Developer: Sports Interactive, SEGA
Plataforma: PC, Xbox Series e PlayStation 5
Data de Lançamento: 8 de Novembro de 2022

Chegou o mês de Novembro, e com ele, aquele que é para muitos o jogo sagrado dos amantes da bola. Football Manager 2023 está aí para nos trazer várias novidades em relação à edição anterior, e algumas delas mesmo históricas, mostrando a ambição da série para o futuro. É um simulador que tenta aproximar-se ainda mais da realidade na gestão de um clube de futebol, e com diversas decisões acertadas nessa lógica.

Não podia deixar de começar pela entrada das licenças das provas da UEFA de clubes ao Football Manager. É verdade, depois da Bundesliga num passado recente, agora é a vez da Liga dos Campeões, Liga Europa e a Liga Conferência estarem completamente licenciadas no FM. Significa por isso que vão ter as devidas apresentações no início das partidas, assim como os hinos das competições, os seus símbolos e as respectivas banners. É algo muito bem-vindo para qualquer adepto de futebol, e um sinal de como a Sports Interactive começa a levar bastante a sério esta questão.

Porém, as mudanças não são meramente superficiais, porque foi no próprio motor de jogo que encontrámos as alterações mais interessantes. Sente-se imediatamente que está diferente, e um bom exemplo é que táticas que funcionaram nos FM’s anteriores dificilmente terão aqui o mesmo sucesso. É muito mais árduo criar em espaços curtos, e existe uma agressividade coordenada quando a equipa não tem a bola na sua posse.

Isso vai obrigar a que se pense o jogo em mais do que uma fase, porque no lado contrário, uma equipa exposta vai ter inevitavelmente problemas. Os jogadores falham muito menos quando aparecem isolados à frente da baliza, e é notória a dificuldade da linha defensiva quando tem um opositor enquadrado e com tempo para decidir. No entanto, está muito mais eficaz no controlo da profundidade, especialmente em passes mais longos, o que certamente evitará um cunho de jogo que insista neste estilo.

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Na verdade, é mesmo defensivamente que encontramos mais diferenças, já que no plano tático, no separador “Sem posse de Bola”, algumas coisas foram removidas e outras acrescentadas. As opções “Usar Defesa em Linha” e o slider da “Largura Defensiva” não existem mais, e foram substituídos por instruções relacionadas com a linha defensiva (Step Up More e Drop Off More), que definem como será o seu comportamento, ou seja, se perante o perigo esta sobe para pressionar, ou se começa a recuar para compensar o espaço nas costas.

Como podem ver, o FM deste ano dedicou-se essencialmente a como escolhemos pressionar, e há outra inovação nesse sentido, chamada de Pressing Trap. Podemos decidir entre Trap Outside e Trap Inside (ou nenhuma delas, claro), e que tal como o nome indica, irá determinar como a nossa equipa condiciona a posse adversária. Com Trap Outside empurra o oponente para as laterais, tentando depois pressionar de dentro para fora; enquanto que com o Trap Inside, convida o adversário para espaços interiores, para desse modo ganhar a bola em zona central.

Não subestimem o poder destas possibilidades, porque irá influenciar imenso não só como os nossos jogadores se comportarão defensivamente, mas também como será posteriormente a sua disposição para atacar. É algo que deverá ser considerado para três circunstâncias (organização defensiva e transições defensiva/ofensiva), uma vez que quando estes momentos do jogo se unirem de forma orgânica, a probabilidade de sucesso sobe significativamente. Não duvido que quem é minucioso irá adorar experimentar inúmeras combinações, visto que é terreno que ainda tem muito para explorar.

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A forma como funcionam certas parcerias dentro de campo foram igualmente repensadas, isto é, jogadores que se posicionam em função de outros irão agora actuar como unidades. Relações como a dos duplos pivots, extremo e lateral, ou duplas de avançados, ganham assim outra atenção, e será importantíssimo pensar nos seus roles com isso em mente. Claro que os atributos serão fundamentais para ditar a eficácia dos posicionamentos e dos movimentos, mas serão sobretudo condicionados pelos colegas que terão ao lado e à frente. É, por isso, necessário algum estudo para se entender como os jogadores compreendem a posição, e como se compatibilizam com a tarefa do colega mais próximo.

Têm sido evidentes as dificuldades que os clubes têm encontrado para conseguir planear o calendário antes da pausa para o Campeonato do Mundo. E a primeira época do Football Manager 2023 demonstra precisamente isso, com jogos de três em três dias que nos obrigarão a escolhas complicadas. Mais do que nunca, será indispensável desenhar um plantel com soluções, e, pelo menos para as equipas que estão envolvidas em várias competições, além das camadas jovens, aproveitar a primeira e segunda janela de transferências.

Quanto à parte mais administrativa do jogo, temos um novo separador, o “Planeador do plantel”, que facilitará o desenho que temos idealizado para a equipa no curto e médio prazo. É uma lista que podemos preencher com os jogadores que farão parte do nosso projecto, de maneira a que possamos ter uma maior noção das carências em cada sector do plantel. Tem mais utilidade do que possa parecer à primeira vista, já que vamos poder sinalizar cada atleta por posição para os próximos três anos, desde aqueles que fazem parte dos mais utilizados, como os emprestados, os jovens da academia, e até futuras contratações.

Os agentes têm cada vez mais um papel capital no Football Manager, e na edição deste ano não há como evitá-los. Em cada renovação de contrato é recomendado que se fale primeiro com o representante do jogador e saber do interesse de todos. Caso contrário, os conflitos serão prováveis e não só poderá prejudicar negociações com esse jogador, mas com todos os jogadores diligenciados por esse agente. Mas também há vantagens, porque será possível consultá-los e saber do interesse de jogadores de outros clubes em serem contratados, assim como os valores envolvidos. Contudo, falhem com alguma promessa, e poderemos ter problemas em usufruir das mesmas regalias novamente.

A análise de dados é inseparável do futebol moderno, principalmente no recrutamento, e foi feita uma certa aproximação ao Moneyball na versão deste ano. Adicionalmente à busca por atributos e outros requisitos, no FM 2023 vamos poder pesquisar por estatísticas específicas para aquilo que pretendemos de um jogador. Se querem alguém com um valor mínimo de golos ou assistências, de participação em golos da equipa, ou jogos sem golos, estará tudo disponível para ser escrutinado e descobrirmos aquele atleta que tem passado despercebido aos outros clubes. A quantidade de opções é absurda, e é uma nova forma de encontrar jogadores.

Os adeptos ganharam um espaço especial na secção “Apoiantes”. É uma nova área no separador da “Visão do Clube” que dá uma perspectiva de quem acompanha a equipa. Está dividido pelas percentagens dos tipos de adeptos, e vai dos mais fanáticos, aos mais casuais. À primeira vista pode parecer apenas uma curiosidade engraçada, mas a sua importância é bem maior do que possam pensar. Sim, poderá até influenciar a segurança do nosso cargo, porque quanto mais os adeptos gostarem do treinador, mais difícil será para a direcção ter argumentos para o despedir.

No nosso perfil de treinadores, temos agora a “My Manager Timeline”, que servirá para podermos seguir a história das nossas carreiras. Ficarão assinalados não só os títulos que ganhámos, como circunstâncias relevantes e prémios – tanto nossos, como de jogadores treinados por nós. Esta cronologia irá reter todos os marcos importantes pelos quais passámos como treinadores e as carreiras de quem influenciámos pelo caminho, criando uma ligação palpável e emocional com aquele save mais longo ao qual não conseguimos resistir em revisitar de vez em quando.

Graficamente, apesar de as melhorias não serem evidentes, estão lá, essencialmente na adição de imensas animações inéditas que resultarão num maior realismo de situações. Um bom exemplo é de ter visto um golo ser anulado pelo VAR, por obstrução à visão do guarda-redes, o que espelha bem como o motor gráfico está cada vez mais complexo. A parte sonora, só por podermos ver as nossas equipas entrarem ao som do hino da Champions League já valeu a pena, mas não se fica por aqui, porque tem similarmente pequenas melhorias nos efeitos durante o jogo.

Football Manager 2023 é, sem sombras de dúvidas, o jogo mais completo de toda a série. As novidades fazem com que a experiência seja ainda mais real e imersiva, e é um profundo upgrade em relação à versão de 2022.

Absolutamente obrigatório para qualquer treinador de bancada.