Developer: Level-5
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 08 de Novembro de 2019

Foi em 2017 que Katrielle fez a sua primeira aparição como protagonista da franquia Professor Layton na Nintendo 3DS e também em versões mobile. Layton Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires Conspiracy – Deluxe Edition é o mesmo jogo lançado em 2017 mas agora com a sua adaptação para a Nintendo Switch.

Para quem não está familiarizado com esta franquia, Professor Layton é um personagem bem conhecido dos fãs da Nintendo, é um detective bem ao estilo de Sherlock Homes que ganha a sua vida a investigar e resolver casos. Para não terem uma ideia errada do que podem encontrar, estes jogos não têm grande acção, são todos point’n click cujo objectivo é descobrir pistas e mistérios nos vários cenários, ao mesmo tempo que nos oferecem diversos puzzles e quebra-cabeças para resolver.

Longe de ser um jogo para massas, é um jogo para um público específico que tem preferência por jogos de lógica e resolução de problemas, do que propriamente acção. Além disso, oferece uma jogabilidade simples e linear, o que facilita a aprendizagem relativamente ao enquadramento da franquia.

Virando agora as agulhas para Layton Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires Conspiracy – Deluxe Edition na Nintendo Switch, onde Katrielle (a filha do professor Layton) é a protagonista, podemos esperar exactamente o mesmo estilo de jogo dos anteriores, e sem fugir do que podemos encontrar no mesmo jogo para a Nintendo 3DS.

Caso tenham jogado a versão da Nintendo 3DS, ao abrirem esta versão para a Nintendo Switch a nostalgia instala-se de imediato, a cinemática de abertura é exactamente a mesma, mas agora com um grafismo superior; as músicas, as falas, as vozes, tudo está idêntico.

O jogo começa com Katrielle a inaugurar a sua agência de detectives, quando lhe irá aparecer um cão falante, colocando a nossa detective à prova com um quebra-cabeças. Depois de resolvido esse problema, o cão conta-lhe o pouco de que se lembra da sua história (já que tem amnésia), e pede-lhe ajuda. Ela aceita ajudá-lo e dá-lhe o nome de Sherl (em homenagem a Sherlock Homes). Além disso, teremos também um assistente, o estranho Ernest, aquele personagem desajeitado e mais cómico. Esta será a equipa que nos acompanhará na resolução dos casos e dos mistérios.

O primeiro caso que nos é apresentado é logo para ajudar a polícia londrina com o desaparecimento de um dos ponteiros dos relógios do Big Ben. Este caso servirá como uma espécie de tutorial onde nos é apresentado os menus de jogo, a maneira de investigar e falar com personagens, entre diversas outras coisas que aprofundaremos mais à frente.

Será a investigar os cenários e a falar com os NPC’s que conseguimos ir progredindo nos diversos casos que vamos ter, e essa interacção com o cenário pode ser feita a tanto partir do analógico esquerdo e com os botões, mas também directamente através do ecrã, isto é, do touch screen da Nintendo Switch. Quebra-cabeças, novas pistas, e direccionarem-nos para novos locais é o que irá acontecer recorrentemente enquanto tentam fazer o vosso papel de detective.

E falando de quebra-cabeças, estes são de vários tipos, como de lógica, outros que apenas são do senso comum, outros mais virados para a álgebra e alguns de probabilidades. Acreditem que esta é a parte que acho mais interessante neste jogo, muito mais que as suas histórias ou casos para resolver. E para minha felicidade, além dos puzzles que encontramos escondidos nos cenários, ainda existe um local de puzzles diários, onde até é possível fazer download de novos quebra-cabeças todos os dias. Para mim, é aqui que o jogo alcance o seu ponto mais alto. Para terem uma noção, ao todo, são mais de 550 quebra-cabeças. Incrível!

Mas nem tudo são rosas. Sim, é verdade que são em grande número e o divertimento é garantido, mas devo desde já avisar que a explicação de alguns deles é péssima, sendo que por vezes nem conseguimos ter noção do que temos de fazer, ou de como fazer. Existe a opção de pedir algumas dicas, e para isso apenas precisam de gastar algumas moedas do jogo (que também vão encontrando ao longo dos cenários), o problema é que essas pistas por vezes são tão más como as explicações. E a minha maior crítica vai para este ponto, embora segundo a Level-5 o jogo tenha levado alguns retoques e até melhoramentos de certos puzzles. Porém, a verdade é que não foram suficientes, e como referi, muitos continuam confusos e pouco explicativos.

Algo que também pode tornar-se bastante maçador é a quantidade de diálogos e muitas vezes sem necessidade, aquilo que chamamos de “encher chouriços”, com falas e falas que não nos ajudam em nada. Parece que é uma forma de tornar o jogo mais longo.

Quando se fartarem de resolver casos ou dos quebra-cabeças, podem sempre divertir-se a comprar roupas para Katrielle, e para isso vão precisar de pontos que arranjam ao completar quebra-cabeças. Depois dessas roupas adquiridas podem a qualquer altura do jogo mudar a fatiota da personagem. Devo também dizer que segundo a Level-5, além de toda a roupa que já existia no jogo, foram adicionados cerca de 50 novos fatos nesta versão Deluxe. Na mesma medida também é possível redecorar a nossa agência de detectives, mudar mesas, cadeiras, decorações, paredes, entre outras coisas (esses itens terás de adquirir no Layton Museum).

Mais uma vez vou ter de criticar o facto de o jogo não apresentar a língua portuguesa. Numa altura em a maioria dos jogos para as consolas concorrentes apresentam a língua portuguesa como opção de escolha, os jogos para a Nintendo Switch continuam a falhar nesse aspecto, exceptuando alguns indies, ou um ou outro jogo. Estamos a falar de um jogo que apresenta um grafismo muito cartonnesco, que provavelmente chama a atenção dos mais jovens e que por muitas vezes ainda não têm uma compreensão da língua inglesa na perfeição.

Graficamente o jogo está razoável, nota-se que o grafismo foi retocado em relação à Nintendo 3DS, mas de resto o conteúdo e a apresentação estão idênticos. Em muitos cenários até continuam a aparecer dois ecrãs, como acontecia na antiga portátil da Nintendo. Obviamente que não posso deixar de referir que as cinemáticas – essas sim – estão muito boas, deixando-nos empolgados e até surpreendidos com a sua qualidade em comparação com o resto do jogo.

Layton Mystery Journey: Katrielle and the Millionaires Conspiracy – Deluxe Edition é mais uma adaptação da Nintendo Switch, com alguns conteúdos especiais e algumas surpresas para os jogadores. Embora tenha algumas novidades não acredito que seja suficiente para que os jogadores que já o jogaram na Nintendo 3DS tenham vontade de o revisitar; aos novos na franquia e aqueles que nunca tiveram oportunidade de o jogar, poderá ser uma aquisição interessante.

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