Developer: Santa Monica Studio
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 14 de janeiro de 2022

God of War foi lançado a 4 de outubro de 2019 e agora a 14 de janeiro de 2022 chega então esta versão para PC. A estratégia da Sony tem passado por fazer chegar os seus maiores títulos exclusivos ao PC, mais ou menos com um intervalo de 2 anos, deixando-os fazer o seu ciclo na PlayStation 4 e PlayStation 4 Pro, e neste caso em específico do God of War, fazendo a ponte para o lançamento da continuação da saga do estúdio Santa Monica, com God of War Ragnarok.

Como já analisámos o jogo no seu formato PS4 aqui no nosso site, vamos aqui focarmos primeiro nas características técnicas que a experiência no PC nos proporciona, para depois recordamos a nossa experiência com a narrativa e a jogabildiade do jogo.

Em termos gráficos, todos os visuais foram melhorados e optimizados para esta versão, começando desde logo pela resolução a 4K e pelo frame rate desbloqueado para atingir a melhor performance possível, isto mediante a máquina que tiverem à vossa disposição para o correr, como é óbvio. Há vários presets e opções disponíveis que podem ser utilizados, como o aumento da resolução das texturas das sombras ou o melhoramento dos reflexos em todo o campo visual do ecrã.

Para aqueles, que como nós, têm uma placa NVIDIA no nosso computador, vão ainda poder ver a capacidade de processamento da Inteligência Artificial do DLSS, o Deep Learning Super Sampling, que oferece melhoramentos também no frame rate e na qualidade das texturas. Isso e também a utilização da tecnologia de baixa latência NVIDIA Reflex, que nos permite reagir mais rapidamente e com a menor latência possível na reação ao comando, especialmente quando estamos naqueles momentos intensos e a nas combinações infernais com Kratos e Atreus.

Alguns de vocês podem estar a perguntar: mas a PS5 não faz resolução a 4K do jogo?! A resposta é: faz, mas através de uma técnica diferente, o chamado checkerboard rendering que faz com que o jogo corra a metade da resolução pretendida, com a outra metade a ser renderizada através de software de interpolação.

Foi em fevereiro do ano passado que a Santa Monica Studio lançou um update gráfico para o God of War na PS5, com a resolução a chegar aos 2160p, com o frame rate a chegar aos 60fps mas utilizando essa técnica de checkboard rendering para o conseguir. Por isso mesmo, a capacidade gráfica que vemos nesta versão PC é consideravelmente superior ao que já tínhamos visto até hoje.

Para aqueles que possuem um monitor 21:9 o jogo está também disponível em formato ultra-widescreen dando uma maior imersão e explorando a qualidade cinematográfica do jogo.

A experiência que acabamos por ter na versão PC, devido a todos estes factores é ainda melhor e mais imersiva do que na versão consola. Tudo aquilo que já extrapolava as capacidades das consolas da Sony levou um boost e isso nota-se nos mais pequenos pormenores. Todos os artefactos que Kratos e Atreus usam respiram detalhe, toda a armadura, o escudo, os trajes, o machado demonstram uma renderização mais apurada, assim como, todos os detalhes inerentes, quer seja o reflexo nos mesmos, os efeitos das condições climatéricas, o seu uso normal e até mágico, tudo tem mais “brilho”.

Elementos climatéricos como o Sol a rasgar por entre as nuvens, o seu reflexo no gelo ou na água, os pequenos flocos de neve a cair ou as folhas das árvores, passando pelas várias zonas de vegetação, os efeitos de luz quando transitamos entre cavernas e áreas mais abertas, o reflexo da água e a sua movimentação, tudo está mais fluído e mais “real”.

E se perdemos horas a olhar para as lindas paisagens do jogo, das suas personagens místicas e imponentes e pelas áreas tão envolventes e outras abertas do jogo, podemos dizer o mesmo quando a acção é mais frenética. Aqui, devido à capacidade e desbloqueio do frame rate, até as situações mais caóticas e com um volume substancial de inimigos a insurgirem-se contra o Deus da Guerra, são super fluídas e detalhas. Se jogarem no modo mais díficil, ou nos desafios pós-jogo, vão perceber que tudo ficou mais definido e mais fluído.

Não podemos dizer que é uma experiência completamente diferente nesta versão PC, porque a verdade é que já PS4 Pro, God of War foi talvez dos melhores jogos na qualidade gráfica apresentada, mas também é verdade, que esta versão PC vem aproximar a experiência mais próxima daquilo que a PS5 vai oferecer em Ragnarok.

Em termos de controlos disponíveis, vão poder jogar de rato e teclado se quiserem, para além de um série de comandos, entre os quais o DUALSHOCK 4 e o DUALSENSE com as suas funções adjacentes, isto é, a utilização do feedback háptico no caso do DUALSENSE.

Dizer ainda em termos de novidades e apetrechos que esta versão PC tem, que o jogo está está totalmente localizado em português, como já acontecia na versão consola, mas que traz ainda alguns bónus: o Death’s Vow Armor Sets para Kratos e Atreus, Exile’s Guardian Shield Skin, Buckler of the Forge Shield Skin, Shining Elven Soul Shield Skin e ainda Dökkenshieldr Shield Skin.

Posto isto, olhamos novamente para aquilo que o jogo oferece em termos de narrativa, mecânicas e o seu desenvolvimento, tal como já tínhamos feito na análise para consola.

Este God of War foi um risco para estúdios Santa Monica porque Kratos tinha uma vida diferente, tanto em termos de grafismo, como em termos de mecânicas de jogo, mas o risco compensou, e de que maneira, ao ponto da continuidade da saga ser uma das mais esperadas deste ano.

Kratos deixou a Grécia e a mitologia Grega, mas não deixou de desafiar os deuses e as criaturas mais titânicas, viajando por paisagens nórdicas, um refúgio para um Deus menor que procura a paz interior, mas cujas batalhas épicas não o deixam descansar mesmo quando tem ao seu encargo, Atreus, o filho da sua segunda mulher, Faye. Baseado na mitologia nórdica a sua arma de guerra passou a ser um machado, Leviatã, que tal como outro deus nórdico, Thor, depois de ser arremessado, volta ao seu fiel dono, mas diferentemente de outras batalhas baseadas na vingança, Kratos, desta vez, apenas quer cumprir o último desejo da sua mulher e depositar as suas cinzas no topo de uma montanha.

É claro que pode parecer uma tarefa fácil, mas um Deus da Guerra nunca tem uma tarefa fácil, e por isso vai ter que enfrentar vários obstáculos e inimigos até conseguir chegar ao cume desta aventura, que por outro lado, tem como desafio acrescido, ser um modelo de pai para Atreus nesta viagem.

A narrativa pode parecer simples, simples demais até, mas é a construção destas duas personagens, Kratos como pai, e Atreus como filho que nos vai agarrar ao longo de todo o jogo. A tarefa dícifil de ensinar o quão a vida pode ser dura e madrasta e nos momentos mais sensíveis dar uma lição de coragem e valentia estão presentes em cada momento em que Kratos se vê obrigado a não abraçar o seu filho, a não ajudá-lo, a não protegê-lo, para que ele possa um dia sobreviver sem si, mas que ao mesmo tempo lhe corta o coração, pois Atreus é única coisa que lhe resta.

Por outro lado, Atreus, uma criança que perdeu a sua mãe e cuja a sua doença lhe dificulta a vida ao tentar viver perante a fasquia de vir a ser um Deus da Guerra como o seu pai. No entanto algo os une por mais díficil que seja esta relação, o amor de um pai pelo filho e vice-versa, o serem, de facto, a única coisa que os faz viver.

Uma dependência que é vivida e jogada em continuidade, com Atreus a ser o nosso grande aliado, ajudando-nos a ultrapassar áreas de forma cooperativa, a desvendar mistérios e línguas antigas ou a disparar setas para ferir ou chamar a atenção dos nossos inimigos. Para isso basta-nos primir a tecla Quadrado para que Atreus dispare as suas setas, que apesar de infnitas, têm uma espécie de Cooldown. Uma ligação que conforme o jogo se vai desenrolando, tornar-se-à cada vez mais importante.

Para além desta mecânica outras são novidades em God Of War, algumas delas devidas à nova perspectiva de jogo que temos, em terceira pessoa, mas com uma câmara continua atrás das suas costas, muito ao estilo de The Order ou Bloodborne, com direito a nos esquivarmos, qual Dark Souls, e a marcarmos os nossos inimigos e atacarmos com dois tipos de combinações, as leves e as pesadas.

Como já disse podemos mirar e arremessar o nosso machado, atacar corpo a corpo ou com o nosso machado, tendo vários tipos de inimigos, alguns dos quais imunes aos ataques do machado outros ao corpo a corpo e podemos defendermo-nos usando o nosso escudo. A utilização destas combinações varia de eficiência perante o tipo de inimigos que encontramos e perante a estratégia que queremos usar.

Estratégia essa que passa também pela Skill Tree e gestão dos nossos recursos, armadura e armas, com este elemento mais RPG a ser explorado a outro nível neste God of War, Kratos tem 6 pontos chave, ForçaRúnicoDefesaVitalidadeSorte e Tempo de Espera que poderemos melhor consoante a escolha,e compra, de novos elementos de armadura, runas, armas ou talismãs. Atreus também pode adquiri estes mesmos elementos mas de uma forma mais básica e objectiva.

Isto veio dar ao jogador um maior leque de possibilidades perante o seu estilo de jogo, mais conservador ou mais agressivo, para além da longevidade que este tipo de estrutura de jogo nos dá, a obrigar-nos a visitar ou revisitar locais para conseguir mais recursos ou desbloquear outros, crescendo, por esta e outras razões a longevidade do jogo de 25 para cerca de 40 horas. Para além disso existe ainda o desbloquear de habilidades, que passam por novos ataques corpo a corpo ou de arremesso, o seu tempo de espera e efeito, e é claro os ataques especiais quando Kratos liberta a sua raiva.

Objectivos paralelos é o que não vão faltar, pois para conseguir desbloquear tudo isto, vamos mesmo de ter que resolver os puzzles todos e os enigmas e voltar a jogar o jogo ou a revisitar locais, muitos dos quais utilizando as viagens rápidas para platinarmos este God of War. É claro que uma das tarefas mais interessantes e complicadas é a de matar todas as Valquírias corruptas, com as suas localizações a serem-nos dadas no final do jogo. Uma verdadeira tarefa hérculea que nos vai deixar entretidos durante horas.

Paga-nos o café hoje!

God of War nesta versão PC continua a impressionar quase 4 anos depois do seu lançamento, e isso só acontece porque a sua base é super sólida tanto em termos de narrativa, como de mecânicas e de visuais, agora ainda mais aperfeiçoados. É a altura ideial para quem ainda não teve a oportunidade de jogar este título e preparar-se para Ragnarok que, de certeza, nos vai arrebatar de novo.

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