Developer: Creepy Jar
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 9 de Junho de 2021

Creepy Jar é mais um de vários estúdios polacos que mostram enorme promessa. Vários elementos da equipa já trabalharam como co-criadores em jogos como Dying Light, Dead Island e Call of Juarez: The Cartel, no entanto, não satisfeitos, decidiram criar o seu próprio projecto.

O estúdio apresenta-se como especialista em jogos de sobrevivência, e nada melhor do que Green Hell como cartão de visita, um jogo que leva o género dos survivals ao extremo. Foi lançado inicialmente no Steam com críticas bastante positivas, o que motivou depois uma versão também para Switch. Chega agora à Xbox One e PlayStation 4, completando assim a extensão a todas as plataformas.

Como qualquer bom survival, Green Hell é implacável, porém, tenta ser suficientemente abrangente para não deixar ninguém de fora. É meticuloso nos aspectos de sobrevivência – tal como é obrigatório para quem gosta do género –, mas é igualmente capaz de suavizar a aventura a quem se sente facilmente frustrado com a dificuldade que está associada.

Há um ponto em que se destaca de vários outros survivals, que foi a adição de um modo história muito bem estruturado. Tem os modos de sobrevivência mais livres e convencionais (singleplayer e multiplayer com co-op até 4 jogadores) onde simplesmente somos largados à nossa sorte, mas é no modo história que realmente brilha e marca a diferença.

Green Hell tem um flow com um ritmo que nos introduz à história ao mesmo tempo que vamos aprendendo o básico do tutorial. Jake Higgins é um antropólogo que está a estudar uma tribo na floresta da Amazónia. Acompanhado da sua esposa, Mia, têm tentado estabelecer uma relação com os Ayahuasca com todas as cautelas.

É uma tribo aparentemente pacífica, tanto que Mia não vê grandes problemas em passar uns dias na sua vila de maneira a poder observá-los mais de perto. Enquanto isso, no acampamento, Jake aprende o fundamental para poder sobreviver, como reunir o material necessário para uma fogueira e ateá-la manualmente, ou como criar e aplicar ligaduras em caso de lesões.

Através do walkie-talkie, Jake está em constante contacto com Mia, de forma a saber do seu progresso e se tem encontrado problemas. Tudo parece normal, apesar de evoluir lentamente. Certa noite, Jake acorda em sobressalto com uma chamada de Mia que, apavorada, pede por ajuda. Não é claro o que acontece a seguir, apenas breves flashs de memória indicam um Jake desesperado em fuga, até perder os sentidos, e acordar, depois, sem se lembrar do que realmente aconteceu nas últimas horas.

Não entrarei em mais detalhes, mas a sua principal preocupação, agora, é saber do paradeiro de Mia. E para se orientar tem um smartwatch com uma bussola, assim como um manual de sobrevivência que consultaremos para aprender algumas das mecânicas do jogo. Estamos entregues a nós próprios, e os perigos serão vários, até porque rapidamente perceberemos que não estamos sozinhos e a nossa própria sanidade mental tem um efeito no jogo.

Green Hell tenta ser o mais realista possível, e consegue ser mesmo imperdoável. Aliás, acho verdadeiramente incrível quem tem a coragem de jogar com a opção de morte permanente; eu, certamente, não me atreveria. É um jogo capaz de provocar uma frequente sensação de paranoia, já que na selva, nunca sabemos o que está à espreita.

Paga-nos o café hoje!

Além de inúmeros predadores como cobras, crocodilos, piranhas e jaguares, temos ainda tribos hostis que não estão interessadas em socializar com intrusos. A juntar a isso, e como é comum em jogos de sobrevivência – a fome e a sede – que, por vezes, tornam-se mesmo na maior ameaça.

Mas também não nos podemos esquecer das infecções, parasitas, ou mesmo alergias, que devem ser tratadas o mais rapidamente possível, ou corremos o risco de se agravarem até ser tarde demais.

Uma das óptimas ideias de Geen Hell é a maneira como é gerida a saúde do protagonista. Temos um sistema onde podemos examinar as diferentes partes do nosso corpo e verificar que tipo de ferimento nos apoquenta, assim como saber os nutrientes que necessitamos mais urgentemente.

Cada problema de saúde requer uma abordagem particular. Para tratar um ferimento teremos de encontrar e fazer o preparo de uma determinada planta; mas no caso de uma infecção, por exemplo, podemos usar larvas no local da ferida para baixar a febre.  É complexo, mas está muitíssimo bem pensado, e traz uma dose de realismo extra.

O mesmo acontece com o crafting, que é levado ao pormenor. Criações que usem madeira, exigem que cortemos os pedaços em tamanhos específicos conforme o objecto que estamos a tentar construir. É um pouco confuso no início, e teremos de ser algo pacientes com a curva de aprendizagem, mas encontramos todas as descrições necessárias no manual de sobrevivência.

Podemos criar diversas ferramentas e de várias qualidades, tochas, lanças, machados, canas de pesca, tigelas, colheres, enfim, não faltarão opções, bastando ter os materiais essenciais. Guardamos tudo na mochila que tem uma arrumação bastante interessante, separada por secções facilmente identificáveis e práticas de interagir.

À semelhança de tudo o resto, o combate existente em Green Hell tenta ser o mais real possível. Consegue ser bastante difícil quando enfrentamos certos predadores, ou mesmo nativos, e normalmente, a melhor solução é mesmo fugir. Contudo, estranho seria se fosse de outra forma, já que estamos a falar de um antropólogo sem qualquer experiência de combate.

A selva está muito bem reproduzida e é fantástica de explorar. E embora as texturas não sejam de topo, entrega, ainda assim, um ambiente gráfico de qualidade. As sombras e os efeitos de luz por entre as folhas tornam todo o cenário admirável e misterioso simultaneamente, cuja banda sonora e, mais particularmente, os sons dos animais ao nosso redor ajudam a envolver-nos nesta extraordinária viagem.

Tem alguns problemas, nomeadamente como alguns processos relativamente ao sistema de craft poderem ser simplificados. Não obstante, é na perspectiva que nos deparamos com o maior obstáculo, já que além das frequentes quebras de frame, há um certo afunilamento cada vez que nos viramos rapidamente, causando um certo desgaste após algum tempo a jogar.

Apesar de tudo, Green Hell é um óptimo título de sobrevivência. Um jogo que recria de modo bastante fiel a experiência de nos encontrarmos na selva, isolados, e de só podermos contar connosco. Quem é fã do género certamente não vai querer perder a oportunidade de meter as mãos num dos melhores survivals recentemente lançados – especialmente agora que está presente em todas as plataformas.

REVIEW GERAL
geral
Artigo anteriorBattlefield 2042 revelado
Próximo artigoDescontos Duplos do PlayStation Plus na PS Store
Completamente obcecado por tudo o que tenha a ver com futebol, é daqueles indesejados que passa mais tempo a editar as tácticas do PES do que a jogar propriamente. Pensa que é artista, mas não conhece as cores primárias, e para piorar, é ligeiramente daltónico. Recusa-se a acreditar que o homem foi à Lua.

Deixa um comentário