Developer: Nerd Monkeys
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 30 de Setembro de 2020

A Nerd Monkeys é um estúdio português que trouxe para o cenário dos vídeojogos um dos Robots mais incríveis que já usei num jogo. Sim, falo obviamente do Robot Palhaço e das suas anedotas e piadas bem… secas… mas nada que aqui no Salão de Jogos não estejamos acostumados, até porque facilmente podíamos criar uma competição entre o nosso Nuno Mendes e o Robot Palhaço. Dando este desabafo, a Nerd Monkeys é sem dúvida um dos bons estúdios portugueses que podemos encontrar pelas nossas bandas, e que tiveram a “ousadia” de neste mês lançar o seu primeiro jogo para a Nintendo Switch, o Inspector Zé e Robot Palhaço em: Crime no Hotel Lisboa.

Caso sejam bastante distraídos, o jogo passa-se no belo cenário da cidade de Lisboa, e situa-se no espaço temporal dos anos 80, bem antes do Corona vírus, logo, é um jogo sem máscaras; sendo estas substituídas por personagens bem particulares, e que podemos adjectivar como morcões, azeiteiros e até palhaços. Como podem ver, temos tudo para uma boa pitada de divertimento, de drama, de horror e de uma bela salganhada (ou macacada, se preferirem)!

Este é um jogo de aventura, ou, como se dizia à uns anos atrás, um point-and-click, um género bem conhecido dos jogadores mais velhos (antigos ou nostálgicos para ficar melhor). E que será hilariante para os jogadores portugueses, já que grande parte das piadas conseguem ridicularizar (sem nunca ferir) alguns dos costumes portugueses daquele tempo. E para terem noção de como a cultura portuguesa está enraizada neste jogo, até o fado não faltou, sendo que vão encontrar uma bela versão da “Caldeirada”. Os jogadores estrangeiros também não ficaram nada mal servidos, já que a tradução para inglês altera muitas dessas piadas, tornando o jogo também interessante para o resto dos jogadores.

Inspector Zé e Robot Palhaço em: Crime no Hotel Lisboa levará o jogador à investigação de um caso de polícia, com o seu robot que supostamente foi herdado pela morte de um tio que o nosso inspector nunca ouviu falar. Este é um robot doméstico que supostamente trata de toda a casa (ou não), e que o nosso inspector lhe coloca o querido nome de Palhaço, Robot Palhaço (sim o tal das anedotas e piadas que falei acima).

O caso de polícia que temos para resolver não é nada mais nada menos que um suicídio muito particular, ou seja, o senhor Love que foi encontrado no chão do quarto no hotel Lisboa com várias facadas nas costas. Será a partir daqui que partimos na nossa investigação desta bizarra história, e sempre acompanhados do nosso ajudante.

Por se tratar de um jogo de investigação teremos de andar à procura de objectos que sirvam para podermos investigar convenientemente os personagens; esses objectos são guardados no infindável depósito do nosso Robot, que tem um buraco negro (vocês depois percebem quando jogarem o jogo).

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Os interrogatórios são feitos tanto pelo inspector Zé, assim como pelo Robot palhaço, e será o jogador a escolher quem irá prosseguir com o interrogatório. As perguntas são quase sempre feitas com base nos objectos que encontramos, mas nem sempre obtemos as respostas pretendidas, muitas vezes porque escolhemos o personagem errado para fazer o interrogatório.

O jogo está cheio de pormenores que vão deliciar os jogadores, e para isso também ajudam os diálogos entre personagens. Um dos pormenores que não passa despercebido é por exemplo entrar numa casa de banho de um bar e ver desenhos e mensagens escritos na parede, ou serviços da bela Maria Estrela com um número de telefone estranho escarrapachado na porta do sanitário e termos um comentário como “Se fosse um número bastante sério os jogadores poderiam tentar telefonar e usá-lo”.

Todas as piadas, diálogos e parvoíces são apresentados em forma de texto, como aqueles balões bem conhecidos das bandas desenhadas. Não sei se já referi, mas o Robot Palhaço nisso é incrível, e as piadas são aquilo que tem mesmo de melhor (ou não).

Quanto ao cenário, embora seja na cidade de Lisboa é como se tudo se passasse num teatro cheio de público. A verdade é que para quem conhece a realidade Portuguesa daquela época, nos anos 80/90 em Portugal o teatro Revista estava na moda e era um teatro virado mais para o povo, divertido, e onde o público interagia muito com os artistas, desde aplaudir a vaiar os artistas a qualquer momento. É exactamente isso que acontece durante o jogo, desde o público rir de certas piadas, a aplaudir quando fazemos algo correcto ou vaiar-nos quando falhamos algo.

E já que estamos nos cenários, há que dizer que podem esperar como pano de fundo a ponte 25 de Abril e o Rio Tejo, os velhinhos eléctricos amarelos e brancos e até os táxis verdes e pretos. O grafismo é todo ele “Uma recriação realista da Lisboa dos anos 80 com RTX para explorar, mas depois encolhido para uma resolução de 256X192 pixels”. Provavelmente muito de vocês estavam à espera de resolução 4K nativa, mas não, vão ter mesmo de se aguentar com uma resolução que nem chega ao nível do Comodore 64 (320 x 200); terá mesmo de ser comparado com o Spectrum (256X192). A esta resolução podemos ainda adicionar muita cor e personagens de um aspecto estranhamente ridículo, que tornam tudo isto num jogo único.

O jogo na Nintendo Switch tem a particularidade de conseguir ser jogado a partir dos Joy-Cons e do Pro Controller, mas também com o touch screen caso estejam a jogar em modo portátil, algo que é bastante útil e facilita a jogabilidade. O jogo corre às mil maravilhas, seja na dock, como em modo portátil.

Inspector Zé e Robot Palhaço em: Crime no Hotel Lisboa é sem dúvida uma grande entrada na Nintendo Switch. Podemos dizer que é a maneira de acabar este mês de Setembro em grande, com um jogo que oferece muito humor e divertimento. Mesmo aqueles jogadores que não são grandes fãs de point-and-click (como é o meu caso), vão divertir-se imenso pela maneira como o jogo se desenrola.

A pergunta que fica é, para quando o Inspector Zé e Robot Palhaço em: Assassino do Intercidades?

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