Developer: Spiders
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 9 de Setembro de 2019

O estúdio independente Spiders, na sua longa relação com a Focus Home Interactive, foi responsável por desenvolver jogos como Bound by Flame e The Technomancer, que apesar de não serem nomes marcantes nos videojogos, trouxeram ainda assim algumas ideias ousadas e interessantes.

 A última criação chama-se GreedFall e é também o projecto mais ambicioso da empresa francesa até à data, sendo mesmo visto como o título que poderá finalmente projectá-los para outro plano.

 

Onde outros jogos da Spiders falharam, GreedFall é certeiro, numa jogabilidade consistente e fundida numa história rica e com os mais variados destinos.

É um RPG à imagem dos clássicos Dragon Age e Mass Effect da Bioware, onde cada decisão poderá ter consequências no futuro. No entanto, há uma grande diferença, porque em GreedFall não existe um único caminho para resolver um conflito e as ramificações que se geram são encantadoramente imprevisíveis.

Num século XVII dominado pelo colonialismo, De Sardet, o protagonista da história, tem a tarefa de acompanhar o seu primo Constantin, ao qual foi atribuída a posição de governador da Congregação de Mercadores na recém-descoberta ilha de Teer Fradee. Contudo, o grande propósito de De Sardet é encontrar a cura para uma terrível doença que assola a sua cidade natal, já que o misticismo da enigmática ilha traz uma nova onda de esperança.

Embora os locais sejam fictícios, tenta ainda assim captar a atmosfera da época, cujo contexto histórico é marcado por uma enorme desigualdade social e pobreza.

 

Num território dividido por facções, o recurso da palavra é mesmo o mais valioso. Felizmente, De Sardet é diplomata e faz da persuasão a sua principal valia. GreedFall é primordialmente político e é esse aspecto que o torna tão especial. A maneira como lidamos com uma disputa terá implicações não só nos assuntos mais imediatos, mas também influenciará a verdadeira razão que nos levou a viajar até Teer Fradee. A quantidade de escolhas possíveis apenas tem par nos dilemas aos quais estaremos sujeitos. Como uma provocação à nossa bussola moral.

Naturalmente, ao mesmo tempo que fazemos amigos, estaremos igualmente a criar inimigos. Nessa lógica, teremos de ser bastante ponderados sobre o que é mais conveniente a longo prazo. Estaremos preparados para fazer o que é preciso pelo bem maior?

Essa é a questão que se coloca.

A história é realmente interessante e facilmente nos perdemos na dimensão do seu enredo. A propriedade dos diálogos só é comparável a um sistema de quests que tanto tem de complexo, como de abrangente. Este é o aspecto onde GreedFall é absolutamente vencedor. Poucos são os jogos que conseguem oferecer este grau de envolvimento com a história, porque quando se abre uma porta, várias se abrem de seguida, sendo impossível prever o que nos espera.

 

Se a diplomacia não resultar, teremos de nos desenvencilhar por outros meios. E aqui entra o combate, outra vertente importante e muito bem estruturada no seu todo. É fluído, versátil e desafiante. Suportado por uma skill tree que não só contempla a nossa competência para manejar armas, como também os traços da nossa personalidade que irão influenciar a nossa capacidade solucionar para problemas não necessariamente relacionados com o combate.

A oferta é bastante razoável em termos de armas, seja em espadas, machados, ou armas de fogo. Contudo, requerem uma especialização, o que nos obriga a escolher com prudência onde gastaremos os pontos que vamos ganhando. O mesmo acontece com as habilidades, sendo possível escolher qualquer uma delas desde que estejamos dispostos a despender dos pontos obrigatórios na respectiva linha da skill tree.

A ilha de Teer Fradee também é um mundo repleto de fantasia, com incríveis criaturas praticamente desconhecidas da civilização. Como é quase mandatório em qualquer RPG, a magia tem um papel fundamental, todavia, mais do ponto de vista estratégico. Deverá ser visto mais como algo utilitário e não como central na nossa build, já que o custo de mana não dá espaço para abusos.

À semelhança de Dragon Age, estaremos sempre numa party de três. À medida que progredimos no jogo, mais membros vão estando disponíveis para que possamos escolher aquele que melhor se adequa a determinada missão. Nesse sentido, gerir o equipamento dos nossos acompanhantes é tão importante como decidirmos o nosso, até na perspectiva de atribuirmos uma função mais específica a cada um deles.

 

Se a banda sonora, num estilo mais clássico e dotada de uma excelente qualidade encaixa de forma quase perfeita, já a parte gráfica é um misto de sensações. Os reflexos no solo estão esplêndidos; os efeitos visuais durante os combates são espetaculares; e a arquitectura da época está muitíssimo bem recriada; todavia, os modelos dos rostos deixam um pouco a desejar e estão algo datados para os dias de hoje.

Não será isso, porém, que nos afastará de um título que tem imenso potencial para iniciar aqui uma saga. GreedFall, pela sua especificidade, é um RPG que os fãs de Dragon Age vão adorar visitar; e é do mesmo modo indicado para quem procura por uma óptima história, sustentada num jogo verdadeiramente único.

Uma grande conquista de um pequeno estúdio.

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