Developer: Darjeeling
Plataformas: Nintendo Switch, PC, iOS, Android
Data de Lançamento: 22 de junho de 2021

Não existe nada melhor do que pegar num jogo pouco conhecido, e do qual não sabemos muito bem o que esperar, e perceber que estamos perante uma criação bastante interessante. É exactamente isso que me aconteceu quando comecei a jogar Labyrinth City: Pierre The Maze Detective. Um jogo simples, mas que consegue oferecer diversão, quebra-cabeças, vários labirintos, e que acima de tudo, é extremamente competente nas suas mecânicas, e no que pretende oferecer ao jogador.

O jogo conta-nos a história de um vilão, o Mr. X, que roubou a Maze Stone – uma pedra mágica -, obrigando assim o detective Pierre e a sua amiga Carmen a irem à sua procura. Por mais dura que possa ser essa missão, Mr. X é um personagem carismático, com uma fatiota de mágico e uma máscara na cabeça do género de Zorro, e que vai brincando com o nosso detective, quer deixando pistas, quer mostrando-se, e no momento certo desaparece. Enquanto jogava o jogo e resolvia os seus quebra-cabeças e labirintos, vieram-me à memória diversos clássicos que marcaram a minha infância, desde logo os livros infantis “Onde Está o Wally?” que, para quem não conhece, eram uns livros onde tínhamos de encontrar um personagem – Wally – no meio de diversos cenários repletos de gente.

Mas também me fez lembrar uma série de animação chamada “Where on Earth is Carmen Sandiego”, onde os detectivos Zack e Ivy tentavam encontrar a famosa ladra Carmen Sandiego ao longo de diversas cidades do mundo. Embora o jogo me tenha trazido todas estas recordações da minha infância, na verdade, este jogo foi baseado nas histórias de banda desenhada Pierre the Maze Detective, do artista japonês Hirofumi Kamigaki, e do estúdio de ilustração IC4DESIGN.

Sabendo agora de onde partiu a inspiração da Darjeeling, estúdio que desenvolveu o jogo, podemos então começar a falar das suas mecânicas, cenários e do que podem esperar. O jogo passa-se sempre em cenários alargados, com grandes multidões, objectos espalhados que podem ser carros, estátuas, prédios, escadas, brinquedos, animais, um pouco de tudo o que possam imaginar. Isto acontece porque a Maze Stone tem o poder de criar o caos, pelos locais por onde Mr. X passa, logo, tudo isso irá servir de “parede”, isto é, o tal labirinto que tanto temos falado. Ao mesmo tempo, algumas destas pessoas, animais ou objectos podem também ter interacção connosco, alguns para nos dar pistas do melhor caminho a percorrer, outros para obtermos coleccionáveis, e por fim, alguns que são apenas para interagirmos e ver-se uma pequena animação.

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Nos vários níveis, vamos tendo alguns objectivos que apenas nos são dados depois de ultrapassarmos o anterior, e temos por exemplo de encontrar um polícia para nos dar pistas, seguidamente encontrar outro personagem, e por aí adiante. O engraçado nisto tudo não é encontrar os personagens, porque quase sempre nos sinalizam onde os podemos encontrar, o intrigante, é sim perceber como lá chegar, já que muitas vezes quase temos de dar a volta aos cenários para falar com alguém que está quase ao nosso lado, mas devido a uma multidão de pessoas ou por um objecto no caminho não é possível a alcançarmos.

A jogabilidade está bem conseguida, nunca tive obstáculos de maior, com o personagem a movimentar-se bem, seja para a frente, para trás, para a esquerda e direita, embora num ou noutro cenário tivesse de “lutar” um pouco para passar em determinados locais, mas nada que estragasse a experiência incrível que temos neste jogo.

É fácil perceber que estamos a falar de um jogo diferenciado, e que oferece acima de tudo diversão e obriga o jogador a ultrapassar obstáculos de maneira lógica. Mesmo nas crianças, o jogo é engraçado, primeiro porque oferece um grafismo bastante virado para os mais pequenos e isso certamente lhes agradará, e depois porque ajuda na sua capacidade de resolução de problemas. Nos adultos poderá fazer o mesmo, mas certamente vão encarar o jogo mais no aspecto de desafio, e de conseguirem solucionar os labirintos e provavelmente encontrar todos os coleccionáveis disponíveis.

No aspecto de coleccionáveis, teremos em cada nível três estrelas que se encontram espalhadas, quatro cartas, quatro tesouros e um troféu. Como devem imaginar, alcançar os personagens que nos pedem e ao mesmo tempo encontrar todos estes coleccionáveis poderá levar uma boa dezena de minutos, mas caso os encontremos todos, acreditem que ficam com aquela sensação de superação. Algo que poucos jogos conseguem oferecer ao jogador.

No aspecto gráfico temos um jogo colorido, com bons cenários e com uma vista isométrica. Embora não sejam gráficos de ficarmos maravilhados, estão bastante interessantes e acima de tudo enquadram-se perfeitamente com os livros de banda desenhada Pierre the Maze Detective. Ao longo dos níveis, vamos passar por cidades, castelos, mansões, casas e muito mais. Em todos os locais teremos pequenas animações, que embora repetitivas, estão bem feitas, e conseguem oferecer ao jogador cenários com algum movimento, para não dar a sensação de ser tudo estático. Sempre que acabamos um nível é apresentada uma animação em banda desenhada e narrada pela personagem Carmen, onde faz a ligação entre o nível anterior e o próximo nível.

Saltando para a parte sonora, o jogo está bastante interessante, a narração de Carmen é boa nessas animações entre níveis; níveis esses que são acompanhados por uma boa banda sonora, enquadrando-se perfeitamente nos níveis. Os pequenos efeitos sonoros que encontramos nos níveis também são sólidos.

Labyrinth City: Pierre The Maze Detective foi um jogo que me encantou e surpreendeu, e apesar  de a sua história ser simples, a verdade é que os quebra-cabeças e os labirintos prenderam-me durante várias horas. Caso sejam daqueles jogadores que gostam de se superar, e meter o cérebro a raciocinar, ou a elaborar estratégias para alcançar objectivos, então este é um jogo que devem considerar adicionar à vossa biblioteca.