Developer: TurtleBlaze
Plataforma: PC, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 6 de Fevereiro de 2020

Existem jogos indies para todos os gostos, uns excelentes outros menos bons, no entanto, tanto no PC como na Nintendo Switch, não faltam jogos de estúdios mais pequenos, e que algumas vezes nos trazem projectos absolutamente incríveis. Um desses casos foi Kunai, desenvolvido pela TurtleBlaze e publicado pela The Arcade Crew.

A história de Kunai passa-se um mundo completamente desolado, depois de uma inteligência artificial com o nome de Lemonkus se ter revoltado contra a humanidade. Devido ao seu poder e domínio sobre as máquinas do mundo, decidiu então passar ao extermínio dos humanos. Quando pegamos no jogo é já depois dos eventos acima descritos, o que significa que o número de humanos ainda visos é bastante reduzido, e a maioria do mundo está sob o controlo de robots dominados pela IA.

Porém, nem todos, e existem alguns robots que não ficaram sobre o domínio desta IA maléfica, lutando ainda pela causa dos humanos, e que pertencem a uma resistência e ainda trazem alguma esperança de que um dia o mundo deixe de ser dominado pela Lemonkus. Algo que dará ainda irá encorajar mais esta resistência é um pequeno robô assassino em formato de tablet, de seu nome Tabby, e que foi criado num laboratório e infuso na alma de um antigo guerreiro.

Será com o personagem principal que iremos viajar por diversas regiões, Tabby é uma espécie de robô ninja, preparado para todo o tipo de lutas, já que está equipado com a sua katana. Pode lançar shurikens e ainda terá kunais presas com cordas para se prender em diversos locais do mapa. Mais à frente também terão acesso a metralhadores e até lança-mísseis, e como é fácil de prever, não faltará acção neste jogo de plataformas 2D. A melhor maneira de classificar Kunai, é dizer que é um metroidvania, e os fãs deste género certamente não ficarão desiludidos.

Os jogadores vão ter de se preparar para muita exploração, e descobrir caminhos que os levem a certos objectos que desbloqueiam passagens, além de terem de adquirir certos itens que são a moeda do jogo, e com isso comprar upgrades e melhoramentos para Tabby. Existem habilidades ou itens que apenas vão obter por encontrarem certos personagens, e um desses casos é a aplicação que vós permitirá desenharem o mapa do jogo e que servirá para saberem por onde já passaram, e verem os locais que ainda não exploraram (para isso precisam de encontrar um certo robô).

A jogabilidade de Kunai é incrível, muito fluída, e com Tabby a ter as habilidades certas para as mais diversas situações. Sempre com muitas plataformas e por vezes muitas armadilhas no chão, teremos de usar as nossas kunais para nos prendermos nas paredes e no tecto; além disso, podemos usá-las apenas para nos deslocamos mais rapidamente, já que se forem habilidosos a usar os botões de lançar as kunais (existe um botão para a mão esquerda, e outro para a mão direita), vão verificar que se vão deslocar de maneira bastante rápida e ágil.

Além das armadilhas no chão, teremos de enfrentar muitos inimigos e até bosses, e aí teremos a nossa katana e mais tarde até armas de fogo. Mas não pensem que basta acertar nos inimigos de qualquer maneira para os derrotar, porque, – e para terem uma ideia –, existem os inimigos básicos, que basta acertar neles para mandá-los desta para melhor, e também outros que têm de ser eliminados de maneiras mais específicas, ou seja, desde termos de acertar em locais específicos do corpo; ter de escolher o timing certo para lhes causar danos; ou inimigos que explodem ao levarem um golpe. Vão encontrar de tudo um pouco, e é importante descobrirem a especificidade de cada um para depois terem sucesso no vosso percurso.

Quando à parte da exploração que falei há pouco, é bastante importante, como é habitual nos jogos metroidvania. Aqui vocês têm um objectivo claro, mas muitas vezes para lá chegarem é preciso andarem a vaguear por todo o mapa até encontrarem o caminho correcto. É algo que acontece recorrentemente neste jogo, seja por encontrarem passagens bloqueadas, ou por não ser o caminho correcto. Felizmente, o jogo nunca nos deixa perdidos ou bloqueados, e depois de terem a opção de ver o mapa, tudo se torna mais simples. Contudo, é sempre importante dar uma vista de olhos a todos os cantos do mapa, nem que seja para terem acesso a locais para salvarem o jogo, que também servem de checkpoints quando morremos. Os mapas são bastante vastos, isto porque como já mencionei, existem várias áreas, logo, vários mapas.

O design do jogo é bastante interessante, com um visual retro – mas sempre moderno -, sem cores muito vibrantes, já que é bastante simples no aspecto cromático, isto porque consoante as áreas a palete de cores muda, isto é, cada área conta normalmente com duas cores; no início vão ter um amarelo/castanho e preto, depois terão zonas com verde/verde escuro e preto, e outras em que o azul predomina, e assim sucessivamente. Acreditem que me fez lembrar os diversos monitores monocromáticos que existiam antigamente, e em que tínhamos alguns de cor verde, outros que eram a preto e branco, e outros que eram mais amarelados, provavelmente onde os criadores do jogo se inspiraram.

O único problema que posso apontar ao jogo tem a ver com o facto de em algumas ocasiões não termos ideia do que estamos a fazer, e passo a explicar:

Por vezes temos de dar saltos e de nos agarrar de maneira a não cairmos em armadilhas ou zonas com lava, e o que acontece é que muitas vezes deixamos de ver o chão, ficando completamente a jogar às cegas. Isto não acontece muitas vezes, mas quando acontece é sempre uma surpresa saberem se vão sair dali vivos.

A dificuldade de Kunai é razoável, diria que está no ponto certo. Não é demasiado difícil ao ponto de se tornar irritante, como também não é fácil ao ponto de se tornar monótono. A equipa de desenvolvimento encontrou o ponto certo, e isso é essencial neste tipo de jogos.

Algo que também gostava de realçar são os diálogos e até as expressões de Tabby. Os diálogos com outros personagens são hilariantes, fazendo-nos sempre colocar um sorriso nos lábios quando os estamos a ler; para não falar das caras que aparecem no tablet de Tabby, desde caras de troça ou de espanto conforme a situação; e até quando temos de nos baixar ou saltar, acontece sempre algo.

A versão que testámos foi a da Nintendo Switch, onde o jogo se revela super fluído, seja em modo dock, ou em modo portátil. É um daqueles jogos que, para quem gosta deste estilo, considero essencial para ter na portátil da Nintendo.

Kunai foi uma agradável surpresa, e embora tivesse visto trailers do jogo, depois de o jogar, revelou-se um jogo ainda melhor do que eu imaginava. Obriga-nos a alguma superação em algumas fases do jogo, oferece-nos óptimos mapas para explorar, assim como combates divertidos. Apresenta inimigos de diversos géneros e as lutas com os bosses estão muito boas. Tem a dificuldade no ponto. Por tudo isso, é um óptimo jogo do género metroidvania, e acredito que tal como eu, muitos vão ficar surpreendidos com este excelente jogo.