Developer: Paladin Studios
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 26 de Março de 2020

Não é de hoje que a Nintendo gosta de oferecer aos seus jogadores jogos divertidos, e muitos deles completamente fora da caixa. Foi isso mesmo que aconteceu com o jogo lançado de surpresa no dia que foi apresentado na Nintendo Direct Mini. Falo de Good Job!.

O conceito do jogo é do mais simples que pode existir, ou seja, resolver problemas que podem acontecer em qualquer espaço de uma empresa gigante com diversos andares. Nós seremos o filho de um CEO de uma empresa e teremos de subir na hierarquia com o esforço do nosso trabalho, ou simplesmente com o esforço da nossa destruição.

O jogo oferece diversos níveis, cada um com um objectivo ao longo dos diversos andares. Começamos na recepção, onde encontramos a nossa primeira porta fechada, que só o CEO terá acesso; depois, subimos até ao primeiro andar através do elevador, onde temos os nossos primeiros três níveis desbloqueados, ao concluir esses, um novo nível nesse andar ficará desbloqueado, e ao ultrapassá-lo o andar seguinte ficará desbloqueado.

A ideia é sempre a mesma, andar após andar. Ao todo são 9 andares (sem contar com a recepção que fica no rés do chão), cada um com a sua especialização. Por ordem de andar, teremos do primeiro para o último: finanças, logística, recriação, pesquisa, marketing, fabricação, robótica, administração; e no nono último andar, a penthouse.

Os objectivos são vários, desde levar projectores a uma sala, usar empilhadoras para transportar itens e colocá-los em locais altos, ligar diversas coisas à corrente (com cabos eléctricos que servem de elástico), e até transportar pessoas em cadeiras para outros locais. Quanto mais sobem nos andares, mais difíceis vão ficando os níveis, e os objectivos, por vezes embora muito simples, tornam-se de extrema dificuldade face aos quebra-cabeças que temos de ultrapassar.

E é nesta altura que começam os nossos problemas. Devemos tentar ser cuidadosos, e continuar a esforçar-nos para sermos trabalhadores exemplares sem partir nada, ou fazendo tudo à bruta de maneira a chegarmos ao nosso objectivo no menor tempo possível? Isso fica ao nosso critério, já que o jogo tem três rakings: o primeiro é completar o objectivo no menor tempo possível; o segundo passa por tentarmos não criar prejuízo à empresa face à nossa destruição; e por último temos o número de objectos que destruímos na realização da nossa tarefa.

A parte mais gira do jogo é que não existe um certo ou um errado, e cada pessoa pode ter a sua abordagem. Podemos usar força bruta, destruindo paredes, vidros, armários, entre outras coisas, mas também podemos tentar desvendar todos os quebra-cabeças, demorando mais tempo, para assim conseguirem chegar ao objectivo mostrando como são trabalhadores de excelência.

Acredito, porém, que o que irá acontecer será um misto dessas duas abordagens de maneira a tentarem desbloquear o máximo de níveis e andares possíveis, e mais tarde, tentaram fazê-los de novo obtendo o melhor ranking possível.

Outro dos pontos fortes do jogo é a possibilidade de ser jogado em cooperação local, e aqui a tarefa fica um pouco facilitada, embora por vezes os jogadores possam atrapalhar-se, mas no geral, torna-se mais fácil, até porque sendo o co-op local os jogadores podem falar entre si e resolver os quebra-cabeças. Como diz o ditado: “duas cabeças pensam melhor que uma”. Algo também de extrema importância neste modo é que os jogadores não têm de estar juntos, e caso se afastem o ecrã divide-se ao meio – o que é óptimo! Neste modo os jogadores podem jogar cada um com um joy-con, ou caso tenham mais dois pares de Joy-Con ou um Pro-Controler, também é possível jogar dessa maneira.

Os quebra-cabeças vão desde portas que estão fechadas e temos de encontrar maneira de as abrir, a quadros que impedem a passagem, e até a filas para ir à casa de banho impedindo a nossa passagem, ou mesmo a obrigação de colocar corrente eléctrica em certos locais para termos acesso a determinados locais e com isso perdermos acesso a outros. Tudo o que existe no cenário pode ser agarrado de maneira a tirar da frente do nosso caminho para não destruir o cenário, mas muitas vezes o que acontece é que ao agarrarmos também podemos deixar cair, sendo pior a emenda do que o soneto.

Graficamente o jogo é simples, mas cheio de pormenores deliciosos, com cores vivas, e cenários muito bem montados. Cadeiras, escadas, portas, secretárias, máquinas, entre muitas outras coisas, tudo com um aspecto um muito cartoonesco, e sempre bastante divertido. As músicas do jogo são divertidas e bastante descontraídas, chegando ao ponto de nem se dar por elas, já que estamos tão concentrados na maneira de resolver os problemas.

Good Job! foi uma agradável surpresa, chegou de surpresa e tornou-se rapidamente num daqueles jogos que facilmente aconselhamos aos nossos amigos. Fica mais uma vez bem claro que não é preciso jogos Triple A para trazer experiências incríveis e divertidas, que é o verdadeiro objectivo dos videojogos.