Developer: Sports Interactive
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 19 de Novembro de 2019

Novembro, um mês obrigatório para os mais fervorosos treinadores de bancada, ou por outras palavras, a apresentação de mais um Football Manager.

Uma das mais longas séries de videojogos, com versões lançadas anualmente, e que parece não querer perder força, muito graças a um público dedicado que olha para o popular jogo como um verdadeiro culto.

É com orgulho que contamos as nossas histórias e exaltamos as conquistas, todavia, no plano oposto, também protestamos com toda a revolta cada insucesso. Faz parte da maneira como vivemos o FM, e talvez o seu grande segredo, porque reflecte a nossa inclinação para humanizar e fantasiar cada evento.

Contudo, num simulador que já retrata tão cirurgicamente a realidade do futebol e todas as suas complexidades, há uma questão que se coloca todos os anos: em que poderá melhorar a próxima edição?

O Football Manager já é tão completo, que actualmente está dependente da própria evolução do desporto para a implementação de novidades. Isto para dizer que o último título não é o mais inovador, mas um refinar e reforçar de funcionalidades que já haviam sido iniciadas em jogos anteriores.

“Todas as decisões contam” é o slogan que tem sido publicitado como a frase que orienta o jogo deste ano. E significa que, mais do que nunca, a forma como gerimos todas as relações será fundamental para fazermos um trabalho estável e sólido dentro do clube.

A reputação de um treinador de sucesso é marcada não só pelas decisões que toma na sua carreira, mas igualmente no modo como lida com as ambições e frustrações dos jogadores pelos quais é responsável. Existindo essa sensibilidade, tudo será mais simples. No FM 2020 não é diferente. É essencial que saibam ser criteriosos tanto no projecto que escolhem, como no método em que o conduzem.

Não seremos mais os donos de uma política, mas antes os principais impulsionadores de um rumo que não é mais definido por nós. Mudanças na cultura do clube só acontecerão a longo prazo e apenas se alicerçadas em cima de provas regulares da nossa competência.

Há pouca tolerância para quaisquer desvios do que foi acordado inicialmente, logo, preparem-se para constantes interferências por parte da direcção. Saber convencer o departamento financeiro é tão ou mais importante do que negociarmos transferências ou contratos, o que nos aproxima da realidade e das dificuldades que os treinadores enfrentam dentro dos clubes.

Tem ainda muito espaço para melhorar, visto que muitas vezes não temos avisos suficientes que nos alertem sobre um provável despedimento. Nesse sentido, recomenda-se um compromisso sério com as directrizes do projecto, ou poderão ter uma surpresa no final da temporada. Seguindo a estratégia delineada, nada têm com o que se preocupar.

Existem outras pequenas novidades que vale a pena referir, como o código de conduta que define e automatiza as multas e castigos quando um atleta infringe os regulamentos do clube; o nível de paciência dos agentes que agora é possível ver durante as negociações; ou os novos e detalhados planos de pré-época que nos informam sobre os prós e os contras de cada regime de treinos. Não é nada que seja revolucionário, mas que é bem-vindo e acrescenta à experiência.

No entanto, a grande curiosidade residia em saber como, e em que pontos, o match engine tinha sido melhorado. Se o Football Manager 2019 tinha sido acusado de uma dificuldade baixa e pouco desafiante, exigia-se pelo menos que aí fosse mais arrojado. À primeira vista parece ligeiramente mais difícil, graças a um maior realismo táctico na exploração do espaço, embora não seja uma diferença assinalável.

As novas regras do pontapé-de-baliza já estão incluídas e ajudam imenso numa saída de bola segura para quem gosta construir a partir da defesa. Os jogadores também tomam melhores decisões (particularmente aqueles com atributos mentais mais elevados), e interpretam bem quando podem usar a largura para desequilibrar o adversário.

O que mais me agradou, porém, foi a variabilidade defensiva disponível. Há várias formas eficazes de defender e que podem ser perfeitamente combinadas com a nossa visão ofensiva, mas claro, serão necessários jogadores com as características certas para a execução desse contexto táctico. Para quem joga com uma linha defensiva alta, ter defesas centrais com pouca velocidade e um baixo índice de posicionamento irá resultar num pobre controlo de profundidade. Inversamente, a capacidade sem bola dos jogadores mais ofensivos é altamente relevante, porque a Inteligência Artificial tem a tendência de procurar continuamente o espaço nas costas.

É provavelmente o FM onde as equipas se movimentam melhor em conjunto. Seja a bascular, ou a manter as linhas próximas, se os atributos forem os indicados os jogadores irão corresponder. Um aspecto que se torna verdadeiramente interessante para quem gosta de ir ao pormenor, porque abre a porta a diversos modelos e às mais variadas maneiras de vencer.

Superficialmente não se verifica nenhum avanço gráfico. Algumas novas animações e movimentações mais credíveis, mas não será por aí que sentiremos qualquer transformação. A não ser na performance, que está com alguns problemas a carregar o match engine, demorando por vezes uma eternidade. Mas mesmo no seu funcionamento normal, está muito mais exigente e pesado do que o seu antecessor, portanto, o nosso conselho é que tenham alguma cautela nas configurações gráficas e no número de ligas selecionadas.

Apesar de não apresentar grandes reformas, Football Manager 2020 consegue ainda assim transmitir uma sensação ainda mais real do que os jogos anteriores. Seja pelos novos desafios impostos pela direcção, ou pelos comportamentos colectivos renovados dos jogadores, terás certamente aqui um forte motivo para mergulhar em mais uma carreira sedenta de vitórias.