Developer: IO Interactive e Square Enix
Plataforma: PS5, PS4, PSVR, Xbox One, Xbox Series S|X e PC
Data de Lançamento: 20 de janeiro de 2021

Chegámos ao final da trilogia de Hitman, e por um lado é com profunda tristeza que o fazemos, porque a saga acompanha-nos há mais de duas décadas e com uma enorme qualidade, por outro um êxtase total por chegar ao fim da trama que envolve o nosso Agente 47.

Desde 2000 que o careca de olhos azuis, frio como o gelo, com o seu código de barras estampado na nuca nos fez matar sem piedade inúmero vilões em contratos e pelo mundo fora, numa trama de conhecer o seu verdadeiro passado e compreender o seu propósito no mundo. Agora chegamos ao final da trilogia denominada World of Assassination. Se quiserem ficar a saber toda a trama que nos levou até a este último capítulo, sugiro que passem por aqui, onde relatamos toda a história de todos os jogos da franquia até a este Hitman III.

O jogo acontece logo após da revelação final do episódio anterior que o nosso Agente 47 foi o autor do atentado à vida dos pais de Diana Burnwood, onde ambos morreram à frente dos seus olhos. Esta questão dá o ambiente ao jogo, gerando um clima de desconfiança ao longo de toda a trama, deixando-nos sempre na dúvida se Diana se vai ou não virar contra nós quando souber desta questão e o que isso pode implicar. Para além disso no final do jogo anterior capturámos The Constant, Arthur Edwards, o elemento que faz a ligação com The Providence, a tríade de famílias que ao longo da trilogia sempre procurámos saber quem eram. Com a captura de Edwards, agora sabemos quem são essas três famílias e é altura de as eliminar de uma vez por todas. Este é o plot do jogo, que vai ter muitos “twists and turns”, como já é habitual, mas é o essencial para darem entrada no jogo, sem eu spoilar nada.

A primeira coisa que percebemos, e nomeadamente se jogarem numa consola da nova geração, como nós que jogámos na PS5, é que, graficamente Hitman III está num novo patamar. A qualidade gráfica das texturas, mas sobretudo do mundo em que o Agente 47 se move estão simplesmente lindissímos. Logo no início do jogo, onde a primeira missão é no maior arranha-céus do Dubai, ficámos logo pasmados com a qualidade dos efeitos de iluminação daquele fim de tarde com o sol a reflectir todo o tipo de cores e a dar aquele tom quente às superfícies, já para não falar da qualidade dos reflexos das janelas, por exemplo. E isso é apenas a ponta do icebergue, porque toda a qualidade gráfica é demonstrada em cada cenário em que o Agente 47 percorre.

No Dubai temos esta questão da iluminação que vos falei no exterior, mas no interior o pormenor e a ostentação do poder através de ornamentação dourada por todo o lado faz-nos realmente ficar de queixo caído com a capacidade que este jogo nos é capaz de dar em termos gráficos. E se pensamos que apenas em ambientes maiores é que a qualidade é demonstrada, desenganem-se, pois quando visitarem uma mansão de uma das famílias dessa tríade da Providence, vão reparar que a atenção ao detalhe é elevada a 100. Vão ver retratos pintados das famílias, colecções de arte, móveis, tapetes, tudo. É tão real, tão credível, que diria que é o ponto alto de toda a franquia, na minha modesta opinião. Se Hitman II veio provar que era possível chegar a uma nova dimensão do número de NPC’s que o jogo era capaz de aguentar, Hitman III veio dizer que é capaz de reproduzir um mundo tão credível que muitas vezes achamos que efectivamente é real.

Os níveis demonstram as qualidades do trabalho da IO Interactive em vários níveis, se no primeiro cenário, no Dubai, é demonstrada essa capacidade de detalhe em ambientes semi-abertos, com estruturas largas, magnânimes, passando ao detalhe de interiores em Inglaterra, na mansão em Dartmoor, para depois em Berlim, dar-nos conta como consegue meter centenas de NPC’s numa rave em larga escala num complexo de armazéns, passando ainda pelos néons de Chonging, na China, e ainda por uma festa selecta de vinhos, numa herdade luxuosa na Argentina. Em todos os locais, em todos os espaços há histórias para revelarmos e que nunca são conhecidas na sua plenitude à primeira passagem, e essa é outro dos factores de repetição do jogo, não é apenas os novos desafios que vão nos surgindo, mas também o ficar a conhecer todas as hitórias, todos os arcos das personagens e, é claro, mais e novas formas de assassinar os nossos alvos.

O segredo da IO Interactive para a saga Hitman esteve sempre por detrás da concepção dos cenários e das tácticas inerentes ao mesmo, de forma a que o Agente 47 pudesse matar os seus inimigos, sem ser visto, em pequenos ou grande “acidentes”, “causas naturais” ou até culpando outros, escondendo cadáveres ou pessoas inconscientes por tudo o que é lado. Aqui não é diferente, é apenas melhor em todos os sentidos. Nota-se que o número de alternativas ao assassinato de cada um dos alvos é maior, a Inteligência Artificial é mais atenta e menos “rotineira” e que é preciso ouvir todas as pessoas e vaguear por todos os locais para desvendar a melhor forma de assassinarmos os nossos alvos.

Sinto sempre que em cada jogo a IOI consegue me surpreender e acarinhar. Eu explico, por um lado acarinhar, no sentido de me dar a mesma mecânica no controlo do Agente 47, aumentando as possibilidades com novos engenhos e armas, mas sempre com a ideia de que a estratégia está em primeiro lugar. Do outro lado surpreender porque me coloca em situações novas, como o caso da missão em Berlim onde não fazemos a mínima ideia de quem são os nossos alvos, e só observando e ouvindo conversas é que podemos eventualmente saber quem são, mais, acabei por eliminar alvos porque pensei como o nosso Agente 47, nomeadamente um alvo que se posicionava num local ideal para controlar todo o cenário. É isso que Hitman nos traz, entramos efectivamente na mente de um Hitman.

As mecânicas já todos conhecem por esta altura, podemos andar e correr em qualquer direcção, escalar, andar pendurados em beirais, passar por janelas, etc; usando sempre o R1 para usar a atenção plena para nos demonstrar onde está o nosso alvo a vermelho e os inimigos que são capazes de nos detectar apesar do disfarce que estamos a utilizar, com estes a terem um círculo branco em cima das suas cabeças. É também nesse modo que se apresenta a preto e branco, que conseguimos ouvir com mai atenção alguma conversa ou diálogo que possa despoletar uma informação útil para utilizarmos no nosso plano de acção. Fora isso teremos as tradições armas ao dispor, o fio de cobre para fazer o tradicional garrote silencioso, as moedas para distrair, a arma com silenciador, e depois tudo o resto ou vamos desbloqueando ou vamos apanhando pelo caminho, desde tesouras, chaves de fendas, facas, veneno, tudo é passível de ser usado como arma ou para desbloquear algum estratagema para a missão. É preciso estar atento a tudo, até a conversas ao telefone que podem dar códigos de portas, fica a dica.

A história por vezes pode ser algo cliché, mas não deixa de ser complexa o suficiente para querermos desbravar a trama e chegar ao fim daquilo que é e significa The Providence e daquilo que Diana Burnwood fará ao saber que o Agente 47 assassinou os seus pais, e isso acaba por fulgor a todo o jogo até ao seu fim. Curiosamente achei que as Cut Scenes acabavam por ter uma menor qualidade de execução do que o jogo em si, olhando para cena in-game melhor definidas do que as cenas cinematográficas, apesar de não serem assim tantas, com a IOI a apostar numa fluídez de jogo constante.

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O jogo depois de acabado apresenta os tradicionais contratos com diferentes objectivos nas localizações do jogo, mas também novos alvos e novas missões vão surgindo, com a IOI a desenvolver um Road Map interessante que arrancou já no passado mês de fevereiro com novos objectivos e recompensas e adaptações de modos de jogo, como podem ver em baixo ou ler em detalhe aqui.

Hitman III é mais um magnífico jogo da IO Interactive, a companhia soube sempre elevar a fasquia, arriscar e nunca deixar de perder a sua identidade. O resultado acaba por ser o jogo mais elevado a nível gráfico, de detalhe e riqueza dos cenários que dão corpo e vida ao jogo, numa trama que tem agora a sua conclusão, pelo menos desta trilogia, que é agora comprimida neste jogo que nos dá a possibilidade (se já tiverem adquirido os jogos), de jogar toda a trilogia neste título. É um belissímo fim para a carreira de Agente 47, ou então apenas o princípio de uma nova, quem sabe?!