Developer: Bolverk Games
Plataforma: PC e Nintendo Switch
Data de Lançamento: 9 de Agosto de 2021

Glyph é um jogo em que controlamos uma super bola com poderes e temos de a manter em cima de plataformas, de maneira a não cair, caso contrário, perdemos e voltamos ao início de cada nível. Por baixo dessa bola com poderes que já vou falar, está aquilo que me parece um besouro eletrónico, um inseto com asas que é Glyph. É a este personagem que cabe a difícil missão de salvar o mundo que está corrompido em mais uma daquelas histórias clichê a que já devem estar habituados de outros jogos. 

Isso não me preocupa nada, até porque o objetivo do jogo é resolver quebra-cabeças e perceber como se chega a determinado local usando tudo aquilo que aprendemos logo no início num tutorial bastante completo. Para quem já jogou na Switch, sabe o que esperar, isto porque o jogo está disponível desde fevereiro na portátil da Nintendo e agora é que a Bolverk Games chega com uma versão para o PC. Para quem nunca o experimentou, como era o meu caso, numa primeira impressão o jogo lembrou-me Kula World da PS1, onde andávamos com uma bola em cima de plataformas a apanhar chaves para passar de nível, tal como acontece aqui e ainda me lembrou Skully, o tal jogo da caveira, pela sua vertente da física da bola que vamos controlar. 

O universo onde se passa Glyph parece saído de um The Journey. Visualmente apelativo e enigmático, vamos percebendo o que é para fazer por intuição e apesar de ser fácil de aprender a jogar, nem tudo são favas contadas ao longo de umas longas horas que podem ter pela frente. Como já vos disse a super bola tem vários poderes que até são bastante simples de fazer, o problema é saber qual usar em determinado momento, correndo o risco de falhar, por exemplo, um voo maior já quase no fim do nível e ter de repetir tudo outra vez. Sim, aconteceu-me, e não apenas uma ou duas vezes. Mas não se chateiem muito com isso porque faz parte do jogo. Há que saber primeiro o que fazer e depois executar na perfeição. Entre uma e outra achei mais fácil a execução do que a parte de descobrir como passar. 

Os poderes que vão encontrar em Glyph vão desde os saltos simples, passando pelos duplos saltos, o salto em impulsão, a escalada e até o super voo, no qual o besouro sai da bola para a encaminhar até ao destino pretendido. Isto tudo combinado resulta numa boa experiência de jogo com uma jogabilidade bastante simples e intuitiva. Além da simples execução destes poderes, a grande contribuição para uma boa experiência de jogo é a física da bola. E não, não estou a falar de um jogo de futebol que muitas vezes traz essa novidade a cada ano que passa. Aqui é importantíssimo perceber o peso que ela tem para não errar no balanço dado nos saltos entre plataformas. Um exemplo claro, em cada salto, quando reparava que ia para além da plataforma, andava com o direcional para o lado inverso. Isto em vez de mudar drasticamente o movimento da bola, havia um movimento mais lento até mudar de direção o que faz com que quem jogue sinta realmente o peso da bola. Joguei com um comando, mas também é possível jogar com o teclado, mas eu sou uma desgraça e temia-se o pior se o fizesse. Joguei pelo seguro.

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O progresso do jogo é feito com itens que vamos agarrando em vários níveis. Desde moedas, chaves ou cristais, tudo pode servir para abrir determinada parte do mapa de Glyph. Com as moedas podem aceder a novos níveis, as chaves servem para abrir a saída de cada nível, os cristais levam-nos até níveis adicionais. Também existem os escaravelhos dourados que só se apanham quando conseguem colecionar todas as moedas de um determinado nível e que dá acesso a partes específicas do mapa. Fiquem tranquilos porque caso não consigam passar à primeira, não perdem o que já amealharam, tornando as coisas mais fáceis. Os níveis que vão passar são bastante diversos e dividem-se em dois grupos. Os de colecionar itens e outros em que têm de bater um determinado tempo para avançar à boa maneira dos contra-relógios nos jogos de Crash Bandicoot. A classificação de cada nível varia entre uma estrela e cinco estrelas, consoante a nossa performance, enquanto que nos outros em que temos de bater o tempo, vai desde medalha de ouro a medalha de bronze. Terão bastante para jogar, são 80 níveis no seu todo.

As partes que me aborreceram mais foram alguns problemas na câmera, que apesar de dar para controlar, às vezes é esquesito fazê-lo e não vos deixa na melhor perspetiva para chegar a bom porto. Também a banda sonora achei muito monótona, apesar de crescer quando encontramos relíquias, mas é pouco se tiverem sempre a jogar com o som do jogo. Sugiro estarem a ouvir outro tipo de música enquanto tentam passar cada nível. 

Glyph é um jogo simples de processos e interessante o suficiente para merecer a atenção dos que gostam de jogos de plataformas e de quebra-cabeças. Se jogavam Kula World, ou aqueles níveis de Dreams em que rolavam com uma bola a passar por obstáculos, têm aqui uma boa opção que faz lembrar esse tipo de jogo. Pela sua simplicidade e pelo preço apelativo é um bom recurso para gente que gosta de desafios. Quem sabe também possa ser ideal para fazer tempo naquelas horas de almoço mais monótonas durante um dia de trabalho.