Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch 2
Data de Lançamento: 12 de fevereiro de 2026
Por incrível que pareça, embora Mario seja uma daquelas personagens que associamos imediatamente aos clássicos jogos de plataformas, a verdade é que estamos perante um herói multifacetado, com franquias que abrangem praticamente todos os géneros imagináveis, desde aventura e RPG, passando pelas corridas, até ao desporto. Dentro desta vertente desportiva, há uma série que se destaca claramente das restantes, ou seja, Mario Tennis. Uma franquia com muitos anos de história, que foi conquistando cada vez mais popularidade a cada novo lançamento.
Quem não acompanha de perto jogos de ténis pode até estranhar, mas a realidade é que cada novo Mario Tennis é aguardado com grande expectativa por muitos jogadores. Uns são fãs incondicionais de Mario e do seu universo, outros sentem simplesmente a falta, no mercado atual, de um verdadeiro jogo de ténis arcade — algo que, neste momento, apenas Mario Tennis consegue oferecer de forma consistente. Mario Tennis Fever é o mais recente capítulo da série e, depois de várias horas a explorá-lo em todos os seus modos, torna-se evidente que este foi pensado para assumir uma posição forte dentro da franquia, apresentando uma evolução clara e assumida, ainda mais relevante por se tratar de um exclusivo da Nintendo Switch 2.
Desde logo, é importante deixar claro que, este é, muito provavelmente, o Mario Tennis mais recheado de conteúdo até à data. Seja pela quantidade de modos disponíveis, pelo número de personagens, pelas possibilidades oferecidas no online, pela diversidade de raquetes ou pelas diferentes variações de cada personagem, há aqui uma ambição que se sente em praticamente todos os aspetos. Confesso que fiquei completamente rendido ao jogo, mas importa também assumir que sou um apreciador de jogos de ténis, sobretudo daqueles com uma forte vertente arcade, que permitem partidas rápidas e acessíveis contra outros jogadores, privilegiando a diversão acima de tudo e evitando a frustração que muitos títulos excessivamente focados na simulação acabam por provocar.
Antes de entrar em detalhe nos modos de jogo, é importante falar da jogabilidade e das mecânicas, que são, sem dúvida, um dos pilares fundamentais para o divertimento de Mario Tennis Fever. Sendo um jogo claramente arcade, podem esperar uma experiência rápida, dinâmica e acessível, mas que ao mesmo tempo esconde mais profundidade do que aparenta à primeira vista.
O controlo do personagem é feito através do analógico, enquanto as diferentes pancadas estão distribuídas por vários botões. Temos batidas mais fortes, batidas mais fracas e golpes de colocação, sendo possível carregar a pancada ao manter o botão pressionado antes da bola chegar, resultando num remate mais potente. O jogo recompensa bastante o bom timing e o posicionamento em campo, não bastando apenas bater com força para ganhar pontos. Saber quando variar o ritmo, usar uma pancada mais colocada ou arriscar um golpe mais agressivo faz toda a diferença, especialmente contra adversários mais experientes.
Uma das alterações em relação a jogos anteriores prende-se com o lob e o amortie, que deixaram de ter um botão dedicado, passando a ser executados através de combinações sucessivas de botões. Confesso que, numa fase inicial, não fiquei totalmente convencido com esta mudança, mas ao perceber que era possível personalizar os controlos nas opções e associar botões específicos a essas pancadas, a experiência mudou por completo. A partir desse momento, a jogabilidade tornou-se muito mais fluida e intuitiva, melhorando significativamente o ritmo das partidas.
Para além da vertente ofensiva, a componente defensiva também tem um papel importante. Devido á sua velocidade permite recuperações rápidas que ajudam a responder a bolas mais difíceis e, muitas vezes, virar pontos que pareciam perdidos. Defender bem não só mantém nos mantem “vivos” no ponto, como também contribui para encher a barra de energia, incentivando um estilo de jogo mais equilibrado entre ataque e defesa.
O que realmente diferencia Mario Tennis Fever de outros jogos arcade de ténis são as raquetes e alguns campos. Existem raquetes especiais, conhecidas como raquetes eufóricas, que permitem executar Golpes Eufóricos capazes de alterar temporariamente o jogo a nosso favor ou contra nós. Estes efeitos são tão variados quanto caóticos, indo desde colocar fogo ou gelo no chão, espalhar cascas de banana pelo court, tornar o personagem invisível, criar obstáculos como pequenos vulcões, entre muitas outras possibilidades. Ao todo, existem várias raquetes diferentes, todas com efeitos únicos, que começam bloqueadas e vão sendo desbloqueadas de forma bastante acessível à medida que cumprimos objetivos no jogo.
Para ativar estes golpes especiais, é necessário acumular energia ao longo dos pontos, algo que acontece de forma natural durante as trocas de bola. Podemos armazenar até duas barras de energia e, quando ativamos o Golpe Eufórico, o risco entra em jogo. Para que o efeito seja aplicado ao adversário, a bola tem de bater no chão do lado oposto do court. Caso o adversário consiga devolver a bola antes disso e esta acabe por cair do nosso lado, o efeito inverte-se, fazendo com que sejamos nós a sofrer as consequências do golpe. Este sistema dá um tom estratégico interessante às partidas, onde o uso dos golpes especiais exige bom timing e leitura do jogo.
Outro elemento importante é o sistema de pontos de vida. Os Golpes Eufóricos e alguns obstáculos dos campos causam dano aos personagens, afetando diretamente o desenrolar das partidas. Em jogos de duplas, um personagem pode mesmo ser temporariamente retirado do campo quando a sua barra de vida é esgotada, enquanto em partidas a solo a penalização surge sob a forma de redução de velocidade e mobilidade. Este sistema faz com que o jogo seja ainda mais agressivo e tático, obrigando o jogador a ponderar bem quando atacar e quando jogar de forma mais segura.
Nos modos de jogo, a oferta é bastante robusta, transmitindo constantemente a sensação de que há sempre algo para nos divertirmos e que existem opções para todos os tipos de jogadores. O jogo começa desde logo com um pequeno tutorial, que serve para nos enquadrar nas suas mecânicas mais básicas, sendo depois encaminhados para o menu principal, onde todos os modos ficam disponíveis. Um dos modos que aconselho a experimentar desde cedo é o Modo Aventura, que funciona essencialmente como um tutorial avançado, acompanhado por uma história que serve de enquadramento e por uma série de pequenos desafios, quase como mini-jogos, enquanto nos ensina as mecânicas mais avançadas do jogo.
Desta vez, a história está ligada ao Torneio de Ténis do Reino Cogumelo, que estava prestes a iniciar-se, mas acaba por ser colocado em risco quando a Princesa Daisy adoece. Mario e os seus companheiros ficam sem saber como a ajudar a participar no torneio, até que Wario e Waluigi surgem com uma solução pouco convencional, trazendo um livro que fala da existência de uma fruta dourada mágica capaz de a curar.
É assim que o grupo parte na nave-balão da Princesa Peach em busca dessa fruta, chegando a uma ilha remota onde encontram uma gruta com uma árvore que guarda o precioso fruto dourado, que Mario e Luigi conseguem obter. O problema surge com a presença de Wario e Waluigi que, movidos pela sua habitual ganância, decidem procurar um tesouro escondido na gruta. Essa decisão acaba por libertar vários monstros que transformam magicamente os nossos heróis em bebés, nomeadamente Mario, Luigi, Peach, Wario e Waluigi.
Com o objetivo de recuperarem a sua forma normal, os cinco são levados para a Academia de Ténis, onde terão de voltar a ganhar força e perícia no court. A partir daqui o Modo Aventura estrutura-se como uma progressão gradual, começando nos escalões de juniores e avançando pelas séries E, D, C, B e A, preparando-nos para regressar à gruta e enfrentar os monstros responsáveis por toda a confusão. Durante esta fase existem vários momentos de diálogo que, por vezes, acabam por diminuir o ritmo da aventura, embora, após a conclusão da Academia, o jogo avance a uma velocidade bastante mais interessante.
Ao longo deste percurso vamos aprendendo todas as mecânicas fundamentais do jogo, desde os diferentes tipos de pancadas, das mais fortes às mais fracas, passando por lobs, smashes e amorties. Existem também vários mini-desafios para superar, partidas de ténis contra diversos adversários e até momentos jogados em dupla, nomeadamente ao lado de Luigi. Mais à frente na aventura surgem ainda algumas peripécias adicionais, com a entrada de Bowser e da sua companhia, mas essas surpresas ficam melhor guardadas para serem descobertas por quem jogar. Trata-se de um modo que pode ser concluída facilmente em cerca de três a quatro horas, o que ajuda a não cansar e revela-se suficiente para dominar tudo o que é necessário para depois usufruir dos restantes modos sem qualquer dificuldade.
Depois temos o Modo Torneio, onde podemos optar por jogar a solo ou em duplas. Cada uma dessas opções conta com três torneios distintos: a Taça Cogumelo, a Taça Flor e a Taça Estrela, sendo que a dificuldade aumenta de forma gradual entre elas. Independentemente da taça escolhida, todos os torneios começam sempre nos quartos de final, o que significa que teremos de vencer três partidas consecutivas para levantar o troféu.
Segue-se o Modo Missões, que também pode ser jogado a solo ou em duplas. Aqui o objetivo passa por enfrentar três torres diferentes, cada uma composta por dez desafios. Estes desafios são bastante variados e nem sempre se resumem a um jogo de ténis tradicional contra um adversário, focando-se muitas vezes em cumprir objetivos específicos. É um modo ideal para testar o domínio das mecânicas do jogo, desde as batidas ao posicionamento em campo, sem a pressão constante dos torneios ou do online.
Existe ainda o Jogo Livre, que permite partidas a solo ou em duplas, dando total liberdade ao jogador para personalizar a experiência. Aqui podemos escolher se queremos jogar com as raquetes eufóricas ou apenas com raquetes normais, bem como definir a duração das partidas, incluindo o número de sets, de jogos por set e até a ativação ou não de tiebreaks.
Outro modo disponível é o das Gincanas, que se divide em duas vertentes: Partidas Especiais e Desafios de Pontos. As Partidas Especiais apresentam jogos com regras e campos bastante fora do habitual. Podemos encontrar partidas onde o objetivo é acertar em aros colocados na rede que divide o court, outras em que surgem Plantas Piranha que, ao apanharem a bola, fazem crescer o tamanho do campo, ou ainda partidas em que o court funciona como uma máquina de pinball, com a bola a ressaltar em vários elementos e a mudar constantemente de trajetória. Há também partidas onde surgem raquetes especiais espalhadas pelo campo que nos permitem usar o Golpe Eufórico, bem como um campo inspirado em Super Mario Bros. Wonder, onde acertar na Flor Fenomenal transforma completamente o cenário.
Já nos Desafios de Pontos, como o nome indica, o objetivo passa por acumular o maior número de pontos possível. Existem três tipos de desafios distintos, um focado em acertar nos aros que surgem na rede, outro em que uma Planta Piranha envia bolas constantemente para o nosso campo e temos de responder com pancadas que o adversário não consiga devolver, e por fim o Autoténis, onde o objetivo é acertar em zonas específicas do court para somar pontos.
Tanto o modo Gincanas como o Modo Missões são adições muito bem-vindas, recheadas de desafios pensados para testar os jogadores, mas sempre com uma forte componente de diversão. São modos onde as condições podem mudar em tempo real, com a introdução de obstáculos, efeitos inesperados e mecânicas que nos obrigam a adaptar constantemente a nossa forma de jogar. É interessante perceber como, mesmo sendo um jogo de ténis, existe uma clara inspiração nos jogos principais de Mario, não só nos courts, mas também nas raquetes e nos golpes especiais, transformando completamente a experiência nestes modos.
Por último, temos o Modo Realista, que utiliza os controlos de movimento do Joy-Con para rebater a bola, enquanto o personagem se move automaticamente pelo campo. É possível também usar o analógico para controlar o movimento, mas isso pode tornar a experiência algo caótica, já que exige coordenação entre os movimentos físicos e o controlo tradicional. Apesar de ser um modo divertido e descontraído, é importante referir que, para quem gosta de ter total precisão no que faz, este não será o modo ideal.
Praticamente todos os modos de jogo, com exceção do Modo Aventura, podem ser jogados em multijogador local, o que torna Mario Tennis Fever uma excelente opção para sessões a dois ou até quatro jogadores no mesmo espaço. Esta vertente local continua a ser um dos grandes pontos fortes da série, mantendo o espírito descontraído e competitivo que sempre caracterizou os jogos de ténis do Mario.
Para além do multijogador local, existe também a componente online, que está dividida entre partidas classificatórias e a criação de salas. Nas partidas classificatórias, encontramos quatro tipos diferentes de confronto: partidas a solo com e sem raquetes eufóricas, e partidas em duplas, também com ou sem raquetes eufóricas. À medida que vamos vencendo ou perdendo jogos, a nossa classificação vai sendo ajustada, tanto em termos de patamar — como B, B+, A e assim sucessivamente — como através de uma pontuação numérica. Para além disso, o jogo apresenta ainda a nossa posição a nível mundial.
Este sistema de classificação funciona muito bem para garantir partidas equilibradas, colocando-nos frente a jogadores com níveis de habilidade semelhantes. Ao mesmo tempo, serve como um incentivo constante à melhoria, já que a progressão ou descida na classificação reflete diretamente a nossa perícia dentro de campo.
Na opção de criação de salas, temos total liberdade para organizar partidas online a solo ou em duplas, definindo todas as regras ao nosso gosto. As salas podem ser públicas, privadas ou visíveis apenas para amigos, tornando este modo ideal tanto para partidas casuais como para sessões mais competitivas combinadas previamente.
Ainda dentro da vertente multijogador, Mario Tennis Fever permite jogar localmente entre várias consolas Nintendo Switch 2, bem como recorrer à funcionalidade GameShare, possibilitando que outros jogadores participem mesmo sem possuírem o jogo.
O elenco de personagens é também bastante grande, muito provavelmente o maior da história da franquia, como também um dos mais variados em termos de estilo de jogo. A cada personagem sentem-se diferenças em campo, seja pela velocidade, força, alcance ou facilidade de execução das pancadas, o que faz com que a escolha do jogador tenha um impacto real na forma como jogamos. Existem personagens mais acessíveis e equilibrados, ideais para quem está a começar, e outras claramente mais técnicas, que obrigam a ter um posicionamento e um melhor domínio da batida que é melhor para cada bola.
No total estão disponíveis 38 personagens, sendo que 20 deles precisam de ser desbloqueados, sendo possível consultar no próprio jogo o que é necessário para o fazer. Estes desbloqueios vão desde a realização de uma determinada quantidade de partidas até à conclusão de modos de jogo específicos. Como é fácil imaginar, trata-se de um conjunto vasto de personagens bem conhecidas do universo de Super Mario, incluindo nomes como Mario, Peach, Yoshi, Luma, Birdo, Goomba, Diddy Kong e até as versões Bebé de Mario, Luigi, Peach, Wario e Waluigi. Cada personagem possui atributos próprios que se refletem de forma clara em campo, destacando-se quase sempre num determinado tipo de batida. Luigi, por exemplo, beneficia de slices mais potentes, Shy Guy revela-se particularmente eficaz com topspins agressivos, enquanto Birdo executa amorties com grande facilidade e consistência. Estes exemplos demonstram bem como o estilo de jogo pode variar de forma significativa consoante a personagem escolhida, indo muito além da simples leitura dos gráficos de estatísticas.
Os campos também apresentam uma grande variedade, existindo 14 courts completamente diferentes, cada um com características próprias que influenciam fatores como a velocidade que a bola ganha e o ressalto da bola no piso, que varia bastante de campo para campo. Para além destas diferenças no comportamento da bola, existem courts mais tradicionais, mas também outros que oferecem variações muito mais acentuadas graças ao tipo de terreno e aos efeitos que nele ocorrem, capazes de alterar por completo o desenrolar de uma partida. Em alguns casos, o court pode ser, por exemplo, de areia, noutros de terra batida, pedra, gelo, madeira ou carpete, entre outros, contribuindo para uma experiência sempre distinta e imprevisível.
Em termos gráficos, o jogo é verdadeiramente bonito, conseguindo combinar cores vibrantes com excelentes animações das personagens, dos efeitos visuais e das batidas especiais. Cada court apresenta detalhes únicos, tanto ao nível do piso como dos elementos à sua volta, ajudando a criar ambientes visualmente distintos e interessantes, tornando cada campo verdadeiramente único. As personagens estão muito bem modeladas, com animações de grande qualidade, e os efeitos das pancadas e das interações com a bola estão particularmente impressionantes. Em alguns momentos, sobretudo devido aos efeitos visuais do Golpe Eufórico, pode tornar-se menos claro se o adversário conseguiu ou não devolver a bola, criando situações ligeiramente mais caóticas. Ainda assim, fora esses momentos pontuais, o restante trabalho gráfico é irrepreensível.
Ao nível sonoro, o jogo acompanha na perfeição a ação em campo, contribuindo de forma clara para dar ainda mais vida às partidas. A banda sonora mantém o tom leve e divertido característico da franquia, alternando entre temas mais calmos nos menus e músicas mais animadas durante os encontros, sem nunca se tornar repetitiva ou cansativa. Os efeitos sonoros ambientais, como o som da bola a bater nos diferentes pisos ou as reações das personagens quando sofrem dano provocado pelos Golpes Eufóricos, estão muito bem conseguidos, ajudando a criar uma experiência que complementa de forma eficaz o gameplay.
Mario Tennis Fever é daqueles jogos que qualquer fã de títulos arcade de ténis vai querer experimentar. Consegue combinar na perfeição diversão imediata com mecânicas simples e acessíveis, permitindo que tanto jogadores mais experientes como novatos comecem a divertir-se nos primeiros instantes de jogo. A grande variedade de personagens, raquetes, campos e modos de jogo demonstra bem a evolução contínua desta franquia, refletindo mais uma vez o trabalho exemplar da Nintendo. Trata-se sem dúvida de uma excelente adição às celebrações do 40.º aniversário de Super Mario Bros.















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