Developer: Capcom
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 25 de Fevereiro de 2021

Foi com bastante surpresa e agrado que vi a Capcom anunciar Ghosts ‘n Goblins Resurrection para a Nintendo Switch. O remake de um jogo de 1985, que foi lançado em primeira mão nas máquinas de jogos, e mais tarde foi lançado para diversas plataformas como o Spectrum, NES, entre muitas outras. A primeira vez que joguei Ghosts ‘n Goblins foi no meu Spectrum 128k+2, e devo dizer que, embora os jogos naquela época fossem bastante difíceis, Ghosts ‘n Goblins era uma espécie de Dark Souls da altura, já que a sua dificuldade era bastante acima da média.

O mais impressionante é que Ghosts ‘n Goblins era um jogo que à primeira vista parecia bastante simples e básico, mas depois de se começar a jogar é que conseguíamos compreender a sua dificuldade. Neste Ghosts ‘n Goblins Resurrection, a Capcom foi desenterrar os mesmos pergaminhos do jogo original, mas também de Ghouls ‘n Ghosts, trazendo assim uma mistura dos dois jogos. Acreditem, ou não, isto oferece-nos uma experiência estupidamente difícil, com um grafismo e efeitos sonoros substancialmente alterados e modernos, contudo, com uma jogabilidade bastante idêntica ao jogo original.

A história do jogo é do mais simples que pode existir, e como qualquer jogo dos anos 90, o Rei Artur está a descansar nos belos campos verdejantes que rodeiam o seu castelo, quando uma princesa vem ao seu encontro; nesse momento, o seu castelo começa a arder, nuvens escuras e sombrias começam a escurecer o céu, e a árvore de poderes do rei fica completamente seca, ficando Artur um banal rei como qualquer outro. Para piorar a situação, no local onde Artur se encontra com a princesa, surge uma gárgula que rapta a princesa. Com devem imaginar, o nosso objectivo é derrotar essas criaturas maléficas, e claro, libertar a princesa raptada.

Quando iniciamos o jogo, ao contrário dos jogos originais, temos 4 tipos de dificuldade: Legend, Knight, Squire e Page. Embora vocês possam imaginar que o Page seja como passear no parque, acreditem que estão bem enganados. Diria que a dificuldade Page é difícil, e a Legend uma dificuldade insana, significando por isso que este jogo não oferece quaisquer facilitismos.

Depois de escolhida a dificuldade, surge a primeira surpresa no que se refere ao jogo, a possibilidade de termos caminhos para escolher. Caminhos estes bem conhecidos para os fãs da série, já que vamos podendo escolher entre zonas dos mapas de Ghosts ‘n Goblins e Ghouls ‘n Ghosts, e até podem mesmo ir alternando entre os mapas dum jogo e do outro.

Ao longo da nossa jornada, teremos diversos inimigos. Uns aparecem do chão, desde zombies, esqueletos, e seres ainda mais estranhos, como gárgulas, morcegos, corvos, caveiras voadoras, entre outros. Todos eles foram “embelezados” e ganharam novas animações, novos grafismos e até novos movimentos, porém, todos continuam com o objectivo de nos derrotarem.

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Apesar de o jogo não ter um sistema de vida – como habitualmente acontece –, em que os personagens têm uma barra de HP, aqui, o Rei Artur vai perdendo peças da sua armadura até ficar apenas em cuecas (boxers neste caso), e quando isso acontece significa que estamos quase a ir desta para melhor, já que bastará mais um toque ou um golpe do inimigo para perdermos a nossa vida.

Para conseguirmos ultrapassar os desafios, existem várias armas que podemos apanhar, algumas que apanhamos depois de matarmos alguns adversários e outras que podemos apanhar em baús. Para além disso, existe uma árvore de habilidades, que nos fornecem ataques mágicos, ou até a possibilidade de trocar de armas. São esses ataques mágicos que nos oferecem algum descanso, e por vezes apenas 1 ou 2 segundos, mas dão bastante jeito naqueles momentos de maior aperto.

Este é um jogo que requer reflexos rápidos, e obriga-nos a estar sempre a disparar, com inimigos a aparecer por todos os lados, e também bastante castigador na sua jogabilidade. Isto porque a Capcom pouco ou nada alterou no campo da jogabilidade, significa por isso que, por vezes, torna-se extremamente complicado nos desviarmos dos inimigos, ou porque o personagem é super desengonçado, ou porque é impossível controlá-lo quando este está a saltar. Embora eu goste bastante que os remakes não fujam muito das suas versões originais, a verdade é que neste campo o jogo poderia estar um pouco mais apurado, principalmente na parte dos saltos.

Já as lutas contra os Bosses continuam incríveis, mas agora com um grafismo que impressiona qualquer jogador que tenha jogado os originais. Obviamente que se durante os níveis a dificuldade é enorme, contra os Bosses diria que é de enlouquecermos, sendo extremamente castigador para os jogadores. Felizmente, e para não ficarmos demasiado frustrados, o jogo quando se apercebe que estamos a ser demasiado castigados, lá vai perguntando se queremos diminuir a dificuldade, para conseguirmos progredir.

Quanto ao grafismo, o jogo está excelente. Principalmente para todos os jogadores que tiveram a possibilidade de jogar o original, pois conseguimos perceber ao longe que é um Ghosts ‘n Goblins. Por outro lado, está também tudo muito mais encantador para os olhos. A jogabilidade continua a ser um side scrooling 2D, mas com um grafismo mais a atirar para o 3D, dando uma nova vida ao jogo. A Capcom usou o motor dos seus últimos sucessos, isto é, o Re Engine, que cada vez mais mostra a sua flexibilidade, visto a diversidade de jogos que a empresa tem lançado com este motor. Já em termos sonoros, o jogo também foi todo ele melhorado, com as músicas a serem retocadas de modo a serem actuais, assim como os efeitos sonoros.

Ghosts ‘n Goblins Resurrection é um jogo para os mais destemidos. Oferece uma nostalgia incrível, mas também uma penalização absurda por pequenas falhas que os jogadores tenham. Para os jogadores da velha guarda, é sem dúvida um jogo a não perder, quanto aos novos jogadores, diria que nada melhor do que começar na dificuldade Page, e depois ir aumentando a sua dificuldade lentamente.