Developer: SEGA
Plataforma: Xbox Series X e PlayStation 5
Data de Lançamento: 23 de Abril de 2021

Lançado inicialmente a meio de 2019 nas consolas da geração anterior, Judgement foi um sólido spin-off da franquia Yakuza. Tal como disse o meu colega Rui na sua análise, “é um jogo tanto para fãs de Yakuza, como para aqueles que nunca estiveram ligados a esta série”. E embora explore uma história lateral, tem todos os ingredientes que caracterizam a saga.

Como tal, dois anos volvidos, e temos uma edição remasterizada e dedicada à next-gen, onde a Xbox Series X, PlayStation 5 e o Google Stadia tentam aproveitar todo o potencial deste excelente título.

– Mas será que vale a pena quando apenas dois anos separam o lançamento das duas versões?

E a reposta é afirmativa. Quem ainda não jogou o original, e já tem uma PS5 ou uma Series X, tem agora a oportunidade de desfrutar deste excelente título com o máximo de qualidade.

A diferença é notória. Além de uma fluidez assinalável com uns estáveis 60 FPS’s numa resolução 4K, os loadings estão muito rápidos, durando pouco mais de 5 segundos, e em algumas situações são instantâneos até. Não existe a opção de escolher entre qualidade gráfica e performance, por outro lado, há a vantagem de ter sido completamente optimizado para estas configurações.

Todavia, onde provavelmente notamos uma maior transformação é ao nível dos efeitos de luz e dos reflexos. Há um maior realismo em cada detalhe visual, e também as cores são mais vivas e salientes, tornando toda a experiência muito mais imersiva.

É reconhecida a importância desta franquia da SEGA, e apesar de ser particularmente popular no Japão, a sua legião de fãs não se fica apenas por terras nipónicas, alargando-se actualmente ao resto do mundo.

Sendo um spin-off, Judgement opta por investir numa narrativa paralela aos outros títulos da franquia. Acompanha a história do detective Takayuki Yagami, oferecendo um rumo alternativo e muito interessante relativamente ao que estamos habituados. Afinal, não existem limites para a complexa e imponente cidade de Kamurocho, e os mais intrigantes mistérios esperam por nós.

Takayuki nem sempre foi um detective. Na verdade, há apenas três anos era um reputado advogado de defesa, sendo que um determinado caso acabou por mudar toda a sua vida. As consequências da absolvição do seu último cliente não podiam ser mais trágicas, uma vez que resultam na morte da sua namorada, com o autor do homicídio a ser precisamente quem ele ajudou a soltar.

Marcado por essa sucessão de eventos tão dolorosos, decide largar a advocacia e abrir uma empresa privada de investigação. É a sua catarse, e uma maneira de conseguir ultrapassar as memórias angustiantes que o transformaram para sempre. No fundo, é a história de redenção do protagonista e a tentativa de encontrar paz com as suas decisões.

Como tal, a componente de investigação será central na narrativa de Judgement, tanto na maioria das missões principais, como nas secundárias. Um ponto que é a verdadeira alma do jogo e que se torna diferenciador quando comparamos com os outros jogos da franquia.

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Quem é curioso e gosta de histórias sobre crime e investigação, certamente irá ficar imediatamente absorvido pelo enredo. Especialmente quando começamos a conhecer os pormenores do principal caso, envolvendo um serial killer que tem escolhido membros da yakuza como vítimas, com o mórbido ritual de remover os olhos das vítimas.

Entramos em cena quando um dos elementos da família Matsuname é preso e considerado o principal suspeito dos assassínios. Contratados para ajudar na sua defesa, iremos penetrar nos meandros da máfia japonesa, com todo o secretismo e perigo que tal missão contempla.

As primeira horas servem essencialmente como um guia que nos apresenta às várias mecânicas incluídas. O ritmo é mais lento nesse período, mas faz sentido, já que há muito para aprender sobre as dinâmicas mais básicas.

Um dos atractivos – como qualquer jogo da série Yakuza – é o combate. E aqui temos dois estilos: o Crane e o Tiger. O Crane é mais voltado para o crowd control, para podermos lidar com vários adversários ao mesmo tempo; quanto ao Dragon, vai na direcção oposta, e é mais indicado quando enfrentamos os oponentes individualmente.

Cada uma dessas duas técnicas pode ser diferenciada pela aura vermelha (Tiger) e azul (Crane). Sendo que esta última distingue-se pela vistosa coreografia acrobática, enquanto que o modo Tiger desfere golpes poderosos capazes de deitar ao chão os inimigos mais robustos.

Este é um dos aspectos onde mais notamos estar a jogar numa versão optimizada para a última geração. A fluidez dos movimentos é incomparavelmente melhor, e um deleite quando nos adaptamos à jogabilidade. Se antes o combate já estava bastante razoável, agora vale realmente a pena, com momentos de acção realmente espetaculares.

Existe um sistema de progressão que nos permite acrescentar mais golpes ao nosso reportório, assim como ampliar o seu dano, mas vamos igualmente poder aumentar a barra de energia, entre outras coisas. E isto é conseguido através das várias tarefas e missões que teremos ao longo da história.

Mas as possibilidades em Judgement não se ficam por aqui. Muitas são as distracções em Komorocho, e vai desde as mais básicas como comer e beber, a outras mais sociais, como tentarmos a nossa sorte em casinos, ou descontrair jogando mahjong e pinball. Podemos ainda revisitar clássicos da SEGA nas arcades, onde temos jogos como o Virtua Fighter 5 Final Showdown, Motor Raid, Fantasy Zone, Space Harrier e muitos mais.

Voltando ao aspecto gráfico, é cada vez mais fácil de nos perdermos na fantástica cidade de Komorocho. Quem gosta da cultura japonesa e daquilo que a caracteriza, como a arquitectura dos edifícios e a sua atmosfera peculiar, ficará apaixonado com todos os efeitos de luzes e reflexos, sobretudo durante a noite.

As cutscenes também foram ligeiramente refinadas, e encontram-se mais estáveis, sem quebras de frames como acontecia anteriormente. É o casamento perfeito com uma boa banda sonora de um rock electrónico, e um excelente voice acting das personagens que fazem parte do jogo.

Judgement Remastered é, claramente, a edição a comprar para quem é sortudo o suficiente para possuir uma das consolas da nova geração. Seja, ou não, fã da saga Yakuza, e gosta deste género de jogos em mundo aberto com uma forte inclinação para histórias de crime, tem agora a hipótese de usufruir ao máximo deste óptimo título na sua Xbox Series X ou PlayStation 5.