Developer: Harmonix Music Systems
Plataformas: PS4, Xbox One, Nintendo Switch, PC, PS5, Xbox Series S|X
Data de Lançamento: 10 novembro de 2020

Devo dizer que estava muito ansioso para nos chegar uma cópia deste Fuser para analisarmos e testarmos efetivamente como esta nova proposta da Harmonix, famosa pelas suas aventuras com o Rock Band, se portava agora com a tentativa de deixar as bandas de lado, e atirar-se de cabeça pelo formato DJ Set.

Estamos a falar de um jogo cuja proposta é colocar-nos na posição de um DJ que começa a dar os primeiros passos rumo ao estrelato e que está a começar a entender como misturar beats, riffs de guitarra, sintetizadores ou linhas de baixo, num set que vai levar toda a gente ao êxtase. Para isso vamos andar a tocar em slots de abertura de artistas mais conhecidos, fazendo warm up’s muitas vezes até conquistarmos o nosso espaço e sermos nós os Headliners dos festivais de música eletrónica.

O conceito é bastante simples, como já perceberam, mas o jogo não é básico de maneira nenhuma, a campanha vai-nos dar as ferramentas para percebermos passo a passo as várias mecânicas do jogo, quer seja acertar no compasso, meter a faixa no sítio certo, jogar com estilos e com linhas de instrumentos, encontrar a frase da linha de voz certa para entrar, e até conseguir corresponder aos vários pedidos do público.

Cada uma destas características que temos que abordar para um set perfeito, são introduzidas uma a uma para primeiro nos familiarizarmo-nos com elas, e só depois agrupadas, o que é a forma perfeita de aprendermos passo a passo cada uma das componentes, em vez de nos encher o cérebro de informação tudo ao mesmo tempo.

Sendo assim tentemos explicar as mecânicas, e digo tentemos porque descrever algo tão visual e sónico não é muito fácil. Primeiro começamos por entender os compassos, divididos por 4 ou 8 tempos a barra que está colocada em cima de cada uma das faixas dá-nos a indicação de onde devemos entrar com a música em questão, neste caso no 4 ou no 8 tempo do compasso.

Depois como tentar encontrar um equilíbrio puxando várias canções e aproveitando cada um dos seus elementos, uma pista de voz num leitor de cd, uma linha de baixo noutro, uma linha de sintetizadores noutro e uma batida no último; isto para conseguir ter todos os elementos a funcionar ao mesmo tempo, mesmo que de músicas diferentes.

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Depois é-nos ensinado também como podemos utilizar vários elementos da mesma música em leitores de cd’s diferentes, isto é, uma batida e uma linha de baixo de uma música apenas, por exemplo. A partir daí tudo se começa a complicar, isto porque depois de nos habituarmos a esta questão do compasso a dificuldade aumenta ao podermos e devermos utilizar também as músicas nos seus tempos de entrada certos.

Ao início o mais fácil é perceber isso com o chamado pick up da voz, quando passamos o cursor pela canção que queremos utilizar, aquela barra que vos falava no início com o 4X4 ou 8X8 passa a ter também a informação dos pontos de pick up, isto é, pontos onde vai entrar no sítio exato, e a melhor forma de vos explicar isto é, imaginem o “Take On Me” dos A-Ha, fica muito melhor se entrar no refrão na parte “Take on Me, Take me On…”, do que a meio de um verso, basicamente é isso, mas agora imaginem isso para tudo, para as linhas de todos os instrumentos. Já perceberam que complicou né?!

No entanto ainda complica mais, apesar de ser um jogo para fazer a festa, não quer dizer que não seja altamente profissional, e isso vê-se quando começa a introduzir os conceitos de Mute a uma das pistas ou de Solo, onde mais o mas vez existe o timing perfeito para fazer.

Subimos ainda mais um degrau quando ficamos a ter acesso a uma espécie de Drum Machine, isto é, um Pad onde podemos ter instrumentações e fazer padrões ou loops que podemos utilizar numa das pistas, dando ainda mais opções no nosso DJ Set e podendo os tornar realmente únicos. Mas há mais, ainda podemos também ter efeitos que podemos adicionar às pistas, estamos a falar de efeitos sonoros, seja ecos, flanger, delays de sincronização ou mesmo pitch’s. Ainda temos mais uma prova para superarmos antes do grande final, tem a ver com o volume, o mesmo que dizer como fazer Fade Out e Fade In, isto é, por um lado baixar o volume da canção até 0 e depois tirar o disco, e do outrol lado, meter o cd da canção que queremos e subir o seu volume ao máximo.

Por fim, e acredito que já estejam a pensar como é que se consegue conciliar isto tudo nas teclas do comando, e já vou explicar isso mais à frente, temos ainda os BPM, o que quer dizer que vamos ter a possibilidade de sincronizar a velocidade dos tempos das músicas para que o encaixe entre elas seja efetivamente perfeito e para que possamos mudar os ritmos do nosso set para o tornar mais dinâmico. Desenganem-se aqueles que acham que fazer um DJ Set é meter umas músicas a passar, ou mesmo uma pen a tocar, aqui vão perceber o andamento que é preciso ter para oferecer ao público a festa que esperam de nós.

A nível de customização cosmética, para além da tradicional customização da nossa personagem e dos items cosméticos que podemos desbloquear ao completar os desafios propostos, praticamente em todos os modos do jogo; temos ainda a customização do nosso “show”, isto é, podemos escolher vários artifícios para o nosso espetáculo, que passam pelos elementos mais pirotécnicos, passando pelas imagens nos ecrãs, as cores das projeções ou até mesmo elementos que podemos mandar para o público.

Também estes elementos vamos desbloqueando ao longo do jogo com a ajuda da moeda específica para os elementos cosméticos, sendo que a outra moeda é utilizada para comprarmos música. Essa moeda vai-nos permitir então, ir à biblioteca de temas e escolhermos as que queremos comprar para utilizar nos nossos sets, sendo que a playlist, neste momento, conta com mais de 100 artistas e canções.

Falámos muito sobre os conceitos, as formas de fazer um set, as técnicas, as músicas, os instrumentais, os efeitos, mas como é que se consegue fazer isto tudo com pouco mais de meia dúzia de teclas num comando?! É aí que a Harmonix mostra o seu domínio na concretização nos videojogos musicais, as quatros teclas de ação do comando vão fazer praticamente tudo, mas perante o HUD vão ter ações diferentes, isto é, em cima da capa da música que escolhemos poderemos escolher uma das quatro instrumentações, já em cima do prato vamos poder escolher se queremos ejetar, fazer solo ou fazer mute. Depois os gatilhos servem para escolher os pontos de loop na Drum Machine ou na Loop Station, e os shoulder buttons servem para mudar as páginas das músicas que podemos selecionar, assim como dos efeitos, etc.

Como podem ver até simplificaram imenso as coisas, e é por isso que a jogabilidade acaba por ser tão fluída, fácil e dinâmica, ao mesmo tempo que é desafiante e que dá até aos profissionais, as ferramentas que utilizam normalmente nos seus DJ Set’s. E também por isso mesmo que a Harmonix decidiu dar uma componente online bastante forte. Temos a possibilidade de jogarmos em formato cooperativo freestyle, onde vamos poder usar as músicas que quisermos da forma que quisermos, entrelaçando o nosso set com o set do nosso amigo. Temos depois as Battles, aí é um sistema competitivo online, onde vamos tentar fazer melhor que o nosso adversário, colocando-o em situações adversas perante a nossa capacidade de fazer o público vibrar. Um formato head to head, onde o público também vai pedindo músicas que quer ouvir, sendo que o público pode ser controlado pelo computador, ou podemos ser nós que decidimos ir ver uma Battle e vamos pedindo músicas para os jogadores que estiverem na batalha.

Fuser é uma maravilha para os meus ouvidos, para uma pessoa que faz rádio e que põe música como eu, é um prazer enorme ter um jogo que me dá a oportunidade, numa altura como esta, de fazer DJ Set’s para a malta cá de casa, para os amigos em formato online. É divertido, é desafiante, tem todas as ferramentas de um DJ e a sua reprodução e mecânica estão perfeitas. A Harmonix volta a conseguir fazer um videojogo musical que será um marco na história dos videojogos. E só não leva 5 porque, apesar das 100 canções disponíveis, provavelmente vamos ter mais, mas em formato micro-transações e isso é de facto uma pena, tal como já tinha acontecido com o Rock Band.