Developer: Cradle Games
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 25 de Fevereiro de 2021

Os Soulslike estão cada vez mais na moda, basta ver a quantidade de jogos deste género que têm sido lançados nos últimos anos. Prova disso é, por exemplo, a PlayStation ter apostado em Demon Souls, como um dos exclusivos de renome que saíram para o lançamento da PlayStation 5. Obviamente que Hellpoint não teve o orçamento de qualquer um dos títulos da Fromsoftware, e até foi o primeiro jogo lançado pelo estúdio canadiense Cradle Games, e que apostou claramente numa enorme inspiração dos jogos da companhia nipónica.

Hellpoint foi lançado a 30 de julho de 2020 para PC, PlayStation 4 e Xbox One, sendo agora lançado para a Nintendo Switch. Ao contrário dos Soulslikes mais conhecidos no mercado, todos eles com histórias que decorrem em épocas passadas, este situa-se futuro, o que oferece outro tipo de cenários aos jogadores, o que poderia ser óptimo não fosse a sensação de deja vu que vamos tendo. Mas já lá vamos.

Eu até gostava de começar pela história do jogo, porém, a verdade é que ela “não existe”, ou melhor, até existe, o grande problema é que, tal como em Dark Souls ou Demons Souls, é a avançar no jogo que vamos percebendo o que estamos ali a fazer e a perceber o que se passou; significa por isso que se contar demasiado irei estragar a vossa experiência, mesmo assim, dando apenas um “cheirinho”, posso dizer que somos “a criação”, isto é, um ser biónico que foi criado por algo a quem dão o nome de Autor, de maneira a conseguir obter respostas sobre o que se passou em Irid Novo, uma estação espacial que orbita perto de um buraco negro e que foi construída por humanos e uma raça alienígena.

O objectivo de ambos era conseguirem obter energia do buraco negro, no entanto, é óbvio que o plano não funcionou tal como ambas as raças tinham previsto, tendo esta experiência trazido diversas criaturas de outras dimensões para a estação espacial. Para piorar a situação, todos os humanos que nela habitam encontram-se mortos, e teremos de ser nós a desvendar todo este enredo de ficção científica, ocultismo, e sei lá mais o que chamar…

Tudo isto que vos contei e muito mais, vão percebendo a falar com os poucos NPC que vão encontrando no jogo. Ainda assim, seja por anotações, ou mesmo outras informações que vão encontrando enquanto vão explorando a estação espacial, provavelmente muitos jogadores nem vão perceber o objectivo, nem a história do jogo, já que da maneira que esta é contada nem parece que é importante. Isso mesmo acontece com Dark Souls, provavelmente a maioria dos jogadores que o jogou nem sabe muito bem a história do jogo, algo normal da maneira que esta é horrivelmente contada (na minha opinião).

Tal como os vários Soulslike, aqui vamos ter a possibilidade de andar, atacar (com um ataque forte e outro fraco mas rápido), assim como defender, correr, desviar e rolar. Além disso, traz também a opção de saltar, que é muito bem vinda, e cuja ausência é um grande erro nos Soulslikes mais conhecidos.

Paga-nos o café hoje!

Antes de saltarmos para o combate e como este funciona, vamos falar da componente mais RPG do jogo, já que é permitido melhorar os atributos da nossa personagem através de axions que apanhamos (o equivalente às almas de Dark Souls). E, além disso, também podemos melhorar as nossas armas, isso acontece através de chips que podemos incorporar na nossa arma. A melhor parte disso é que é também possível remover esses chips das armas, oferecendo aos jogadores a possibilidade de usar diversas armas diferentes.

Existem diversas armas, como espadas, adagas, lanças, armas de fogo, entre muitas outras, oferecendo aos jogadores uma forte possibilidade de escolha. As armas também apresentam um sistema de evolução, o que acontece com o seu uso, e permite desbloquear atributos dessa mesma arma, que também influenciará o nosso personagem. Outra das componentes que também influencia a jogabilidade prende-se com as armaduras que podemos usar, desde peitorais, luvas, capacetes entre outras.

O combate também está bem criado, oferecendo ao jogador uma sensação de evolução conforme vai avançando e derrotando os vários Bosses do jogo. Infelizmente, existem alguns problemas relativamente à inteligência artificial, e aconteceu-me diversas vezes passar por alguns inimigos que simplesmente nem pestanejavam, ou, no sentido inverso, inimigos a avançarem para mim, mesmo quando me encontrava a alguma distância.

Algo que é bastante interessante em Hellpoint é a influência do buraco negro na estação espacial, isto porque a rotação da Ired Novo à volta do buraco negro irá causar diversas interferências na nossa exploração, desde portas que estavam fechadas e ficam abertas a determinadas alturas, como novos inimigos que aparecem, entre outras coisas. A verdade é que isto oferece ao jogador uma sensação de renovação do jogo, além de causar uma sensação de perigo iminente. Essa influência consegue ser vista devido a um círculo no nosso canto superior esquerdo que aparece no ecrã de jogo.

Um dos pontos que me desagradou bastante no jogo tem a ver com o seu grafismo, que é bastante escuro, e quase sempre igual em diversas zonas, o que dá aquela sensação de deja vu que vos falei no início da análise. Quase todo o jogo oferece tons de cinzento, castanho, preto e vermelho, tudo para dar um toque de tecnologicamente avançado no tempo, mas que na verdade torna-o apenas aborrecido no que se refere ao cenário. Isso vai encaixar talvez no maior problema do jogo, que tem a ver com as quedas, sendo que a maioria das minhas mortes não teve a ver com Bosses e inimigos que vamos encontrando, mas sim com quedas de zonas bastante altas, já que muitas vezes nem nos apercebemos que o chão acaba ali, dado os cenários serem tão escuros.

Na Nintendo Switch o jogo corre sem grandes problemas, quer estejam a jogar em dock ou em modo portátil, podemos dizer que foi um port muito bem conseguido, e que os fãs desses jogos não vão ficar desiludidos com o que vão encontrar na consola da Nintendo. O jogo também apresenta opção de colocar a linguagem em Português, o que é sempre uma mais valia.

Hellpoint é um jogo bastante interessante, que poderia e merecia ter algumas melhorias. Seja como for, oferece algumas novidades em relação a outros soulslike, embora use mais da inspiração dos mesmos. Nesse sentido, se são fãs desses jogos, Hellpoint não vos irá desiludir. Muito pelo contrário!