Developer: Arc System Works
Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, PC
Data de Lançamento: 11 de junho de 2021

Ao longo de 2020 e 2021 são muitos os trailers e novas informações que nos foram chegando sobre Guilty Gear -Strive-, causando quase sempre uma excelente impressão de tudo o que fomos vendo. Ainda para mais, sendo um jogo desenvolvido pela Arc System Works, que ao longo dos anos sempre mostrou a sua aptidão para trabalhar os fighters como poucos sabem. Prova disso é a popularidade que Dragon Ball FighterZ ainda hoje tem; o jogo foi lançado em 2018 e ainda hoje é jogado por milhares de jogadores, sendo até um jogo que já entrou no circuito dos eSports, e com enorme sucesso.

Guilty Gear -Strive- chegou finalmente, e o entusiasmo por parte dos fãs da franquia é enorme, principalmente depois do jogo ter sido adiado. Devo desde já dizer que, sejam ou não fãs da franquia, este é um jogo que irá agradar aos apaixonados dos jogos de luta. É um fighter extremamente competente, com um grafismo que deixa qualquer um entusiasmado, e uma banda sonora simplesmente incrível.

Desde sempre, a franquia Guilty Gear ofereceu aos jogadores uma história bastante competente e com fundamentos, e ao contrário de jogos deste tipo, como Street Fighter ou Mortal Kombat onde a história muitas vezes é pouco relevante, em Guilty Gear sempre existiu a tentativa de oferecer uma história sólida aos jogadores, embora por vezes bastante confusa. Aqui não é diferente, e o modo história nem é jogado, é simplesmente um filme animado, ao bom estilo anime, com 8 capítulos, e que podemos assistir confortavelmente no nosso sofá sem precisarmos de ter o comando na mão.

Além disso, ainda vão ter a possibilidade de ter acesso ao GG World. Neste local temos o Glossary (Glossário), Correlation (Correlação) e o Chronology (Cronologia). No Glossário terão as diversas explicações sobre tudo do jogo, como personagens, organizações, localizações, armas, habilidades, eventos – basicamente podem encontrar todo o que está relacionado com o universo Guilty Gear. Já a Correlação oferece ao jogador a ligação entre os vários personagens, países e eventos e até organizações, sendo uma maneira de se conhecer de uma forma mais simples como tudo está interligado neste universo. Por fim, a Cronologia mostra-nos por datas os diversos acontecimentos que foram ocorrendo ao longo dos anos na história do universo Guilty Gear. Para os mais fanáticos por este tipo de explicações, vão poder perder aqui horas a perceber este universo incrível e extremamente grande.

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Embora o modo história não seja jogável como já referi, existem diversos modos jogáveis, começando pelos modos offline, e que se encontram divididos por as opções de 1 jogador, onde teremos o modo Arcade, Vs CPU e o Survival. Depois temos a opção de 2 jogadores onde como devem imaginar, é o local onde lutamos localmente contra outro jogador. Por fim, temos o modo Dojo, onde temos o Tutorial, o Mission e o Training.

Embora na maioria dos modos o nome defina logo o que vamos encontrar, é importante ressalvar dois modos, sendo que o primeiro é o modo Mission que encontramos no Dojo, e aqui temos uma infinidade de missões onde o objecto é conseguirmos fazer determinados golpes, sejam eles atacantes ou defensivos, vão ter 5 tentativas e têm de acertar 3 para completarem cada missão. Pode parecer um modo estranho, mas é uma excelente maneira de dominarem os diversos movimentos técnicos. O outro trata-se do modo arcade, onde teremos de lutar contra 8 lutadores para chegar ao boss final. O interessante é que o jogo vai ajustando a sua dificuldade, conforme nos vamos safando nos combates, e se tivermos muita dificuldade a ultrapassar um adversário, então a dificuldade irá baixar, porém, se por outro lado o adversário quase não nos tira HP, preparem-se para verem a dificuldade aumentada.

Já o modo Network apresenta-nos 4 modos, o Online Match, o Player Match, o Ranking e o Quick Start. O Online Match está bastante interessante, e começa logo por nos obrigar a criar um avatar com um visual retro, tudo em pixel-art. Depois de criado o avatar vão então fazer uma luta contra o CPU para determinar as vossas competências e habilidades no jogo, uma maneira de filtrar os jogadores consoante as suas competências para as lutas online estarem bem niveladas. Já o Player Match é o local onde podem fazer as vossas salas com as vossas regras de jogo, e será o local ideal para jogarem contra os vossos amigos. O Ranking é onde vão ter acesso às várias tabelas de rankings e por fim o Quick Start, onde podem fazer uma luta rapidamente online.

Se falamos de jogos de luta, algo que não podemos fugir é à sua jogabilidade. Ao contrário de outros jogos da franquia que são bastante frenéticos e que nos obrigam a ter reflexos bastante rápidos, Guilty Gear -Strive- foge um pouco dessa premissa, e é um jogo um pouco mais suave. Acredito que isto seja uma maneira para agradar a um maior número de jogadores, já que muitas vezes as queixas neste tipo de jogos prendem-se exactamente com a rapidez que dificulta a entrada de novos jogadores.

Assim, temos então um jogo mais lento, com golpes que continuam incríveis, mas que permite ao jogador pensar mais calmamente, o que lhe permite ser um pouco mais estratega e jogar muitas vezes com o tempo e a nossa barra de HP. O sistema de combate é simples, e estando nós a falar de um jogo que apresenta um visual em 2.5D, a jogabilidade é o habitual 2D, logo, temos então os direccionais para nos movimentarmos (esquerda, direita, baixar e saltar), 4 botões de ataque, carregar para trás para defender, e ainda um sistema de contra-ataque.

Quanto aos lutadores, são 15 – por agora – mas chegarão mais 5 via Season Pass, ou caso os queiram comprar em separado, via DLC. Algo que gosto bastante de ver nos jogos de luta é a variedade de estilos de cada lutador, e isso foi algo que encontrei neste Guilty Gear -Strive-. Teremos então para escolher: Sol Badguy, Ramlethal Valentine, Nagoriyuki, Ky Kiske, Anji Mito, Leo Whitefang, Potemkin, Axl Low, Faust, Zato=1, May, I-No, Millia Rage, Giovanna e Chipp Zanuff.

Graficamente, como já referi acima, o jogo está soberbo – nada a que não estivéssemos habituados a ver nos jogos da Arc System Works. Embora a jogabilidade seja 2D, a verdade é que o cenário e a profundidade é significativa, com efeitos incríveis, e muito movimento. Apesar de isto não ser o mais importante num fighter, a verdade é que se percebe como tudo ganha outra vida quando o cenário tem movimento enquanto nós lutamos. As habilidades dos lutadores estão simplesmente fenomenais, muitas delas com animações incríveis, que nos deixam completamente pasmados. Os personagens estão também todos eles cheios de destaques e pormenores deliciosos.

Obviamente que não posso deixar de referir aqui o modo história, visto que todo ele é em modo filme, quase merecia uma longa metragem no cinema com a sua qualidade. É caso para dizer que além de um jogo, ainda levamos um filme de enorme qualidade ao adquirir este Guilty Gear -Strive-.

Quanto à banda sonora, é simplesmente incrível. Com musicas focadas num rock mais pesado, a roçar o metal, o que nos faz agarrar às lutas de uma maneira incrível. Os sons dos ataques e dos combates também estão muito bons, assim como as vozes de todas as personagens.

Como ponto negativo coloco a falta de língua portuguesa, principalmente por não existirem legendas no modo história, já que dificultará imenso a compreensão daqueles que tem dificuldade no inglês.

Guilty Gear -Strive- será provavelmente um dos melhores fighters do ano de 2021; muito bem produzindo, e com uma qualidade acima da média. Os fãs de jogos de luta em 2D certamente ficarão deliciados com esta obra que não desiludirá ninguém, mesmo àqueles que tinham o hype bastante alto.