Developer: Tessera Studios
Plataforma: PlayStation 4 e Playstation VR
Data de Lançamento: 12 de fevereiro de 2019


Jogar às escondidas parece estar na moda novamente, pelo menos em videojogos. Foi à relativamente pouco tempo que analisamos aqui no Salão de Jogos o jogo Hello Neighbor que se baseava em andar escondido para perceber o desenrolar da história. Neste caso, o grande vencedor do jogo do Ano no Playstation Talents em Espanha, Intruders: Hide and Seek, sobe a parada e mistura no nosso imaginário infantil o jogo das escondidas com o medo de encontrar ladrões em nossa casa. Felizmente para nós, e recordando o filme de David Fincher em 2002, existe uma Sala de Pânico.

O jogo começa connosco dentro do carro no papel de Ben, uma criança de 13 anos que vai sentado no banco de trás juntamente com a irmã que parece sofrer de alguma doença devido ao facto de tossir muito. Aliado a isto a conversa dos pais na frente do carro faz-nos acreditar que a nossa irmã tem de tomar uns comprimidos de vez em quando, mas na verdade já não temos muitos e estamos no início de umas férias na casa da floresta. Devido a um temporal, não fica fácil à família ir buscar mais comprimidos. Nessa mesma noite a casa é invadida por assaltantes e só nós e a nossa irmã podemos salvar os a noite, ou pelo menos é o que pensamos no início de Intruders: Hide and Seek, mas já lá vamos.

Antes disso, o jogo apresenta-nos um tutorial para aprendermos a jogar. Nessa pequena introdução brincamos às escondidas com a nossa irmã onde estamos no papel de um preso que tem de fugir aos guardas sem ser visto. A nossa irmã conta até dez e nós temos de andar escondidos, encontrar uma chave e sair da sala para a cozinha. Percebemos aí que a nossa casa é gigante e que devemos ser pessoas com algum poder financeiro. Ouvimos falar num laboratório secreto e é no início dessa mesma noite que juntamente com a nossa irmã decidimos seguir o nosso pai, que entretanto ficamos a saber que era médico. Sem ele se aperceber que estava a ser seguido, descobrimos uma sala secreta na garagem onde existem câmeras e escutas de toda a casa. É nessa sala de controlo que nos apercebemos que a casa está a ser assaltada e os nossos pais estão em perigo. A partir daqui a aventura desenrola-se com várias situações. Desde tentar encontrar um telemóvel para pedir ajuda, tentar entrar no computador, descobrir a senha do mesmo, entre outras coisas. Vão-se desvendando alguns factos mais macabros, mas que não vamos contar para não estragar a surpresa aos que jogarem. O enredo está muito bem construído e faz-nos querer saber mais à medida que avançamos.

O gameplay é bom, embora seja jogado em first person. O jogo é intuitivo e diz-nos qual o objetivo principal em cada fase. Para isso basta carregar no touchpad que nos dá acesso ao mapa da casa e nos revela para onde temos de nos dirigir. Também nos mostra um puzzle que podemos completar com peças escondidas espalhadas por toda a casa. Para quem quiser também pode jogar Intruders: Hide and Seek com o VR. A experiência é diferente, mas não é isso que vai fazer o jogo melhor ou pior. Ainda assim é um bom extra, porque coloca-nos mesmo dentro da ação e ficamos com uma dimensão maior de tudo o que se passa.

Publicidade - Continue a ler a seguir

Intruders: Hide and Seek não é bem um jogo de terror, mas dei por mim algumas vezes a assustar-me, mais quando tinha o VR colocado, do que na versão normal. Para os mais sensíveis ao susto o melhor é mesmo jogar sem o VR.

Graficamente não esperem um God Of War ou um Uncharted, mas para um jogo que vence o Playstation Talents podemos estar satisfeitos com o resultado final. Outra das coisas que gostei foi o ambiente que a casa passa para nós. Nota-se que há ali tensão criada pelos acontecimentos e segredos da família que tem que ser descobertos. A duração do jogo é que é muito curta, embora tenha outras coisas que podemos fazer pela casa como extra à história principal como por exemplo completar um puzzle com peças que estão escondidas. A sonoridade está bem alinhavada, cria tensão nos momentos certos e os efeitos sonoros ajudam a dar vida ao jogo, porém estes vão tornar-se repetitivos com o andar da carruagem.

Intruders: Hide and Seek foi provavelmente um justo vencedor do Playstation Talents em Espanha. Agora é gozar o prémio e distribuir pelos jogadores. É como se fosse um aperitivo para aquilo que podiam ou ainda podem vir a fazer no futuro. Nestes ou noutros moldes, a Tessera Studios, estúdio independente em Espanha, está de parabéns, tem aqui um bom produto para começar. Peca mesmo na duração do jogo.