Developer: Big Village Games
Plataforma: Xbox One, Xbox Series, PlayStation 4, PlayStation 5 e PC
Data de Lançamento: 26 de Novembro de 2021

Um novo género de videojogos tem vindo a ganhar espaço nos últimos anos, e embora o estilo não seja a prioridade na hora de escolhermos um novo jogo, quando se trata de diversão rápida em que vários jogadores podem participar, nada consegue bater este conceito. Sim, estou a falar de jogos como Overcooked e Moving Out, que têm agora mais um concorrente no mercado com Merek’s Market, que foi desenvolvido e publicado pelo estúdio Big Village Games.

Além de extremamente divertido, este tipo de jogo é bastante exigente do ponto de vista cognitivo, porque pede uma boa memória, uma leitura rápida, e uma capacidade de planear praticamente em tempo-real. Merek’s Market partilha de todos esses elementos, e ainda acrescenta os seus, divergindo em vários pormenores daqueles nos quais se inspira, sendo que algumas ideias funcionam bem, outras nem tanto.

À primeira vista são inegáveis as semelhanças com Overcooked, no entanto, em vez de uma cozinha temos uma oficina. As dinâmicas da jogabilidade, as mecânicas básicas e a própria disposição do estabelecimento são muito similares entre os dois jogos. Neste caso iremos controlar Marek, um humilde vendedor que tenta vencer a concorrência de um desagradável rival que de tudo fará para afastá-lo do negócio.

Essa é a grande diferença, já que em vez de cozinharmos para o cliente, vamos ter de lhe fabricar os itens que pedir. Como é passado num período aparentemente medieval, iremos ter de criar coisas como espadas, bastões, escudos, vasos, e muito mais, o que requer que sejamos mestres no nosso ofício. De resto, é muito parecido a Overcooked: vemos o pedido; vamos buscar os materiais necessários; trabalhamos a matéria prima (seja no forno ou na bancada); entregar o resultado final ao cliente; e recebemos o pagamento. Tudo dentro de um tempo limite.

Esse é o ciclo normal do gameplay, e relativamente simples de aprender. A dificuldade está quando os pedidos se tornam mais complexos e os clientes começam a amontoar, insatisfeitos. Como não nos lembramos de tudo o que é preciso para craftarmos o produto em questão, temos um livro de receitas para consultar que nos ajudará. Mas já sabem, é tempo gasto que poderá ser fundamental para conseguirmos a pontuação que desejamos e alcançar o bronze, prata ou ouro. Nesse sentido, o melhor é mesmo memorizar pelo menos algumas receitas para que possamos poupar uns segundos quando esses artigos nos são solicitados.

Tempo é dinheiro, e aqui é levado muito a sério. Quanto mais demorarmos a atender os clientes, maior a probabilidade de mostrarem a sua insatisfação e abandonarem a loja. Para complicar as coisas, na altura e que é efectuado o pagamento, teremos um minijogo em forma de uma sequência de botões a serem pressionados, que se não acertarmos à primeira, diminui a quantia que receberemos do cliente.

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 São esses momentos de atrapalhação que se tornam hilariantes, principalmente quando acontecem em modo cooperativo. Sim, aqui existe uma campanha singleplayer com 50 níveis, e é possível completar tudo a solo. Todavia, é com companhia, coordenando as acções de todos os envolvidos que realmente brilha. A campanha co-op tem 40 níveis, e é possível jogarem até quatro jogadores simultaneamente, o que faz deste jogo ideal para juntar a família, ou um grupo de amigos.

Mas olhando para a campanha, em Merek’s Market não somos artesão, mas também vendedores. Ocasionalmente temos cutscenes em que dialogamos com os clientes, onde estes entram na nossa loja com o propósito de comprarem um artigo específico. É só seleccionar depois o produto pedido de entre uma pequena lista, e depois regatear o preço com o cliente de maneira a que ambas as partes fiquem satisfeitas. Confesso que foi uma mecânica que achei estar a mais e não compreendo bem a sua utilidade, uma vez que até nos distrai do mais importante e corta ligeiramente o ritmo do jogo.

À medida que vamos avançando nas campanhas, também a nossa loja vai crescendo e o catálogo de produtos que podem ser criados e vendidos, e para isso suceder, vamos passar por stages especiais onde ver-nos-emos obrigados a construir itens únicos, como uma estátua enorme, por exemplo. Adicionalmente, vamos ganhando igualmente habilidades, como a de correr mais rápido, ou saber antecipadamente o que um cliente pretende, ajudando imenso quando as coisas começam a ficar apertadas. É uma característica do jogo que funciona muito bem, e oferece uma genuína sensação de progressão, mudando a forma como jogamos daí para a frente.

É nestes aspectos que se diferencia dos Marek’s Market se diferencia dos seus concorrentes. O estúdio tomou um conjunto de boas decisões, algumas delas arriscadas, mas que evitar serem classificados como meros clones de Overcooked. Optou por alguns caminhos muito peculiares, que de certo modo abrem portas para que também outros possam evoluir dentro do mesmo género.

Graficamente está aceitável para aquilo que pretende proporcionar. Um estilo vibrante e colorido, que encaixa bem no caos e na comédia da proposta; não é incrivelmente detalhado, mas também não é o que mais se exige aqui. A banda sonora é o esperado neste tipo de jogos, ou seja, animada e espirituosa, que ajudam a puxar a gargalhada nos momentos mais caóticos.

 Merek’s Market é um daqueles jogos que que devemos ter sempre de reserva para quando nos queremos distrair em companhia. Por outro lado, a campanha a solo permite que não estejamos dependentes de outros jogadores para podermos jogar. É cómico; é divertido; e foi uma óptima surpresa.