Developer: 2K Czech e Hangar 13
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 19 de Maio de 2020

O anúncio de que a trilogia de Mafia seria novamente lançada, chegou com surpresa, e não demorou muito até que os dois últimos títulos da franquia ficassem disponíveis para comprar e jogar. Se o primeiro Mafia será refeito de raiz, num remake altamente antecipado, Mafia II e Mafia III receberam uma Definitive Edition cada um.

Ao contrário de Mafia III – que estará apenas incluído num pacote com conteúdo adicional –, Mafia II foi alvo de um remaster, que embora não seja uma transformação radical relativamente à versão original de 2010, surge ainda assim com um rosto ligeiramente renovado, tornando-se novamente apelativo para quem sempre teve curiosidade em jogar.

Mafia II dispensa apresentações. De forma geral, foi considerado na altura como o melhor jogo da série, e um dos grandes títulos da geração anterior. Muito especialmente pela sua interessante história, que acompanha a vida de Vito Scaletta após um regresso da Segunda Guerra Mundial, onde combateu em Itália, na Sicília. De volta a casa, decide assumir os problemas da família, que se vê amarrada pelas dívidas deixadas pelo falecido pai de Vito. Sem escolha, o protagonista não hesita em virar-se para uma vida de crime, onde terá de provar a sua capacidade para dar seguimento aos mais variados tipos de golpes.

Tendo em conta que a acção decorre num mapa de mundo aberto, é inevitável a comparação com GTA, porém, as semelhanças terminam por aí, já que em Mafia II a história é conduzida de modo muito mais linear. O mundo tem o único propósito de fornecer o espaço e o cenário para os contextos que envolvem o enredo. Infelizmente, pouco há que se possa fazer além do objectivo imposto, e andar livremente pela cidade de Empire Bay não tem grande propósito, a não ser para pequenas distracções.

Paga-nos o café hoje!

No entanto, o ritmo da história durante os 15 capítulos é fantástico e nunca sentimos que se esteja a arrastar. Introduz as mecânicas nos momentos certos e tudo acontece naturalmente, para que tenhamos tempo de ir conhecendo as restantes personagens.

A jogabilidade continua óptima e um dos motivos a justificar um retorno, mesmo dez anos depois. A condução é fantástica, especialmente nas fugas à polícia e até com uma maior dose de realismo em relação aos jogos da concorrência, porque até uma colisão frontal pode implicar a morte imediata. O sistema de cover torna os tiroteios empolgantes, que normalmente sucedem a um golpe que correu mal, e a única solução é abrir caminho recorrendo às balas.

O humor é uma parte integrante e importante de Mafia II, como é aliás habitual até em filmes que exploram o mesmo tema. O calão, as piadas e as situações rocambolescas, são capazes de provocar a gargalhada mais inesperada e uma das maiores razões para progredirmos rapidamente na história. É um jogo que apesar de não tentar ser cómico, tem o dom captar o drama daquele tempo e satirizá-lo com sabedoria.

Além da história principal, podem contar com as missões de três DLC’s. The Betrayal of Jimmy, Joe’s Adventures e Jimmy’s Vendetta são três expansões que apresentam pequenas e interessantes histórias adicionais para podermos continuar a mergulhar no submundo do crime organizado de Mafia II.

Os retoques gráficos podem não ser extraordinários, mas são mesmo assim evidentes. A nível de texturas nota-se uma razoável melhoria, e ajuda a reduzir a distância temporal de um jogo que já vai com uma década de existência. As sombras também levaram um ligeiro upgrade e dão toda a uma outra dimensão aos movimentos dos modelos. A banda sonora está de acordo com a época, com muitas músicas dos anos 40, e tem o efeito de nos transportar para um período muito particular da cultura americana. Os diálogos e as interpretações são uma das grandes conquistas de Mafia II, que parecem credíveis e têm o poder de nos aproximar das personagens.

Mafia II: Definitive Edition é um bom começo para quem quer experimentar a trilogia pela primeira vez e espera pelo remake do jogo original, em Agosto. Continua um título bastante interessante, e embora já sintamos que está datado em alguns aspectos, o remaster faz com seja uma viagem que ainda vale a pena.