Developer: Navegante Entertainment
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 17 de agosto de 2021

Existem jogos que nos prendem facilmente pela sua envolvência, seja na parte da história, pela sua jogabilidade, e claro, porque graficamente muitas vezes são extremamente apelativos. Um desses casos é Greak: Memories of Azur, um jogo desenvolvido pela Navegante Entertainment e que me prendeu ao ecrã nos últimos dias. A última vez que tinha ficado apaixonado desta forma por um jogo de acção e plataformas foi com a franquia Ori, principalmente com Ori and the Blind Forest.

Em muitas coisas Greak: Memories of Azur segue as mesmas premissas, mas aqui com uma história bem diferente, e onde vamos ter a possibilidade de jogar com três personagens, cada um com os seus prós e contras, e que fará com que o jogo nos ofereça diversos quebra-cabeças ao mesmo tempo que temos de lidar com diversos inimigos ao longo dos locais que vamos explorar.

A história começa com Greak, o mais pequeno de 3 irmãos que anda à procura da sua irmã, Adara, depois da sua terra natal, Azur, ter sido invadida pelos temíveis Urlags. Isto passa-se logo no início do jogo, e nós iremos começar por comandar o pequeno jovem apenas equipado com uma pequena espada e toda a sua coragem. Coragem essa que o irá fazer passar uma ponte que se irá desmoronar e nós cairemos de uma grande altura ficando inconscientes.

Quando voltamos a acordar, estamos numa pequena aldeia que está a preparar-se para sair de Azur com a sua população. A falta de segurança e o medo da invasão dos Urlags fazem com que todos os segundos contem, e para eles conseguirem partir, precisam de preparar um meio de transporte, porém, a falta de materiais está a ser um problema. Como podem imaginar, já que temos de procurar a nossa irmã, Adara, e explorar aqueles territórios, vamos também dar uma mãozinha a esta população, ajudando-os a apanhar alguns dos materiais que eles necessitam.

O jogo passa-se muito nestes termos, já que obtemos missões da população para os ajudar, procurar primeiramente a nossa irmã, e posteriormente o nosso irmão mais velho, Azur, que é um defensor ou guarda de uma espécie de templo. Para terem uma ideia, e se gostarem de explorar tudo até ao mínimo pormenor, provavelmente vão demorar entre 8 a 10 horas de jogo até juntar os 3 irmãos. É a partir daí que o jogo começa a ser bastante desafiante.

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Greak: Memories of Azur apresenta diversas áreas, todas elas vastas e com bastante quebra-cabeças, e se no início até são fáceis, porque só temos uma personagem para usar, quando temos igualmente a nossa irmã, começam a ser quebra-cabeças em que precisamos dos dois personagens para solucionar os problemas; e mais para a frente precisaremos dos 3 para conseguir progredir no jogo. Isso acontece muito devido às diferentes habilidades de cada um.

Greak, o irmão mais novo, consegue saltar, dar saltos duplos, nadar, andar debaixo de água por pouco tempo, e depois até irá aprender mais 3 golpes com a sua espada, ensinados pelos guardas da aldeia. Por ser pequeno, é também aquele que consegue entrar dentro de pequenos buracos que por vezes encontramos em diversos locais, de maneira a depois conseguir puxar e rodar alavancas para abrir portas para os outros irmãos poderem passar.

Já Adara é uma mágica arcana. Manda feitiços, consegue saltar e flutuar/voar durante alguns segundos, tem a possibilidade de nadar debaixo de água durante uns bons segundos. É óptima para chegar a locais que por vezes o duplo salto não chega, e para nadar até locais onde os dois irmãos não tem capacidade.

Já Azur é um guerreiro, e é o melhor com a espada, além de rápido a manejá-la é de todos o que dá mais dano nos inimigos. Além disso, tem um escudo para se proteger, e que ao mesmo tempo serve para bloquear raios, flechas entre outras coisas que vamos encontrando no jogo. Ele irá bloquear todos esses perigos, dando assim auxílios aos seus irmãos. Tem também uma espécie de cabo de aço para se agarrar a certos locais do cenário, fazendo com que consiga alcançar locais que sem esse equipamento seriam impossíveis de alcançar. O seu problema é que não sabe nadar, logo não poderá cair na água.

É importante saberem que podem trocar de personagem a qualquer altura, ou até andar com os 3 ao mesmo tempo, e estes irão imitar o personagem que vocês estão a comandar, seja a saltar, atacar, etc. Obviamente que, por todos terem tamanhos diferentes, ataques diferentes, a maneiras de saltar diferentes, é bastante difícil (senão impossível), andarem com os três ao mesmo tempo a derrotar inimigos. É bastante mais fácil, usarem um de cada vez, para fazer a sua tarefa.

Como é fácil de perceber, com estas variáveis dos 3 personagens, são inúmeros os tipos de quebra-cabeças que podem surgir, e acreditem que a equipa da Navegante Entertainment puxou mesmo da imaginação, já que existem alguns bastante interessantes, mas que, felizmente, com mais ou menos dificuldade conseguimos perceber o que temos de fazer.

Já os inimigos são também eles interessantes. Devo confessar que a maioria deles até são fáceis de matar, principalmente depois de percebermos a sequência que eles fazem e o seu tipo de ataque, contudo, aqueles que dão mais trabalho são mesmo os bosses. Muitos deles até são fáceis de matar, mas tudo se complica quando os três personagens estão no mesmo cenário, e estamos a comandar um deles, sendo que existem inimigos que podem atacar os outros, e tudo se torna por vezes um caos imenso.

Felizmente, quando não estão a ser comandados por nós, os personagens atacam os inimigos quando estes se aproximam. O problema é que a inteligência artificial dos mesmos não é muito boa, e não são raras as vezes que sofrem mais dano do que aquele que dão aos inimigos. É este um dos pontos que devo confessar que me irritou inúmeras vezes, dado que estar a lutar contra um boss, ao mesmo tempo que tenho de estar de olhos nos outros personagens, é algo muitas vezes frustrante e que levou-me algumas vezes ao desespero. Era preferível podermos escolher os personagens que queríamos levar até àquela zona; agora, eles serem obrigados a lá estar, serve apenas para nos irritar e na verdade o jogo não ganha nada com isso.

Os locais, e o mapa de Greak: Memories of Azur são um dos seus pontos fortes. Devo confessar que fiquei rendido à sua beleza. O jogo foi desenhado à mão, e na verdade valeu bem a pena, porque os cenários dos diversos locais do jogo são todos bastante diferentes e cada um com o seu tipo de beleza. Obviamente que muitos deles, com aquele toque de destruição, já que Azur está a ser invadida, mas ainda assim, é um tipo de cenário que nos toca, e que percebemos que tem uma beleza que poucos jogos conseguem ter. E depois ver que existiu o cuidado dos locais serem bastante diferentes também ajuda bastante na hora de nos lembrarmos dos caminhos por onde já passámos.

Embora o jogo não seja muito difícil, exceptuando os bosses, apresenta diversos locais para salvar o progresso ao longo do caminho. Existem igualmente locais de viagem rápida (não muitos), e um conselho que vos dou é que salvem sempre que puderem, porque com o avançar por vezes se algo corre mal, e terem de voltar a percorrer certos locais é um pouco chato, logo, o melhor que têm a fazer é salvar sempre que possível.

Quanto à jogabilidade, é muito boa, seja a dar os saltos, a atacar, correr, nadar, tudo isso está impecável. Exceptuando algo que certamente levará com uma actualização mais tarde, uma vez que acontece diversas vezes estarmos a andar com um personagem numa direcção, e quando paramos, ele vira-se para o lado contrário, mesmo que não tivéssemos dado a ordem para fazer isso. Isto pode não parecer um problema, mas quando temos inimigos à vossa frente, param o personagem, mandam-no atacar, e este vira-se para o lado contrário e vocês levam dano por esse motivo. Acreditem que vai tirar-vos do sério.

Olhando para a parte gráfica, está impecável no aspecto dos cenários (como referi anteriormente). Já os personagens também estão bastante bonitos, com boas animações, seja a correr, atacar, saltar e nadar. Além disso, não podemos deixar de referir como as cutscenes estão incríveis, parecendo um autêntico desenho animado, todo ele feito à mão. Graficamente o jogo é excelente, e é um dos seus pontos mais fortes. Quanto à parte sonora, esta é competente, com músicas de fundo que funcionam muito bem, e bons efeitos sonoros, quer quando atacamos, quando andamos dentro de água, ou noutros locais.

Greak: Memories of Azur é sem dúvida um jogo que me impressionou. Como já disse, tem um ou outro ponto que pode ser melhorado, mas todo ele é uma obra de arte que irá agradar à maioria dos jogadores. A mim convenceu-me e fez-me passar um bom par de horas a jogá-lo, como não acontecia há muito tempo com este tipo de jogos.