Developer: 3D Clouds
Plataforma: PS5, Xbox Series X|S, PC, Nintendo Switch, PS4, Xbox One
Data de Lançamento: 18 de setembro de 2025

O objetivo de Formula Legends é claro: ser uma alternativa divertida e mais arcade em relação a outros jogos de Fórmula 1 no mercado. O que existe neste momento é apenas a franquia F1 da EA Sports, que conta com todo o conteúdo oficial do universo da F1 e tem uma apresentação mais fiel a uma transmissão televisiva, com maior foco na simulação e representação real deste desporto. 

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Neste contexto, Formula Legends distingue-se do espetacular F1 em tudo e nem podemos sequer fazer comparações entre eles, seria totalmente injusto para o jogo da 3D Clouds que vem de dois jogos de corridas para um público mais novo. Um deles foi o Paw Patrol: Grand Prix, com os personagens da série infantil Patrulha Pata, e o outro foi Gigantosaurus: Dino Kart, que coloca dinossauros em karts para fazer corridas. A mistura dessas duas experiências talvez tenha dado ideias à empresa, que chega agora com este jogo de F1, em que os carros parecem telecomandados à distância, apresentando um conjunto de rodas gigantes e um chassi bastante pequeno. Isto dá um estilo mais cartoonesco aos veículos, que parecem carros de brincar. E é daqui que partimos! 

Sem essa preocupação de ser ou parecer real, Formula Legends é um jogo simples e bastante fácil de entrar. Comandos simples de acelerar e travar sem grandes truques, pistas mais curtas do que na realidade, onde cada volta anda pelos 50/55 segundos, conforme a nossa habilidade, câmera principal isométrica, lembrando jogos como Art of Rally e onde nada está licenciado. Aliás, até é uma das partes cómicas do jogo, ver os nomes que dão aos pilotos ou às equipas. Lembram-se dos tempos de PES em que os nomes vinham parecidos, mas trocados? Aqui é igual. 

Ayrton Senna é Airton Serafino, Niki Lauda é Nike Laube, Hamilton é Louis Hammerstone, Leclerc é Charlie Lacreme, entre outras estrelas como Chuck Morris, Mark Peerstallen ou Ferdinando Alfonso, que deixo para vocês descobrirem a quem correspondem. Nas equipas podemos ver que a Pentault assume-se como a Renault dos tempos modernos e a Ferrenzo, uma espécie de Ferrari da Wish, sem qualquer tipo de desprimor para o site. Também os Grandes Prémios vêm com os nomes alterados, onde o Côte D’Azur GP se assume como GP do Mónaco ou o Naples GP, o de Itália. Confesso que me ri mais do que devia só a ler alguns destes nomes, principalmente os dos pilotos.

Passando para a condução em pista, os pilotos têm de ter certos aspectos em atenção. Apesar deste ser um jogo mais arcade, há elementos de simulação embutidos na própria F1 que o jogo não descarta. Eis alguns exemplos, desde o tipo de pneu que usamos, o desgaste dos mesmos e a quantidade de combustível que temos, passando pelo clima dinâmico que transforma um dia de sol em chuva a meio da corrida e faz com que tenhamos de mudar toda a nossa estratégia de pneus são alguns desses elementos.

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Podemos juntar ainda o sistema de danos que vai deixando o carro menos manobrável e até um mini-jogo nas boxes, onde temos de ser rápidos a carregar nos botões e que o seu sucesso, ou falta dele, dita uma boa ou má paragem. Outro dos aspectos é o traçado das pistas, que não apresentam linhas verdes, amarelas e vermelhas, que noutros jogos de corridas já nos habituamos e são ajudas preciosas para sabermos quais as melhores trajetórias e onde temos de travar.

É certo que podem desativar muitas destas opções, mas eu gostei de ter todas estas preocupações com o carro. O que gostei menos foi das penalizações que os comissários de prova me iam atribuindo. Atalhar caminho é uma coisa, sair de pista sem ser de propósito e ser penalizado por isso é outra e então achei demasiado fácil levar com penalizações de segundos que acho injustas. 

O jogo tem também alguns problemas de jogabilidade, nomeadamente na resposta dos nossos comandos. Houve tentativas de virar o carro que não funcionaram, parecia o Piastri no GP do Azerbaijão e quando batemos noutro carro, a trajetória que ele apanha é bastante esquisita. Se adicionarmos um público todo pixelizado e as texturas das pistas que parece que estão constantemente a renderizar, não são coisas a favor de Formula Legends. 

Não sendo o objetivo dele ser um portento gráfico, a verdade é que ele ser feito nesta altura ou há 10/15 anos, seria exatamente a mesma coisa. Em sua defesa, eu gosto bastante quando chove e das imagens que isso provoca, dificultando a condução e a visibilidade. Mas por outro lado, às vezes é frustrante parecer que se tem o carro controlado e afinal depois numa curva aberta que deveria ser fácil de fazer a manobra, se perde o balanço todo porque ou o carro não vira muito ou vira demasiado. Tive de usar muitas vezes o “restart race”, para voltar a correr e tentar não sair de pista logo nas primeiras curvas. Por falar nisso, um recurso que senti falta foi o de “flashback” que no jogo da EA Sports nos permite andar uns segundos para trás e refazer o que pode ter ficado mal feito. Para um jogo deste estilo arcade encaixava na perfeição.

Nos modos de jogo, o principal é aquele que nos dá uma visão geral de toda a história da F1. Achei muito interessante a ideia e se a EA Sports quiser, até tem aqui um conceito. O objetivo é passar pelas várias décadas desde os anos 60, até aos recentes anos 20. Cada fase é baseada num dos campeonatos dessa mesma década e coloca em pista os pilotos e os carros dessas alturas, bem como provas que foram importantes em determinado campeonato. Nós não podemos logo escolher qualquer piloto ou carro, mas à medida que vamos jogando e conquistando pontos de experiência, boas classificações e vitórias, lá vamos desbloqueando novos veículos e pilotos para levar para a pista. Também podemos fazer alguns upgrades aos carros e ficar mais rápidos.

A ideia do jogo é excelente e além deste modo, podemos criar campeonatos, jogar Grandes Prémios e correr contra-relógios para ir aperfeiçoando a nossa condução. A nível de conteúdo que pode ser desbloqueado, pode também ele ser visitado e visto no modo Salão, embora não estejam à espera de réplicas dos carros reais, já vos disse que mais parecem Micro Machines ou carros da Lego.

Formula Legends é um jogo divertido e uma proposta de mercado diferente para os amantes de F1 que queiram desenjoar de outros jogos mais sérios. Tem alguns bugs e problemas de condução, mas se procuram algo mais leve e mais casual, não hesitem em agarrar neste jogo que vos deixará com um sorriso no rosto em muitos momentos, não só graças à falta de licenças e aos nomes engraçados que são atribuídos aos pilotos e às equipas, mas também por ser bastante leve de jogar.

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Élio Salsinha
Aprendeu a jogar ao Pedra, Papel, Tesoura com o Alex Kidd e a contar até 100 com o Sonic. Substituiu a Liga da Malásia pela Liga Portuguesa no Fifa 98 e percebeu que havia jogos melhores que filmes com o Metal Gear Solid.
analise-formula-legends<h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #339966;">SIM</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Estilo arcade e simples</li> <li style="text-align: justify;">Cómico com a ausência de licenças</li> <li style="text-align: justify;">Mini-jogo das boxes</li> <li style="text-align: justify;">Divertido</li> </ul> <h4 style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff0000;">NÃO</span></strong></h4> <ul> <li style="text-align: justify;">Alguns bugs técnicos e falhas nas texturas das pistas</li> <li style="text-align: justify;">A jogabilidade da condução deixa a desejar comparado com outros jogos de corridas</li> </ul>