É um jogo muito competente e que oferece exactamente aquilo a que se propõe, apenas falhando na falta de dicas quando o jogador fica sem saber o que fazer.