Developer: Kaiko/THQ Nordic
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 8 de Setembro de 2020

Quando em 2018, a THQ Nordic comprou os direitos de Kingdoms of Amalur (incluindo o MMO), os corações dos fãs de RPG’s de fantasia tremeram; era o sinal que precisavam para saberem que um dos seus títulos preferidos iria ter seguimento. E apesar de ser esperado um novo jogo, acabámos por receber um remaster, que no fundo serve como exemplo da dedicação que esperamos para o futuro da franquia.

É sempre sensível a remasterização de jogos que são praticamente de culto. É o caso de Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning, que se propõe a fazer renascer as mesmas sensações imersivas de liberdade de quando foi lançado originalmente em 2012. Apesar de ser um jogo que marcou a geração anterior, ainda acompanhou boa parte da actual, sendo um nome que traz boas memórias para quem é apaixonado pelo género.

Um remaster que chega graficamente melhorado, mas também inclui todos os DLC’s do original, como Teeth of Naros e The Legend of Dead Kel, e outro inédito, em 2021, com o nome de Fatesworn. O que se pretende, na verdade, é que possamos ter a experiência completa – não só para os mais nostálgicos, mas também para quem se estreia neste fantástico RPG.

São vários os encantos de Kingdom of Amalur: Re-Reckoning, no entanto, o que nos conquista imediatamente é claramente a história. Num típico conto onde um herói improvável tem nos seus ombros a responsabilidade e o poder de salvar o dia; todavia, tudo começa com a morte do nosso personagem, que se vê ressuscitar após a primeira experiência de sucesso de uma nova invenção criada pelo cientista Fomorous Hugues.

A partir daí passaremos a ser conhecidos como o “The Fateless One”, e ver-nos-emos envolvidos numa guerra entre um grupo radical chamado de Tuatha, cujo objectivo é o de exterminar todas as raças de mortais. Uma das razões pelas quais têm esse propósito sombrio, é a capacidade de os Tuatha alcançar a imortalidade por intermédio da reencarnação, e pretendem, dessa maneira, tornar os reinos de Amalur exclusivamente seus.

É um RPG que vai aos mais elementares princípios do género. Começamos pela criação da nossa personagem, e podemos decidir entre quatro raças (Almani, Varani, Lisafar e Dokkalfar), para combinar depois com o Deus que iremos escolher venerar, e irá influenciar, por sua vez, os nossos stats através de bónus e buffs.

É um bom exemplo de como as skill trees são versáteis em Kingdom of Amalur, e algo que caracteriza o jogo é a viabilidade para construir a jogabilidade da personagem da forma mais flexível possível. Há os três arquétipos habituais de classes que aqui têm o nome de Sorcery, Finesse e Might, que se assemelham ao estilo de um Mage, de um Rogue, ou de um Warrior, e onde temos para escolher entre 22 habilidades de modo a definirmos a direcção que queremos tomar ao longo da nossa aventura.

Paga-nos o café hoje!A possibilidade de builds é imensa, e tanto podemos seguir uma linha mais rígida relativamente a cada uma das classes, como ser criativos, e optar por algo mais híbrido e experimental. Este foi um dos aspectos que levou a que os jogadores se rendessem na altura a um RPG que permite uma personalização desmedida naquilo que é a sua essência na construção da personagem.

As armas também oferecem diversas opções, e vão desde as mais leves e ágeis, até às mais pesadas e poderosas. Existe uma primária e uma secundária, para que a resposta ao combate seja sempre de acordo com as diferentes situações. Combate esse que ficou bastante melhor em termos de fluidez e dificuldade.

Se anteriormente conseguíamos rapidamente atingir um nível que subjugava grande parte dos inimigos, em Kingdom of Amalur: Re-Reckoning é quase o oposto, e pelo menos nas fases mais iniciais do jogo vamos ter de nos aplicar em vários momentos. O que é um óptimo, porque se o combate do original já era excelente, então agora está ainda mais entusiasmante.

É um jogo com uma vasta longevidade, especialmente se considerarmos a enorme quantidade de quests secundárias. Para quem gosta de explorar e concluir tudo o que são histórias e tarefas adicionais, terá aqui muitas horas para se perder nas terras de Amalur. E o mais importante é sentirmos que as missões opcionais não foram incluídas apenas para fazer número, conseguindo entregar histórias interessantes.

É impossível ficarmos indiferentes à atmosfera mágica que encontramos em Kingdoms of Amalur: Reckoning; quase como se estivéssemos a viver uma fábula montada à nossa medida. Agora com texturas HD ficou visualmente ainda mais agradável, no entanto, e ainda que esse upgrade seja visível, não se pode dizer que seja verdadeiramente significativa, o que levanta dúvidas sobre a necessidade real de uma remasterização.

A diferença em relação aos efeitos das iluminações e das sombras é notória, e as texturas também estão igualmente mais limpas, embora continue a faltar alguma perspectiva de profundidade quando olhamos mais de perto. Também as cores parecem ter um maior realce quando comparadas com a versão original, o que juntamente com uma banda sonora encantadora, ajuda na envolvência com o ambiente em questão.

Sendo a melhoria do aspecto gráfico o principal elemento de qualquer remaster, não deixa de ficar a impressão que podia ter sido mais ambicioso. Contudo, é uma boa solução para quem deseja regressar a um dos mais espetaculares RPG’s da última década e ter acesso a todo o conteúdo entretanto lançado.

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning presta a uma homenagem a um jogo que podia – e devia – ter sido mais impactante para o género. Foi vanguardista em vários pontos, e tornou-se mesmo uma referência de como um RPG deve ser estruturado.

Quando menos, será o esperado reiniciar de uma saga.

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