Developer: Tarsier Studios
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 11 de Fevereiro 2021

Para muitos quando falamos de Suécia, uns lembram-se do IKEA, outros dos ABBA, mas para nós facilmente nos lembramos da Tarsier Studios e daquele que é o seu grande trunfo no mercado dos videojogos, o jogo Little Nightmares. Este pequeno estúdio sueco existe desde de 2004 e depois de ter trabalhado no franchise do Little Big Planet, foi criando a sua estrutura e apenas trabalhando nos seus próprios IP’s, como é o caso de Little Nightmares, cuja análise pode ser lida aqui.

Neste ano de 2021 acaba por chegar Little Nightmares 2, que dá continuidade ao excelente trabalho do primeiro jogo que contava a história de Six, uma criança com uma gabardina amarela e que durante essa jornada terá de superar vários medos e sair do pesadelo que estás a vivenciar. A Tarsier Studios volta a dar ao jogador a presença de Six, mas desta vez, ela não será a personagem principal, mas sim a nossa fiel companheira, numa aventura que agora é feita em par com Mono.

Mono é assim a nossa personagem, a que vamos comandar, isto porque Six estará sempre connosco nesta aventura e será fundamental em muitas das secções para chegarmos ao nosso objectivo, seja a dar-nos indicações do que fazer, a dar-nos apoiar para alcançar objectos e para, de forma coordenada, superarmos os obstáculos com que nos vamos deparando. Logo aqui já perceberam que existe uma mudança na componente da jogabilidade, que agora ganha novas mecânicas cooperativas com a presença de Six, para além de querer dizer também, que os puzzles se vão tornar mais complicados também, o que dá uma bose dose de desafio ao jogo. O facto de termos Six vem também ajudar na questão de que muitos jogadores se queixavam de não ter uma direção ou qualquer espécie de ajuda quando ficavam bloqueados num puzzle ou numa parte do cenário sem saber o que fazer, e agora Six terá sempre uma resposta para nos dar.

Vamos então enquadrar um pouco da história, já falámos de Mono, ele é um rapaz com uma gabardina estilosa e com um saco de papel na cabeça. Uma personagem que tem uma estranha ligação com televisores, com transmissões do além, pegando um pouco na imagética do The Ring, onde também aqui começamos a nossa aventura a sermos cuspidos de uma televisão.

Será logo no início do jogo que, numa espécie de tutorial, vamos descobrir Six aprisionada por um estranho e aterrador caçador, que, depois de salvarmos Six nos vamos literalmente caçar. Quando finalmente escapamos vamos viajar até uma cidade desolada e onde todos os habitantes viram a sua alma sugada, por uma estranha transmissão vinda de uma torre à qual vamos ter que chegar para desvendar a trama desta história. Essa mesma transmissão está de alguma forma ligada a Mono, mas também a Six, visto que a própria também está a começar a desaparecer, e mais não digo para não estragar a experiência.

Já falámos um pouco da jogabilidade, mas analisemos no seu todo. Em termos gerais os comandos são exactamente os mesmos, temos um botão para correr, outro para saltar e outro para agarrar nas coisas, até mesmo em Six quando ela está em perigo. A diferença está no facto de podermos agarrar objectos para lutar com eles, nada de muito complexo, e o esforço que Mono faz para os carregar demonstra, desde logo, que isso não é o principal no jogo, é apenas uma forma de Mono se defender.

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Os objectos são utilizados para, em alguns momentos confrontarmos os Bosses do jogo, outros perante inimigos, mais do nosso tamanho, dando sempre um momento em que o ataque deve ser desferido. Aqui o timing é fundamental, se falharmos, morremos, tão simples quanto isso. Outra das diferenças nesse capítulo tem a ver com, em determinado momento, vamos pegar numa lanterna, não só para iluminar o caminho, mas também para apontar para os inimigos, “congelando-os”. Apesar dos comandos parecerem algo básicos é a construção dos níveis que dá a riqueza a esta jogabilidade simples, com puzzles tanto a nível de cenários, como de mecânicas, tudo isto, apenas “sentindo” o que devemos fazer sem qualquer indicação, puxando pela cabeça, pela lógica e pela observação constante do espaço.

A diferença nos cenários, para além de serem muito mais trabalhados, é que permitem alguma exploração também no eixo Z. Não só na questão da verticalidade, mas propriamente na profundidade, com os cenários a permitirem “ir para dentro” e ganhando assim essa profundidade de exploração. Recordo que muito do jogo anterior permitia apenas correr em X e Y por corredores, o que minava um pouco a sensação de descoberta. Agora há corredores para subir, enquanto o caminho principal parece ser para a direita, chamando o jogador para a exploração e escondendo segredos que compensam a procura. Não só cosméticos como os chapéus, mas também deleites visuais, na forma de cenas com referências a vilões do passado, sombras de crianças que se perderam e mais quadros alegóricos sobre a nossa realidade.

Graficamente Little Nightmares 2 é uma obra de arte, uma arte abstracta, mas que guarda em si um sem número de referências, de easter egg’s, de reflexões invocadas, de psicologia social, de retratos da sociedade e paralelismos com os dias de hoje e o futuro da Humanidade. É fácil perceber as referências à massificação dos meios de comunicação, da inundação da informação nas cabeças dos miúdos no dia de hoje, assim como velhas tradições que teimam em não cair em desuso. O Bullying, os maus tratos, a pressão social, são apenas algumas das temáticas que vamos vislumbrar no jogo com esse arte conceptual abstracta, mas que de uma forma peculiar nos vai tocar nos pontos certos, e nos vai obrigar a reflectir de alguma maneira.

Little Nightmares 2 só peca por ser tão curto, a Tarsier Studios tinha prometido o dobro do tamanho do primeiro, mas concluímos o jogo em pouco mais de 5 horas e meia, o que não é o dobro do primeiro, e que nos deixa com um sentimento amargo de boca, porque queríamos jogar e jogar e jogar… Apesar disso, é um jogo que vamos recordar e guardar num local especial, porque não há nada que faça igual e com o mesmo desempenho que este Little Nightmares 2, é um daqueles jogos de culto.

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Fundador do Site - Salão de Jogos, o Commodore Amiga 500 foi o seu melhor amigo durante décadas e ainda hoje sabe de cor a equipa principal do Benfica do Sensible Soccer 94/95. Nos tempos vagos ainda edita as botas dos jogadores do FIFA e do PES.