Developer: Ryu Ga Gotoku Studio
Plataformas: PlayStation 4
Data de Lançamento: 25 de Junho de 2019

A franquia Yakuza que é produzida pela Sega sempre foi bastante conceituada, tanto no Japão onde a franquia é verdadeiramente famosa, como no resto do mundo, e neste caso o jogo é lançado sempre alguns meses depois do seu lançamento em terras nipónicas. Embora Judgement não seja uma prequela nem uma continuação da saga Yakuza, é ainda assim um spin-off da franquia, seguindo os mesmos passos dos jogos anteriores, como muitos dos conceitos familiares e até melhorados.

O protagonista do jogo é Yagami, um advogado de altíssimo gabarito e altamente requisitado, com uma percentagem aproximada de 95% de casos ganhos. Acontece que depois de mais uma vitória em tribunal onde Yagami consegue absolver um cliente, vêm-se a descobrir que este assassinou a sua namorada e pegou fogo à casa na tentativa de encobrir o crime.

Yagami descobrindo isto fica completamente chocado, deixando a vida de advogado. Passam-se três anos desde esse caso e é aí que começamos a jogar verdadeiramente, percebendo que o nosso advogado se tornou detective e abriu a sua própria empresa. Algo que se entendemos imediatamente é que Yagami continua a ter os mesmos princípios e tenta não cometer os erros do passado, sendo que será ele a obter as provas dos casos que irá ter em mão. Como já devem estar a prever, vamos ter diversas investigações e para conseguirmos chegar às respostas.

Mas não imaginem só grandes casos. Sim, temos obviamente a história principal, mas também vamos ter muitas missões secundárias onde teremos de fazer um trabalho mais simples, como encontrar provas de infidelidade, resolver problemas entre civis e até procurar animais perdidos. Yagami é um detective que não deixa nenhum caso sem resolução, desde o mais simples ao mais importante.

O caso principal está relacionado com um serial killer de membros de um clã da máfia (Yakuzas), que além de serem assassinatos, ainda lhes são removidos os olhos. Nós entramos neste caso, já que um membro da família Matsugane é preso como principal suspeito destes assassinatos, e nós somos requisitados para tentar ajudar na defesa de Kyohei Hamura. Claro que ao longo do jogo a nossa principal missão é encontrar o verdadeiro culpado, seja ele Hamura ou não.

Acreditem que a história está muito bem pensada, e ao longo de Judgment vamos percebendo como estamos a entrar por caminhos perigosos., já que estamos a vasculhar demasiadas coisas em terrenos da máfia, e isso está extremamente bem representado no jogo. Toda as situações onde temos de analisar provas, falar com pessoas de modo a tentar encaixar a investigação e tirar fotos a locais importantes, estão extremamente competentes. Porém, também será preciso terem paciência, uma vez que a velocidade a que as coisas se desenrolam especialmente no inicio do jogo são bastante lentas – um pouco para nos apercebermos de tudo o que podemos fazer no jogo (até porque existe muitas conversas entre personagens). Mais para a frente o jogo desenvolve e a acção começa a apoderar-se do jogo, passando a ser esta a sua principal característica, com muitas lutas à mistura.

Além da missão principal e das missões secundárias existem diversas coisas que podemos fazer, desde comer, ir a salões de jogos, beber e fumar. Para isso é preciso dinheiro, que vão ganhando com todas as missões secundárias e trabalhos simples que ajudam bastante a vossa carteira. E como já acontecia na franquia Yakuza, aqui também temos diversos mini-jogos, onde podemos jogar dardos, jogos de tabuleiro, corridas de drones, jogos de casinos e ainda os jogos da Sega (Puyo Puyo, Virtual Fighter 5 Final Showdown e Fighting Vipers). Esses últimos até podem ser jogados a dois jogadores sem sequer terem de iniciar o jogo principal, já que essa opção está presente logo no menu de jogos.

O combate em Judgement consegue ser tão incrivelmente bom como incrivelmente mau. O que pode parecer estranho, mas a explicação é bastante simples, e para começar pela parte boa podemos dizer que Yagami pode usar dois estilos de luta: uma para combates um contra um (o Tiger) e outro que está mais virado para quando lutamos contra grupos maiores (o Crane). Além disso, o jogo permite-nos ter diversas interações, pontapés, socos, cabeçadas, agarrar os personagense dar-lhes joelhadas, atirá-los contra paredes ou contra outros inimigos, agarrar em objectos e bater-lhes com eles (um bom exemplo é quando agarramos numa mota que está estacionada na rua e atiramos contra alguns inimigos). Isto é, o jogo proporciona-nos uma imensidão de opções e ainda podem desbloquear muitas mais.

Iremos ter vários combates, principalmente contra grupos, e seja na rua, ou quando estamos a investigar coisas, muitas vezes encontram-nos e lá temos nós de lutar contra três, quatro, oito ou mais inimigos. Acreditem que são essas lutas que vocês vão adorar, primeiro porque se dominarem bem os golpes e aprenderem quando usar os golpes especiais conseguem combos incríveis, onde o jogo até fica em slow motion para vocês verem o que se vai passar. Será especialmente contra grandes grupos que vocês vão mesmo desfrutar do combate.

A parte pior dos combates apresenta-se quando lutamos contra os bosses, e acreditem que eu gostava de dizer que esta era a parte melhor, mas não, é infelizmente a pior. E digo isto porque na maioria das vezes, no início do combate vocês dão uma tareia no boss, mas quando ele decide que já chega, passa a defender tudo e a ter ataques que quase são indefensáveis. Isto é, passa a ser um combate batoteiro, sem estratégia aparente e sem proporcionar algo que nos divirta. É aqui que vocês provavelmente vão sentir frustração, já que ficamos com o sentimento de que o jogo perde o sentido.

Tal como referi acima, existem diversas coisas que podem ser desbloqueadas, desde aguentar mais bebida, melhorar a nossa vida, adicionar diversos golpes novos, dar mais dano e muito mais. Este desbloqueio é feito a partir de pontos que vamos ganhado a fazer as missões e as tarefas.

Graficamente, Judgment está absolutamente incrível, principalmente nas cutscenes que estão deslumbrantes e onde conseguimos ver que tudo foi feito usando actores verdadeiros, com texturas fantásticas. Conseguimos quase sentir a roupa dos personagens de tão incrível que esta está representada. No gameplay em si, o grafismo também está excelente, mostrando que a equipa de desenvolvimento se dedicou a todos os pormenores.

A parte sonora segue o mesmo caminho que a parte gráfica. Primeiro, os diálogos estão do melhor que podemos encontrar nesta geração, para não falar que tem os diálogos originais em japonês (acreditem, valem bem a pena).  Depois a banda sonora também é óptima, muito virada para um rock-pop, o que encaixa que nem uma luva neste jogo.

Judgment era um daqueles jogos que desde que foi anunciado me chamou a atenção, e agora que pude jogá-lo tenho de dizer que não me desiludiu. Oferece imensas horas de jogo, e se vocês fizerem como e se perderem nas diversas coisas que existem para fazer pela cidade, então têm jogo para jogar durante imenso tempo. É um jogo tanto para fãs de Yakuza, como para aqueles que nunca estiveram ligados a esta série. A Sega volta a trazer um jogo de qualidade que irá ser adorado por muitos jogadores.