Developer: Piranha Games
Plataforma: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series e PC
Data de Lançamento: 23 de setembro de 2021

Acho que para qualquer jovem a ideia de entrar dentro de um robot e de comandá-lo é um sonho que faz parte da sua imaginação. Eu não fujo a essa “regra” e sempre gostei desse tipo de jogos, apesar de, nos últimos tempos não terem surgido assim tantos, e sendo os mais memoráveis o Titanfall ou o Gundam.

Agora chegou-me às mãos este MechWarrior 5: Mercenaries, que apesar de não ser novo, tendo saído no final de 2019 para PC e em maio deste ano para a Xbox One e Xbox Series, só agora é que chegou para a PS4 e PS5, sendo nesta última a plataforma em que analisámos.

MechWarrior vem do universo BattleTech, um jogo de 1984, portanto com a minha idade, onde mergulhávamos num universo de guerra e ficção científica que foi ganhando proporções bíblicas com expansões, livros, jogos de tabuleiro e videojogos,  talvez o mais conhecido seja o homónimo de 2018 e lançado para PC.

A versão de consola deste jogo foi sempre vista como uma espécie de spin-off e com o nome de MechWarrior, que curiosamente 26 anos regressa finalmente às consolas PlayStation.

A história do jogo vai um pouco contra corrente, onde nao somos o soldado que vai ter um papel importante em trazer paz ao mundo ou à galáxia, mas sim um jovem piloto, filho de um famoso herói de guerra que lidera o seu próprio grupo de mercenários. No entanto, o seu pai é assassinado e com ele o segredo que carregava e vai ser o seu próprio filho que o vai ter que desvendar enquanto lidera o grupo de mercenários em busca de vingança.

Basicamente vamos ter que construir a nossa própria fação no jogo, criando alianças com outras ou não, completando contratos para aumentar a nossa reputação, acumular recursos e expandir o nosso grupo de mercenários e de Mechs.

O formato de aumentar a reputação é definido por nós, isto é, podemos apenas andar atrás de contratos ao longo da Inner Sphere e completá-los, ou podemos tentar criar uma aliança com uma outra fação para aumentarmos exponencialmente a velocidade com que o fazemos. Aqui encontramos também um problema, porque ao fazer contratos para outras fações, essas vão-nos pagar menos e vão-nos cobrar muito mais pelas reparações do nosso Mech. O bom de nos juntarmos a outra fação é que podemos também ganhar novos Mechs por completarmos objetivos.

Apesar de estarmos a falar de Mechs e de lutas de robots e afins, o jogo tem muitos elementos de gestão embutidos. Podemos negociar os contratos com pontos de negociação para tentarmos conseguir uma melhor recompensa, temos também os pilotos que se juntam a nós onde vamos acompanhar a sua evolução e se tiram o melhor das suas habilidades. Temos a componete monetária, isto é, se temos dinheiro para pagar aos pilotos que temos, as despesas com as viagens que fazemos, a reparação do nosso Mech e dos nossos pilotos, etc.

Não é que seja um simulador, mas sente-se que existe uma grande componente de gestão no jogo e também durante a jogabilidade onde comandamos o nosso Mech. Desde logo os seus comandos são muito mais duros, simulando o peso e a mobilidade que teriam na realidade. A mecânica do Mech acaba por também trazer esse sentimento com a divisão das zonas do corpo, onde cada analógico controla uma parte do Mech (pernas no esquerdo, torso – e, consequentemente, a câmera – no direito) e depois botões específicos para cada uma armas, para além de comandos para mudar aspectos técnicos e para dar comandos para a IA que te acompanha.

Em termos de câmara podemos optar entre a de primeira ou terceira pessoa, cada uma com suas vantagens. Controlar o Mech é muito mais fácil em terceira pessoa, mas a imersão é muito superior em primeira pessoa. De qualquer forma, o mini-mapa auxilia bastante, já que está sempre presente uma seta (indicando a direção para onde estão as pernas viradas) e um cone (indicando a visão do cockpit).

Controlar os Mechs é no mínimo interessante. É uma experiência realmente diferente de outros jogos, já que há realmente um peso na sua movimentação sem qualquer tipo de graciosisdade, é apenas um rasto de caos e destruição.

Existem, é claro, Mechs mais leves e móveis e outros mais pesados e com armas mais poderosas. Um dos elementos mais interessantes de MW5 é a vasta quantidade de Mechs que podemos desbloquear ao longo do jogo, para além do impressionante número de equipamentos que são adquiridos, permitindo customizar o nosso robô da forma que quisermos.

Construir um Mech com os armamentos e peças que melhor se encaixam no vosso estilo de jogo é muito importante, especialmente para os combates mais exigentes. Em termos gerais as missões levam-nos a enfrentar uma série de pequenos inimigos (tanques, torretas e helicópteros) até eventualmente enfrentar outros Mechs.

A parte mais interessante de MechWarriors 5: Mercenaries é que podem jogar em formato co-op. Podem-no fazer com até mais 3 amigos, o que torna as sessões bastante divertidas e caóticas, mas os Mechs que os vossos amigos utilizarem são aquele que tivermos disponível no nosso armazém e não aqueles que eventualmente tenham no seu jogo. Outro dos aspectos positivos é o crossplay para todas as plataformas, isto é, podem jogar com amigos de outras consolas ou PC em formato co-op. Se não tiverem amigos, mas tiverem Mechs, podem jogar com a IA a controlar esses mesmos Mechs e ajudar-vos nas vossas missões, e posso dizer que são bastante competentes nisso.

Eu diria que um dos elementos menos positivos do jogo é mesmo a repetição das missões. São bastante parecidas umas com as outras e o esquema é sempre o mesmo: fazer contratos até chegar a determinado nível de reputação para passar para o seguinte e desbloquear o capítulo seguinte. Em termos gráficos apesar de não ser um portento, notou-se algum cuidado nesta versão para a nova geração de consolas, nomeadamente na qualidade das texturas e dos efeitos de iluminação.

MechWarrior 5: Mercenaries é um bom jogo para quem gosta do universo Battletech, tem um preço relativamente baixo (29.99€) e gratuito no Game Pass, e merece ser experimentado, especialmente pelos fãs da saga, pelos fãs de fição científica e por aqueles que acompanham este universo e gostam de Mechs de toda a maneira e feitio.