Developer: Guerrilla Games
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 7 de Agosto de 2020

A maioria dos jogadores adoram RPG’s de acção em mundo aberto, e basta olhar para o enorme sucesso de algumas franquias bem conhecidas (como por exemplo Assassin’s Creed). Se a isso aliarmos uma excelente história que prenda os jogadores, então temos um jogo que roça a perfeição. Nesta geração (que está prestes a chegar ao fim), tivemos dois jogos que conseguiram isso na perfeição: The Witcher 3 e Horizon Zero Dawn.

Horizon Zero Dawn foi um dos jogos que mais me agarrou à consola da Sony. Aquela vontade de explorar e os combates intensos contra aquelas máquinas maquiavélicas gigantes eram incríveis. Provavelmente muitos já se esqueceram, mas o jogo foi lançado em Fevereiro de 2017. Três anos de um exclusivo, que agora o deixa de ser, mas que ainda hoje muitos jogadores consideram o melhor jogo desta geração da PlayStation 4. Para mim é um dos melhores, mas são tantos e tão bons que fica difícil escolher apenas um.

A partir de dia 7 de Agosto o jogo deixará de ser exclusivo da PlayStation 4 e passará também a estar disponível para o PC, mas antes de começarmos então a falar desta análise, vou deixar aqui também uma palavra de apreço à PlayStation, já que ultimamente decidiu abrir mão de alguns dos seus exclusivos e lançá-los passado 2 ou 3 anos no PC, uma iniciativa que é de aplaudir.

Horizon Zero Dawn Complete Edition chega então ao PC na sua versão completa. Como o nome indica, os jogadores vão viver a primeira grande aventura de Aloy, e digo primeira porque já foi anunciada a continuação da história da heroína de cabelo ruivo, com Horizon Forbidden West para a PlayStation 5. Aloy é uma daquelas personagens que se torna facilmente um ícone, e assim como aconteceu com Lara Croft em Tomb Raider em 1996, Aloy chegou e tornou-se rapidamente uma personagem querida entre os jogadores.

Este jogo passa-se num futuro bastante longínquo, numa América pós-apocalíptica; um mundo cheio de vegetação, onde os humanos também já não são muitos e os animais são escassos, pelo menos aqueles que ainda são seres vivos. Digo isto porque a grande maioria dos animais que podemos encontrar são máquinas ferozes e implacáveis. Os humanos vivem longe de tudo o que é tecnologia, sendo até em alguns locais proibido de se aproximarem dela, ou mesmo usá-la.

Esse é logo um enorme motivo de interesse para este jogo, e descobrir o que se passou para passarmos de uma humanidade dominante, para uma humanidade que vive em minoria, com medo da tecnologia, e até com leis que proíbem o seu uso. Passando a viver em tribos quase como povos primitivos.

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O outro motivo que nos deixa agarrados ao jogo é a sua protagonista, Aloy, que apresenta uma história super intrigante, e que ao longo do jogo teremos de ir desvendando. Para perceberem o que quero dizer, Aloy é uma menina que foi excluída da sua tribo (os Nora) logo à nascença, por ser órfã e considerada uma maldição. Foi criada por Rost, um caçador também excluído dessa tribo, que ela trata quase como se fosse seu pai.

O jogo começa com Aloy ainda menina, e aventurar-se mesmo quando tem ordens em contrário, e é numa dessas suas explorações pela floresta que cai num buraco, encontrando um aparelho chamado Focus, sendo que esse permite-lhe ter informações de diversos objectos, criaturas entre outras coisas. Esse buraco estava ligado a uma antiga base humana, onde percebemos que ali existia tecnologia de ponta, o que nos deixa ainda mais perplexos sobre a razão de os humanos viverem de forma tão primitiva.

Com esse Focus e a sua vontade de conhecer o seu passado – e mais propriamente tudo o que está relacionado com a sua mãe – Aloy passa a sua juventude a treinar e a ser treinada por Rost para entrar numa competição, The Proving, que lhe permitirá ser reintegrada nos Nora e onde também lhes são concedidos alguns pedidos. Durante esse torneio o inesperado acontece, e uma tribo inimiga ataca os Nora e os seus participantes, e Aloy, além de conseguir sobreviver, ainda mata grande parte dos atacantes, mas nesse ataque, para a salvar, Rost acaba por morrer. Será a partir daqui, e desta explosão de sentimentos que o jogo começa verdadeiramente.

É um jogo que vos trará horas e horas de jogo, e se gostarem de explorar, fazer todas as missões, e extras, podem chegar às 100 horas de jogo (já a contar com o DLC, The Frozen Wilds). Posto isto, é fácil perceberem que vão contar com um mapa extremamente extenso, onde existem sempre cantos para explorar, várias missões secundárias, diversos tipos de inimigos, assim como a possibilidade de desenvolverem e melhorarem as vossas armas.

Antes de passarmos à jogabilidade, é necessário dar um maior ênfase ao Focus, que será um bem precioso que terão à vossa disposição. Este dispositivo de extrema importância irá dar-vos informações que fazem a diferença em combate, primeiro que consegue identificar as máquinas que encontramos e as suas fraquezas, e mais precisamente, os locais onde vocês lhes devem acertar para causar o maior dano possível. Têm a possibilidade de marcar inimigos e até de mostrar os seus caminhos, o que ajuda muito para não sermos surpreendidos, e também nos ajuda a ler informação tecnológica que vamos encontrando, ver hologramas, e até na investigação é importante, como vão perceber quando jogarem o jogo.

Depois temos as armas, como o arco e flechas ou a lança; a minha arma favorita foi mesmo o arco, já permite uma abordagem mais stealth – tal como eu gosto –, e o jogo tem essa componente, visto que Aloy pode esconder-se nas ervas sem ser detectada. Com o avançar do jogo também vamos ter a possibilidade de, com a lança, ir dominando as máquinas, isto é, conseguem alterar o “algoritmo” da máquina de maneira a esta passar a assistir-vos em vez de ser vossa inimiga. Algumas máquinas até passam a servir para montarem e deslocarem-se pelo mapa de maneira mais rápida, mas descansem, também existem viagens rápidas.

Algo que também vão adorar, é a possibilidade de alterar a armadura de Aloy, porque além de existirem várias armaduras, estas podem ser modificadas e melhoradas; algo que também acontece com as nossas armas. Como a boa componente RPG que o jogo apresenta, vamos subindo de nível conforme vamos ganhando experiência, e com isso podemos desbloquear novas habilidades, e isso é quase obrigatório, já que com o avançar do jogo, os inimigos vão ficando cada vez mais complicados, e serão todas essas melhorias que vos colocam em condições de os derrotar.

Se até agora tudo o que disse não é nada de novo para quem conhecia o jogo na PlayStation 4, vamos então falar de novidades, e neste campo vou focar-me essencialmente nos gráficos, visto que se na PlayStation 4 e na PlayStation 4 Pro os gráficos de Horizon Zero Dawn já eram de excelência, a chegada do jogo ao PC, colocou-o mesmo no topo – e não seria descabido o jogo levar uma actualização neste sentido para os jogadores que adquirirem a PlayStation 5, para terem também o prazer de o jogar com esta qualidade. Quando colocamos o jogo com tudo no máximo (isto é, em Ultra) ficamos espantados. Não é em Aloy ou nas maquinas que se nota a diferença face à PS4 Pro, é nos pequenos detalhes, como na vegetação, no qualidade de texturas do chão e claro quando olhamos no horizonte e conseguimos ver com mais detalhe. Tudo isso junto é de nos deixar de queixo caído, já que o jogo apresenta uma qualidade gráfica é incrível. Horizon Zero Dawn no PC passou a ter suporte para monitores Ultra-Wide, e os jogadores têm a possibilidade de ter os frame rates ilimitados (embora possam limitá-los nas opções), e na minha opinião é aqui que está a grande diferença em relação à PS4 Pro. Existem diversas opções, como é costume nos jogos PC, para conseguirem uma melhor performance/qualidade do jogo.

Algo que é preciso ter em mente é que estamos a falar de um jogo enorme em mundo aberto, por isso, é normal acontecer um ou outro bug, não existe nenhum jogo desta magnitude que não tenha. Algo que me aconteceu algumas vezes na minha experiência foi o jogo bloquear sem nenhum motivo, mesmo com todos os todos actualizados, felizmente hoje mesmo foi disponibilizado um patch por parte da Guerrilla, e no pouco tempo de testes que estive a fazer, tudo parecer estar solucionado. Dito isto parece que Aloy está mesmo pronta para entrar em grande em todos os PCs.

Deixar aqui também uma palavra aos jogadores que preferem o teclado e o rato em vez de um comando, agora terão a possibilidade de jogar desta maneira, e em combate devo dizer que o Rato ajuda bastante, além de ser possível ter também diversas teclas de atalho o que também facilita bastante a jogabilidade. Os que preferirem jogar com um comando também podem fazê-lo.

Zero Dawn Complete Edition é uma entrada excepcional nos PC, e não seria de admirar que neste mês de Agosto fosse um dos jogos mais vendidos para a plataforma, pois aqui os jogadores vão encontrar um jogo de excelência que já era brutal na PlayStation 4, e que agora consegue elevar-se um pouco mais no que toca à qualidade gráfica.