Developer: Nintendo
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 8 de outubro de 2021

Foi há 35 anos que o primeiro Metroid foi lançado no Japão (1986), e mais tarde chegaria à Europa (1988) e à América do Norte (1987). Estávamos, portanto, na grande época da NES, e foi aí que Samus Aran fez a sua primeira aparição, depois de vários jogos – alguns até em 3D como a chegada de Metroid Prime – a guerreira mais aventureira da galáxia, chegando finalmente à Nintendo Switch, e tal como aconteceu na sua primeira aparição, estamos perante um side-scrolling em 2D, repleto de acção.

Como já havia referido nas primeiras impressões de Metroid Dread, desta vez estamos perante um cenário diferente do habitual, e se nos outros Metroids, Samus chegava para arrasar tudo e todos, aqui logo de início percebemos que estamos perante um cenário diferente, um cenário de constante perigo, que sem necessitar de apresentar cenários de terror, consegue causar durante bastante tempo um “desconforto” no jogador enquanto explora diversos locais do jogo.

Antes de avançarmos para a história do jogo, será importante deixar uma palavra aos novos jogadores da franquia, porque embora o jogo seja uma continuação dos jogos anteriores, a verdade é que joga-se sem qualquer problema. Além disso, dados importantes para a história são revelados logo ao iniciarmos o jogo, como por exemplo o que é um Metroid e como este foi criado; o que é o parasita X, a razão pela qual Samus é imune ao parasita X e até como se pensava que os parasitas X e os Metroids tinham sido todos eliminados.

Tendo este enquadramento, a história deste Metroid Dread tem início com a revelação de que a Galatic Federation recebeu novas informações sobre o paradeiro de um parasita X, sendo que este encontra-se no planeta ZDR. Para investigar esta situação são enviados 7 E.M.M.I. (Extraplanetary Multiform Mobile Identifier), robôs avançados tecnologicamente e preparados para extrair amostras de DNA e capturar amostras de tecidos, além disso, são extremamente robustos graças à sua armadura, assim como rápidos, ágeis e com uma força incrível. Acontece que, mal esses E.M.M.I. chegam ao planeta ZDR, a Galatic Federation perde o contacto com eles, e mais uma vez decide recorrer à caçadora de recompensas, Samus, para investigar o que se passa naquele planeta, e o que aconteceu aos seus E.M.M.I..

É logo antes de entrarmos no planeta que começamos a perceber que não será tarefa fácil, com a inteligência artificial (IA) da nave de Samus a informar-lhe que estamos perante um planeta perigoso, e que as ligações com o exterior são quase impossíveis. Por essa razão, ela não deveria se arriscar a entrar na atmosfera do planeta ZDR, e como é óbvio Samus ignora todos esses avisos e decide entrar no planeta.

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É já no subsolo do planeta que se inicia verdadeiramente a ação, já que Samus encontra-se inconsciente e deitada no chão. É ao levantar-se e aperceber-se de que o elevador que a tinha levado ali se encontra completamente destruído que se recorda do que aconteceu. Samus aterrou sem problemas no planeta e desceu por aquele elevador, e ao chegar então ao subsolo deu de caras com um guerreiro Chozo – uma raça bastante hostil e a criadora dos Metroids e também de Samus na sua infância. Deu-se uma luta, na qual o guerreiro Chozo parece vencer Samus, e a partir daí ela não tem mais memórias. O que conseguimos perceber, é que o seu fato está totalmente diferente, algo que poderá ter acontecido devido à luta com aquele guerreiro.

Obviamente que não irei avançar mais pormenores da história para não dar spoilers de nada. Tudo o que descrevi acontece antes de começarem a jogar, mas serve para perceberem o enredo que vão encontrar, e que na verdade conforme vamos obtendo novas informações, cada vez mais o jogo nos irá prender ao ecrã, para sabermos como tudo se irá desenrolar.

O que também nos irá agarrar ao ecrã é a jogabilidade de Metroid Dread, e isso acontece logo desde do início, ainda com Samus apenas com as habilidades mais básicas, que são: deslizar, disparar feixes de luz (podem disparar infinitamente), disparar mísseis (tem número finito), o melee counter e claro o laser que nos permite apontar com precisão num qualquer alvo. Como habitualmente nos jogos da franquia que se apresentam em side-scrolling em 2D, estamos perante labirintos atrás de labirintos, muitos deles cheios de quebra-cabeças.

Para nos ajudar a superá-los e até para perceber por onde andamos, existe um mapa que vai sendo desenhado conforme vamos progredindo pelas diversas salas e áreas do jogo. Para o consultar basta carregar no + e teremos acesso à nossa progressão, além disso, também existem mapas que conseguimos adquirir nas salas próprias e que nos levam a conhecer a área daquela região, mas sem nunca ser revelada a quantidade de salas, o seu tamanho, os caminhos, e até o tipo de porta que existem.

Assim sendo, a exploração neste jogo é algo obrigatório, já que conhecer cada cantinho, verificar se existem itens escondidos, apanhar todo e qualquer power up que Samus possa adquirir é algo não só recomendado, mas por vezes será mesmo algo exigido ao jogador. A maioria das salas tem várias entradas, com várias portas e muitas delas abrem-se com um disparo da nossa arma de feixes de luz. Acontece que nem todas são assim, e será com a aquisição de novas habilidades que vamos conseguindo chegar a novos locais.

São várias as regiões do subsolo do planeta ZDR, cada uma com a sua especificidade, por exemplo, a primeira região é Artaria, uma região bastante profunda com locais de baixas temperaturas, mas também de altas temperaturas. Já Burenia que será a quarta região que vão conhecer já está ligada ao mar, onde teremos diversos locais submersos e diversos inimigos marinhos. Significa por isso que diferentes regiões terão diferentes perigos, diferentes ambientes e diferentes inimigos. Ressalvar desde já que a progressão entre regiões não acontece como se tratassem de níveis de jogo, em Metroid Dread, vocês vão andar de região em região e muitas vezes têm de voltar a regiões anteriores para regressarem a zonas que antes não tinham acesso, logo, durante todo o jogo será um saltar constante de região em região, o que torna o jogo sempre diferente, já que existem mesmo muitos perigos e locais para explorar. O próprio ambiente pode ser inimigo de Samus, e no início do jogo será impossível andarem por locais onde passe lava, já que o vosso fato não é adequado para isso, o mesmo acontece em locais extremamente frios. Para isso, vão necessitar encontrar um fato adequado para cada uma dessas zonas.

É devido a esta mistura de habilidades que temos de adquirir fatos próprios para entrar em certas zonas, que o jogo se torna extremamente interessante no aspecto dos seus puzzles e labirintos. Por outro lado, pode também tornar-se frustrante, uma vez que não serão poucas as vezes que ficarão perdidos sem saber o que fazer; a andar de sala em sala a verificar se encontraram tudo o que precisam; se não existe uma parede que é necessário destruir para avançar; se não existe algo escondido; um salto que que não conseguimos dar. Quero com isto dizer que embora o jogo esteja maravilhoso e incrível, nem tudo são rosas, e muitas vezes a frustração instala-se. Cheguei a perder algumas horas sem encontrar o que era preciso fazer, até aquele click se dar na minha cabeça e poder avançar – e às vezes eram coisas tão simples e que apenas estavam bem escondidas.

Na verdade, não sou nada contra este tipo de labirintos e quebra-cabeças, mas confesso que nos dias actuais onde o nosso tempo é precioso, e onde muitas vezes as pessoas mal têm tempo para estar com a família, e depois querem ter apenas um bocadinho para jogar a descontrair, terem de perder horas de um lado para o outro porque estão perdidas no jogo é algo que torna-se frustrante e aborrecido. Metroid Dread deveria ter um sistema de dicas, que pudesse ser ligado e desligado, de forma a não fazer o jogador perder tanto tempo quando está completamente perdido e apenas quer progredir para continuar a aventura de Samus.

Quanto às habilidades de Samus, já referi as iniciais, mas existem muitas mais. São adquiridas progressivamente, e com isso também os inimigos que vão aparecendo ficam mais fortes, de maneira a coincidirem com o vosso melhoramento de poderes. Vão contar com melhoramentos da vossa arma de feixes de luz, assim como aumento do número de mísseis, além de terem a possibilidade de agarrar algumas paredes e tectos através de um cabo que possibilita Samus de se agarrar a essas paredes podendo balançar para chegar a determinados locais. Também podemos agarrar e puxar alguns objectos, transformarem-se na bem conhecida Morph Ball para conseguirem passar por locais pequenos, ficarem totalmente invisíveis durante um período de tempo e até correrem numa velocidade vertiginosa. Estas são apenas algumas das habilidades, porque existem bem mais, depois ainda existe o fato de Samus que além de conseguirem aumentar a quantidade de energia, e com isso conseguirmos levar mais dano, também vão conseguir encontrar fatos que vos permitem explorar zonas quentes e zonas extremamente frias. Como podem ver, o que não faltará é conteúdo para apanharem, explorarem e melhorarem Samus conforme vão progredindo no jogo.

Se falamos em habilidades, temos de falar em inimigos, até porque muitas destas habilidades vão ser usadas neles. Falando nos E.M.M.I., estes são os tais robôs que foram enviados pela Galatic Federation para investigar o parasita X, mas quando Samus chega ao planeta ZDR estes tentam atacar-nos a qualquer custo sem sabermos o motivo. É quase sinistra a maneira como os E.M.M.I. nos perseguem, e nas salas por onde estes andam, todo o cuidado é pouco. Basta um salto em falso para sermos apanhados por eles, e lutar com eles com as habilidades habituais de Samus é para esquecer, sendo morte quase certa.

Os outros seres, seja com uma maior ou menor quantidade de feixe de luz ou mísseis, até se eliminam facilmente. E depois, tratando-se de um Metroid, não podem faltar os Bosses. É uma das melhores partes do jogo, e não existe nenhum que seja verdadeiramente difícil ao ponto de desesperamos, mas também não existem Bosses fáceis. Todos eles têm fases, e o importante é perceberem o que têm de fazer em cada uma delas, e depois tentarem conjugar a vossa vida com os disparos e com o que têm de fazer. Vão morrer várias vezes ao tentar matá-los, mas isso faz parte da aprendizagem para adquirirem a melhor estratégia para cada uma das fases.

A forma como Samus se movimenta faz de Metroid Dread um jogo de grande velocidade, sendo que esta é reforçada com alguns inimigos a fazerem ataques rápidos e outros com voos directos contra nós. Era importante os comandos responderem instantaneamente, quer nos disparos, quer na movimentação de Samus, e isso acontece sem qualquer problema. O jogo encontra-se perfeitamente optimizado, tanto a jogar em modo portátil como em modo dock, sem acontecerem quebras, nem paragens, mesmo quando existem diversas coisas a acontecer no ecrã. Os comandos são de fácil habituação, e mesmo com uma enormidade de habilidades que vão ter em fases mais adiantadas do jogo, parece que os comandos foram escolhidos de maneira a ser tudo extremamente intuitivo.

Graficamente, o jogo também está espantoso, quer as cutscenes que estão muito bem criadas, ou mesmo aquelas que encontramos no meio das lutas com bosses também se encaixam muito bem, sem estragar o andamento da luta. Depois, temos ainda os cenários e os detalhes quer nas salas, nos inimigos, e na própria Samus, que embora estejamos a falar de um jogo em 2D, oferece sempre uma ideia de dimensão à sala, proporcionando cenários com profundidade e criando um ambiente que dá gosto de olhar. Além disso, é muito bem vinda a diferenciação de regiões, oferecendo assim diversidade aos jogadores. As próprias habilidades, todas elas diferentes e com efeitos bem conseguidos, que além de chamar a atenção, funcionam muito bem graficamente.

A nível sonoro o jogo também está bem conseguido, quer os efeitos, quer a música ambiente que ajuda a oferecer aquela sensação de de perigo iminente em determinadas zonas do jogo. Mais uma vez, o áudio é imprescindível para oferecer boas sensações quando usamos certas habilidades. E não posso deixar de falar de como o HD Rumble dos Joy-Cons também se enquadram perfeitamente com o que se vai passando, já que muitas vezes vibra nos momentos adequados, oferecendo uma boa imersão ao jogo.

Embora este não seja um jogo que fosse imperativo ter a língua portuguesa, até porque já é virado para adolescentes, não podemos deixar de notar a falta da nossa língua. As línguas disponíveis são alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês, coreano, neerlandês, russo e chinês.

Metroid Dread é sem dúvida uma das melhores entradas deste ano para a Nintendo Switch. Oferece tudo aquilo que os fãs da franquia podem querer, e será uma porta de entrada para novos jogadores ficarem a apreciar a saga. Samus está melhor do que nunca, oferecendo uma jogabilidade digna de um Metroid e colocando uma enorme pressão em Metroid Prime 4, já que a fasquia ficou bem alta.