Developer: Typhoon Studios / 505 Games
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC
Data de Lançamento: 26 de Janeiro de 2020

Journey to The Savage Planet pode não ter tido honras de grandes trailers e apresentações em feiras, mas a sua concepção vem de uma muito pequena mas competente equipa, que no ano passado foi adquirida pela Google, nomeadamente para trabalhar no Stadia e na sua componente de entretenimento. É essa capacidade de entreter que vamos encontrar neste jogo que apesar de ser um First Person Shooter, de Shooter tem pouco, mas muito de exploração, reconhecimento, procura, catalogação e também risota.

Devemos dizer que no mínimo é ambicioso por parte da Typhoon Studios fazer um FPS de exploração, sem ter qualquer fundamentação na componente de um shooter, e embarcando mais num campo de No Man’s Sky ou de Outer Worlds ou mesmo no ambiente Metroidvania. Será que esta viagem vai valer a pena?!

Quando pegamos no jogo assumimos o controlo de um funcionário (altamente descartável) da Kindred, empresa que ostenta com orgulho o título de 4ª Melhor Empresa de Exploração Interestelar da Terra. Sem perceber muito bem o que estamos a fazer, porque somos claramente incompetentes, vamos aterramos a nossa pequena nave no planeta AR-Y 26, onde no fundo vamos tentar levar a cabo a missão para a qual fomos enviados, que é encontrar um novo lar para a raça humana, e já agora, tentar arranjar a nave para que consigamos voltar e dar essa notícia.

Já perceberam que o jogo não é um FPS é apelidado de First Person Adventure, mas não julguem que é um walking game, não é. E como disse a inspiração Metroidvania faz sentido porque precisamos de adquirir materiais, ferramentas ou armas, para ultrapassar as áreas que vamos desbravando do planeta AR-Y 26. Por exemplo, vamos precisar de criar uma espécie de jetpack para conseguirmos saltar mais alto e mais longe, para conseguirmos passar uma área, vamos precisar de fabricar uma arma para disparar contra superfícies que possamos partir para atravessar, ou até luvas especiais que nos permitem carregar plantas explosivas/eléctricas/ácidas, há dezenas de upgrades que melhoram nossas capacidades de locomoção e exploração. Essa é a forma para o jogo nos continuar a motivar para irmos mais além, para procurar mais, para tentar desbravar todo a imensa área que vamos encontrar neste planeta super colorido.

Num jogo como este é fundamental que consigamos saber para onde ir, com sentido de exploração, mas que não fiquemos perdidos e frustrados, e consegue-o relativamente bem, com um sistema onde carregamos no analógico direito para fazer uma mapeamento da zona e identificar elementos que possamos utilizar ou analisar, assim como um sistema de indicações de setas que nos vão mostrando os objectivos e o os locais fulcrais, como por exemplo, onde está a nossa nave ou o um teletransportador.

Para percebermos se este é um local propício para a raça humana, vamos ter de analisar toda a flora e fauna, e com isso vamos adquirir cartas coleccionáveis, um outro elemento que nos vai motivar a percorrer todos os cantos para analisarmos tudo.

Os cenários são bastante verticais, vamos encontrar ilhas flutuantes ligadas por umas poucas pedras que obrigam o jogador a ser criativo e até corajoso para prosseguir. Há um punhado de criaturas hostis espalhadas pelo planeta, sendo que maioritariamente são inofensivas, mas o jogo traz até algumas batalhas com bosses interessantes, que exigem que tenhamos de combinar os nossos engenhos artesanais de uma forma inteligente para sairmos vitoriosos.

Journey to the Savage Planet vai buscar muita da sua inspiração na obra de Douglas Adams para construir um universo sci-fi que é tão exótico quanto bizarro, conseguindo arrancar umas boas risadas. De criaturas com nomes e aparências estranhas e até bizarras, passando por anúncios em live action que passam nas televisões da nossa nave, culminando na EKO, a inteligência artificial que nos guia, e deve ter algum grato de parentesco com a saudosa GladOS. O próprio modo cooperativo utiliza o humor como valência, pois quem nos acompanha não será um outro astronauta, mas sim um “Meat Buddy“, isto é, um clone nosso.

Journey to the Savage Planet é a concretização da ideia de que não é preciso um First Person ser um shooter e que uma aventura bem regada de humor e de o que fazer pode dar umas boas horas de diversão. Um jogo muito mais recompensador a jogar com um amigo de forma descontraída e descomplexada, sendo desafiante, mas relaxante ao mesmo tempo, e é um jogo que é uma bela porta de entrada para os mais novos ou mesmo em família jogarem e aprenderem a jogar um First Person com um mundo colorido e divertido.

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