Developer: Velan Studios, Electronic Arts
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 21 de Maio de 2021

De todos os jogos que fizeram parte da nossa infância – e falo, neste caso, daqueles que preenchiam as nossas horas de recreio –, o Jogo do mata, ou a Queimada (como era também conhecido), era certamente um dos mais populares. Batalhas épicas que separavam os mais ágeis, dos menos móveis; dos mais determinados, dos mais hesitantes; ou dos mais valentes, dos mais calculistas.

Um jogo que cativava pela sua simplicidade e pela sua abrangência, já que não escolhia sexo nem idade (dentro daquela margem etária, obviamente). Todos tinham a sua oportunidade se tivessem pontaria, esperteza, e claro, a capacidade de leitura para escolher o momento certo de arriscar.

Seria então uma questão de tempo até que surgisse um videojogo com o potencial e concepção necessárias para explorar o tema. Ora bem, parece que o Velan Studios acertou na fórmula, e Knockout City, o mais recente título da Electronic Arts chega para levar o jogador até às competitivas partidas do dodgeball.

Aproveita vários conceitos que têm funcionado em recentes jogos focados no multiplayer, e adapta este conceito de arena ao Jogo do mata. O propósito é entregar uma dinâmica descomplicada e divertida, de maneira a que qualquer jogador possa entender rapidamente todos os elementos da jogabilidade.

Esse é provavelmente o aspecto que torna Knockout City num inesperado vencedor. Foi lançado sorrateiramente para que pudesse ser experimentado, e a verdade é que convenceu imediatamente, não só jogadores mais casuais, como quem procura algo igualmente competitivo.

Encontrar esse ponto de equilíbrio entre o que é simples e exigente não é fácil, mas o Velan Studios soube acertar em cheio. E é o segredo para que vários jogos multiplayer tenham conseguido atingir o sucesso onde outros falharam miseravelmente.

Knockout City traz uma visão de um mundo sem armas, onde quaisquer conflitos são resolvidos nas ruas da cidade através de loucas partidas d a modalidade dogebrawll. Esta é praticamente a narrativa associada ao jogo, uma vez que, como devem calcular, não é propriamente aqui que estará o seu maior interesse.

Inicialmente temos disponível o modo Team KO – um jogo de cooperação, numa espécie de Team Deathmatch. E o objectivo é básico: ajudar a nossa equipa a chegar primeiro aos 10 pontos. Cada jogador tem dois corações, o que por outras palavras significa que pode ser atingido uma vez, e à segunda sofre um knockout, oferecendo um ponto à equipa adversária.

Há um sistema de auto-aim que faz a bola ir de encontro ao alvo que está no nosso campo de visão, e ao contrário de como é uma das regras do jogo na realidade, apanhar uma bola atirada por um oponente não o elimina, apenas torna a bola mais veloz quando a atirarmos de volta.

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Knockout City tem várias ideias originais que, além de inteligentes, funcionam muitíssimo bem durante o jogo, tornando-o dinâmico, frenético e dotando-o de uma forte componente tática. Uma dessas ideias relaciona-se com as bolas cinco bolas especiais que estão espalhadas aleatoriamente ao longo do mapa, e oferecem habilidades especiais a quem as tiver na sua posse.

Começando pela Sniper Ball – tem uma velocidade quase supersónica se devidamente carregada; já no caso da Cage Ball, quando acerta num adversário aprisiona-o dentro dela, e poderá depois ser atirada novamente valendo imediatamente um knockout; com a Moon Ball podemos saltar mais alto, enganando a gravidade; a Multi Ball dá-nos três bolas simultaneamente; já a Bomb Ball causa um dano considerável na área onde explode, no entanto, no momento que a apanhamos inicia-se o seu tempo de detonação e terá de ser atirada antes que termine.

Há uma série de movimentos e funções, que quando são dominados, ajudam-nos tirar o melhor partido de cada jogada. Na verdade, grande parte da ciência de Knockout City está na maneira para aprendemos a usar com mestria as acções mais simples.

Podemos passar a bola e ameaçar o remate; um dodge, um spin e um flip, que apesar de serem funções diferentes, todas servem para ganharmos agilidade no momento de evitar arremessos dos adversários, sendo que o dodge, ainda assim, tanto pode ser utilizado numa perspectiva de defesa, como de ataque; há também um botão para o salto, que quando pressionado duplamente permite-nos pairar no ar com uma asa delta; por fim, uma das funções mais importantes – o ballform – onde nos tornamos uma bola para sermos atirados por um colega de equipa, servindo de KO imediato caso acertemos num oponente.

A partir do Rank 5 outros modos ficam desbloqueados, proporcionando uma ainda maior variedade na jogabilidade. A preferência depois irá depender do gosto de cada um, contudo, sindo que é mesmo o modo mais básico, ou seja, o Team KO, que melhor explora todo o potencial do jogo.

De qualquer forma, depois iremos ter o KO Chaos, que é um free-for-all de 4 jogadores (o primeiro a chegar aos 10 pontos ganha); o Ball-Up Brawl, um 4v4 por equipas onde não existem bolas e teremos de ser nós e os nossos colegas a tomarmos o seu lugar (ganha a equipa que chegar primeiro aos 15 KO’s); e o Diamond Dash – partidas de 3v3 em que um KO transforma o adversário num diamante, oferecendo pontos a quem o apanhar.

Graficamente está na linha de jogos multiplayer com conceitos semelhantes. Com um aspecto animado e cheio de efeitos visuais de encher o olho, encaixa perfeitamente na jogabilidade desejada, com uma performance muito aceitável (o que é sempre crucial nestes casos).

Quanto à parte sonora, vale essencialmente pelos efeitos de som que foram todos muito bem escolhidos. A música é discreta e ligeira, o que faz sentido, tendo em conta que é um jogo que exige bastante concentração.

Knockout City tem tudo para se tornar um jogo importante nos eSports. Com alguma afinação num ou noutro aspecto, poderá tornar-se na mais nova e improvável sensação num futuro próximo. Um excelente exemplo de como às vezes o mais simples, é mesmo o mais acertado.