Developer: Tigertron, Inc
Plataforma: PlayStation 4
Data de Lançamento: 22 de abril 2019

Na história dos videojogos não há muitos jogos de golfinhos, muito menos quando assumimos o papel direto de um para tentar salvar o que resta dos oceanos. O único jogo deste tipo terá sido talvez o Ecco The Dolphin, original de 1992 na consola Sega Game Gear e que mais tarde chegou à Playstation e à Xbox pelas coleções de vários jogos que a Sega decidiu fazer. Em pleno ano de 2019 e com as preocupações ambientais a fazer cada vez mais parte do dia à dia da nossa sociedade, Jupiter & Mars apresenta-se com um propósito: salvar o planeta.

É este o ponto de partida para viagem de Jupiter & Mars, dois golfinhos que vão salvar as espécies marinhas que foram maltratadas pelos humanos. A aventura é futurista e já não há pessoas neste mundo. A subida do nível da água nos oceanos inundaram cidades como Nova Iorque, Londres e algumas ilhas gregas e é por lá que vamos andar a limpar estações submersas que estão a poluir as águas. Nós somos Jupiter e temos como companheiro Mars, ao qual podemos dar ordens para atacar objetos, principalmente algumas rochas que estão a tapar caminhos ou e alguns segredos. O nosso golfinho pode, através do lançamento de ondas sonoras, afastar inimigos e também pode lançar estas ondas para ver os itens com os quais podemos interagir.

 

 

O jogo dá para jogar com e sem VR. Sem VR, a experiência é um pouco monótona. Os gráficos não são nada de especial, a jogabilidade não é perfeita e apenas se salva a boa resposta dos comandos sempre que precisamos de executar um ataque. As águas que vamos encontrar parecem um pouco mortas e com poucas espécies a andar por ali. Quase parece que colocaram dois golfinhos num aquário gigante e agora temos de sair de lá. Após uma ou duas horas de jogo, torna-se aborrecido andar ali às voltas.

Com VR, o caso muda de figura, mas apenas nos primeiros instantes do jogo. Depois descobrimos que não há assim tanto para fazer ou até ver no fundo deste mar e torna-se uma desilusão. A visão de jogo na primeira pessoa, como se fossemos mesmo um golfinho causa alguns problemas, principalmente nos caminhos que queremos seguir. Felizmente com um toque no triângulo, a visão do jogador dá uma volta de 180 graus, o que se revela útil quando pensamos que estamos presos num determinado local.

A dificuldade do jogo é baixa, não há grandes adversidades nem complicações. É fazer os objetivos que vão aparecendo e colecionar o que há em cada espaço. Não precisamos de ter tudo para passar de nível e até vamos ter depois a possibilidade de voltar para descobrir aquilo que falta. Os níveis não diferem assim tanto, apesar de alguns serem aparentemente de gelo. Também com o VR podemos ter vários tipos de jogabilidade. É certo que Jupiter & Mars não têm movimentos por aí além, nem animações suficientes para nos deliciar, mas há um modo de visão que nos coloca como se fossemos mesmo um golfinho e com todos os movimentos que o caracterizam.

 

Os efeitos sonoros tornam-se entediantes, apenas se salva a música mais mexida que o jogo tenta colocar na aventura. De resto, além do barulho dos golfinhos, pouco há naquela envolvência que devia parecer o fundo do mar. A parte mais consciente do jogo é mesmo a temática. No jogo podemos até ver alguns vídeos de organizações que lutam pelo nosso planeta, principalmente pela preservação dos oceanos que cada vez mais estão carregados de lixo.

Jupiter & Mars é um jogo quase único por ser de golfinhos. Quem nunca quis estar ao lado ou mesmo ser um deles. Com todas as coisas boas e más que isso nos pode trazer, o jogo passa pelo menos uma mensagem forte para consciencializar nós humanos. Como jogo, falha um pouco no que toca à diversão, é repetitivo, com poucas horas de jogo e torna-se aborrecido pela falta de vida marinha. Ainda assim não é todos os dias que podemos ser um golfinho.