Developer: 4A Games
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 15 de Fevereiro de 2019

Embora faça parte de uma trilogia, e continue a história a partir do final de Metro: Last Light, o terceiro jogo da 4A Games, Metro Exodus, chega com uma premissa bastante diferente dos seus antecessores.

Artyom ainda não abandonou a ideia de conhecer o que existe para além do submundo do metro de Moscovo, e por mais que a sua esposa Anna, pressionada pelo seu pai e comandante de Artyom, tentem convencê-lo do contrário, o nosso protagonista não aceita que a ideia do seu futuro possa ser tão redutora.

Eventualmente, após uma missão que corre mal, Artyom e Anna descobrem da pior forma que não lhes estava a ser contada toda a verdade, e acabam por constatar que existe todo um mundo lá fora. Mas aí surge um dilema, porque se por um lado o maior desejo de Artyom poderá estar agora ao seu alcance, por outro, entende que a partir desse momento, a segurança daqueles que lhe são mais importantes está seriamente ameaçada.

Com os seus horizontes alargados, Metro Exodus também muda a sua abordagem e oferece possibilidades diferentes daquelas encontradas nos títulos anteriores. Onde antes tudo estava construído para ser seguido de um modo mais linear, agora é mais livre, quase em mundo aberto. Um passo arriscado para um nome que tem conquistado um espaço de culto no mercado dos videojogos, mas que funcionou em pleno. Na realidade, será difícil imaginar outro título da saga que não nestes moldes.

Não é um open-world na totalidade, no entanto, os mapas são mais amplos, e tudo está desenhado no sentido de convidar o jogador a explorar e a viver as particularidades de uma maneira mais profunda. Um acréscimo à qualidade da história que já dispensa apresentações, e não tenho dúvidas que Dmitry Glukhovsky – o autor russo dos livros que deram origem à saga – se sente orgulhoso com o trabalho desempenhado pela 4A Games, sendo que dificilmente encontraria melhor homenagem à sua obra.

As principais personagens têm identidades muito próprias, o que leva a que as relações que vamos desenvolvendo ao longo do jogo tenham um significado emocional fundamental para o envolvimento com a história; e os momentos da colocação das cutscenes foram escolhidos com mestria e subtileza tornando Metro Exodus num jogo orgânico entre a jogabilidade e a narrativa.

O ambiente inóspito de um cenário pós-apocalíptico está representado na perfeição, e o mais interessante é observar as consequências do isolamento, e como as comunidades tiveram de se transformar para conseguirem sobreviver. E quando pensamos mais a fundo, constatamos que certos detalhes têm tanto de inteligente, como de assustador.

As áreas para explorar tanto vão dos pântanos circundantes do Rio Volga, como ao outrora mar Cáspio, que secou e é agora um deserto. Algumas mais abertas, e outras mais lineares, estas com um foco maior no progresso da história. E essa é uma das suas grandes riquezas, visto que além de evitar aquela sensação de repetição que afectam muitos open-worlds, sentimo-nos sempre como parte integrante da história.

Porém, apesar das diferenças para Metro 2033 e Metro: Last Light, mantém as principais características que tornaram a série numa das mais importantes referências dos FPS dos últimos anos, e mais em particular, os elementos de horror survival que fazem de Metro Exodus um jogo que, mais do que jogar, vive-se.

A atmosfera pesada, o silêncio suspeito e apenas interrompido por aquele grunhido que soou perto demais, a paranoia que aos poucos vai tomando conta da nossa imaginação. À ansiedade constante junta-se a escassez de recursos, que têm de ser sempre muito bem calculados a cada expedição. Nesse sentido, dois aspectos ganham uma importância extrema: analisar bem o terreno de maneira a sabermos como evitar os perigos, e o sistema de crafting, onde a partir da nossa mochila, podemos criar coisas como medkits, munições e filtros para a máscara. Escusado será dizer que, não só teremos de aprender a poupar, como tudo o que encontrarmos pelo caminho será absolutamente precioso e terá um papel decisivo nas nossas hipóteses de sobrevivência. Planear é crucial.

Visualmente está espantoso, e mostra como o Ray Tracing é inevitavelmente o futuro. Os efeitos de luzes surpreendem até os olhos mais cépticos, e quase podemos dizer que se aproxima do fotorrealismo. Se experiência já seria intensa, com a qualidade das texturas e de todos os pormenores que podemos encontrar em Metro Exodus, torna-se verdadeiramente inesquecível, e completada com uma componente sonora cujo objectivo é apenas deixar-nos desconfortáveis.

Não sabemos se será o último título da saga, contudo, se tivesse de acabar por aqui, esta seria certamente a despedida que todos os fãs desejariam. Metro Exodus é fantástico, e coloca a fasquia bem alto e difícil de igualar para o que resta de um ano recheado de vários lançamentos sonantes.