Developer: Insomniac Games, Nixxes Software
Plataforma: PC
Data de Lançamento: 18 de Novembro de 2022

Os exclusivos são a grande bandeira da PlayStation. São inúmeras as personagens criadas ao longo de todos estes anos que se tornaram relevantes para a cultura pop graças à empresa japonesa. E embora o Spider Man até já existisse antes de sequer a primeira consola da Sony ter surgido, a verdade é que hoje está sob a alçada da exclusividade dos PlayStation Studios, que explora neste momento a sua propriedade intelectual.

Todavia, olhando para todos os videojogos até hoje lançados que se aventuraram nas histórias do Spider Man, foi, sem dúvida, o título de 2018 que tornou esta franquia num dos principais IP’s da marca nipónica. A Insomniac soube capturar de forma extraordinária tudo o que compõe a personagem, não só naquilo que significa como super-herói, mas especialmente no que é ser realmente o homem aranha em termos de simulação e jogabilidade.

Em 2020, com o lançamento da PlayStation 5, o Marvel’s Spider-Man: Miles Morales foi anunciado para acompanhar a estreia da nova consola. Era um DLC em modo stand alone que usava o anterior motor de jogo, mas introduzia uma nova personagem, outra história, assim como habilidades inéditas. Mais uma vez, o seu sucesso ficou à vista, o que originou que fosse agora lançado igualmente para PC, seguindo o recente caminho de vários outros exclusivos PlayStation Studios.

Não tem a mesma duração do seu antecessor, no entanto, ainda proporciona cerca de aproximadamente 8 horas para jogar caso queiram focar-se na unicamente na história. Por outro lado, se quiserem dedicar-se simultaneamente aos objectivos secundários e a todos os extras, o tempo de jogabilidade por alargar-se das 12 às 18 horas, o que mostra como ainda há aqui bastante para entreter os jogadores. É, portanto, imperdível para quem gostou do primeiro jogo, uma vez que tem aqui um prolongamento de tudo o teve êxito no original, sendo ainda uma demonstração do poder da nova geração.

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Depois de Miles ter despertado os primeiros super-poderes, e de os ter revelado no final em Marvel’s Spider-Man a Peter Parker, parece que nem tudo é fácil como ele pensaria. Peter tem sido uma espécie de tutor de Miles, ensinando-lhe o que significa ser verdadeiramente um super-herói e um guardião da cidade, mas dando-lhe simultaneamente tempo para que ele ganhe a confiança necessária sem grandes pressões. Contudo, tudo isso está prestes a mudar, porque até Peter Parker precisa de férias, e deixa Harlem entregue à responsabilidade de Miles.

Ainda que inseguro, o novo homem aranha não vira a cara à luta, e assume o voto de proteger a cidade com a sua vida. Claro que está tudo menos preparado para a ocasião, mas esse é um dos maiores interesses de toda a direcção narrativa, que vê o nosso Miles a tentar dar não só dar uma boa resposta no combate ao crime, mas também a tentar resolver problemas mais pessoais com amigos velhos amigos, e segredos muito bem guardados dentro da sua própria família.

A história de Miles Morales vê a contenda já muitas vezes visitada de quando as boas intenções sociais se deparam com a enorme barreira do dinheiro, do poder e da ganância. A linha que se deve cruzar nem sempre é concreta, e fica difícil saber quando depois é altura de parar. O jovem Miles sabe-o, e a sua maior luta será a de enfrentar algumas das pessoas mais importantes para si que a dada altura perderam o rumo, e deixaram-se contaminar pelo ódio e pela vingança. Esta é uma perspectiva que atribui uma dose de profundidade à história, e que certamente irá manter os jogadores interessados nos constantes desenvolvimentos que nos estão reservados.

A dinâmica da jogabilidade será em muito idêntica ao jogo anterior, onde, além de seguirmos a história principal, iremos dividir o nosso tempo entre missões secundárias, e outros objectivos espalhados pelo mapa que estarão relacionados com o sistema de progressão do jogo. Alguns já vimos antes, mas outros terão um formato ligeiramente diferente, embora numa lógica bastante familiar. A fantástica mobilidade só ao alcance de Spider Man está igual, mas com algumas afinações, essencialmente na fluidez da câmara.

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Porém, é provavelmente nos poderes de Miles que se traça a grande diferença para o anterior Spider Man. O novo herói tem uma relação muito particular com a electricidade, e é logo no início que descobre que poderá usar isso em seu favor. Estas novas habilidades – às quais o protagonista chama de Venom Skills – vão permitir-lhe um enorme leque de soluções para lidar com os inimigos mais fortes, ganhando assim uma versatilidade que nem Peter Parker mostrou ter até aqui.

Os efeitos são espetaculares, e o seu poder quase ilimitado. Por vezes, será a única opção para conseguir furar a defesa de determinado tipo de inimigos, mas não terá apenas essa finalidade, já que servirá similarmente para controlo de grupos. Tornou-se assim muito mais simples lidar com mais do que um oponente ao mesmo tempo, e claro, sempre com o estilo habitual. É, sem dúvida, um avanço relativamente ao combate do título original, e uma novidade da qual os jogadores gostarão.

E não é só, porque também existe outro super-poder inédito e muito útil, em especial para situações que requerem uma abordagem mais stealth – a camuflagem. É verdade, Miles pode ficar transparente durante uma curta duração e evitar desse modo a atenção de quem estiver a patrulhar o local, mas também escapar das alturas de maior aperto que lhe permitirão sobreviver no limite. Tal como no caso das Venom skills, terá a sua própria skill tree que terá diversas variantes para investir conforme nos seja mais conveniente.

 Se o gameplay já estava bom em Marvel’s Spider-Man, agora está ainda mais afinado. E juntando o imenso poder e a flexibilidade de das habilidades Venom à agilidade característica do homem aranha, então podem esperar sequências de combate incríveis que nos levarão a completar várias das actividades ao longo da cidade de maneira a que possamos ficar cada vez mais poderosos e com ferramentas para cada circunstância. É simplesmente fantástico como a estúdio soube combinar as cutscenes com os momentos de maior acção, tornando o drama, a adrenalina e a acção como um só organismo perfeitamente desenhado.

Mas estas novas skills têm ainda outra utilidade, ou seja, na resolução de quebra-cabeças. A capacidade que Miles tem em conduzir electricidade será crucial para solucionar certos puzzles e podermos avançar na história. E embora não sejam demasiado complexos, alguns não são imediatamente evidentes, o que, ainda assim, nos obrigará a pensar um pouco sem frustrar. É aspecto muito comum nos exclusivos mais indispensáveis dos PlayStation Studios, e algo em que têm vindo a melhorar de jogo para jogo, de forma a que se misture cada vez mais como parte da narrativa.

No aspecto visual, vamos ter a possibilidade de experienciar o jogo com uma qualidade absolutamente incrível. Será nesta plataforma que, com uma máquina poderosa, Marvel’s Spider-Man: Miles Morales poderá atingir todo o seu potencial gráfico, e opções não faltam. Como é possível ver mais em baixo, além das opções mínima e recomendada – que serão perfeitas para quem tem máquinas mais modestas –, será quando escolhemos os modos Very High, Amazing Ray Tracing e Ultimate Ray Tracing, que ficaremos completamente fascinados a andar pelas ruas de Nova Iorque. Se se o jogo já era incrível na sua versão PlayStation 5, confesso que vê-lo a correr num PC de topo, com uma framerate alta, e todos aqueles efeitos do Ray Tracing nos vidros dos edifícios, é de ficarmos boquiabertos.

Também recomendamos que consigam manter uma framerate sempre acima dos 60 FPS, nem que para isso tenham de diminuir um pouco a qualidade gráfica. É um jogo que, por muito bonito que seja, a acção frenética deve ter sempre prioridade, de maneira a desfrutarem dele da melhor maneira. Outra coisa que me agradou foi a novidade de podermos jogar em formato ultra-wide, algo que infelizmente não era possível de usufruir na versão consola. As proporções disponíveis são a de 16:9, 16:10, 21:9, 32:9 e 48:9, ou seja, opções suficientes para se ajustarem a qualquer monitor.

Para quem prefere resoluções altas, a possibilidade de 4K também é obviamente selecionável. E nem precisam de uma máquina do outro mundo, o problema coloca-se apenas quando ligam as opções de Ray Tracing, e aí, para correr o jogo nessa resolução e com o Ray Tracing activado, já nos será exigida uma máquina extremamente potente, principalmente no que diz respeito à placa gráfica. Seja como for, se tiveram a possibilidade de jogar o jogo num PC com capacidade para tal, não pensem duas vezes, porque vai valer a pena.

Marvel’s Spider-Man: Miles Morales pode não ter a mesma duração do jogo-base, mas em tudo o resto proporciona a mesma qualidade de entretenimento, e em alguns parâmetros até melhor. No aspecto visual é claramente onde teremos a experiência mais avançada, com uma imersão num título da franchise que conhece aqui o seu auge.

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