Developer: Jacob Dzwinel
Plataforma: Xbox One, Xbox Series S|X, PS4, PS5, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 23 de agosto de 2022

Estamos a ver, cada vez mais, a capacidade de um homem sozinho desenhar e lançar um videojogo. É o caso de Jacob Dzwinel, um jovem polaco que domina o Unity e que desenvolveu este Midnight Fight Express.

É curioso ver a quantidade de referências a cenas de pancadaria de filmes dos anos 80 e 90, assim como de filmes mais actuais, como a famosa cena no elevador de Capitão América 2: O Soldado do Inverno. É essa “magia” que aliada a mecânicas super fluídas e uma direcção de arte cheia de estilo, que confere a este jogo a reputação de obrigatório.

O jogo decorre nesse ambiente dos anos 80 e um piscar de olho a Hotline Miami nomeadamente com a banda sonora mais techno. Vamos estar na pele de Baby Face, um rapaz que recebeu em sua casa uma encomenda vinda do nada com um pequeno drone que nos indica que somos um Agente adormecido e que é altura de voltar à acção. Temos até ao nascer do sol para impedir que o mundo do crime assuma o controlo da cidade.

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A história é contada em flashback, com Baby Face numa sala de interrogatório, de cuecas, com dois polícias a questioná-lo sobre os eventos passados. São 40 fases onde a história, rapidamente nos passa ao lado devido à curtição deste beat’ em up.

Midnight Fight Express é um ótimo jogo de pancadaria, por ter muitas opções de golpes e contra golpes. Conforme o jogador vai avançando nas fases, mais habilidades são desbloqueadas, algo que nos treina para inimigos mais difíceis, que exigem diferentes estratégias. A árvore de habilidades é enorme e aborda diferentes estilos de jogo. Por cada fase que passamos ganhamos um ponto de habilidade e vamos desbloqueando alguns cosméticos para personalizarmos a nossa personagem.

Os níveis são relativamente curtos, o que não quer dizer que são sempre fáceis. Existe uma boa curva de aprendizagem, com as habilidades que vamos desbloqueando a equilibrar os inimigos cada vez mais mortíferos e apetrechados que vamos apanhando. Atacar no tempo certo e saber defender e desviar é fulcral na abordagem, assim como aproveitar todos os items do ambiente para arremessar ou pontapear.

Para além das armas de “punho”, como facas, espadas ou katanas, vamos também poder usar pistolas, metralhadoras ou caçadeiras, sendo que mais para a frente vão poder usar uma arma secundária com uma bala, pelo menos, nas situações mais apertadas.

A captura de movimentos foi elaborada entre Jacob Dzwinel e Eric Jacobus, chefe da Super Alloy Interactive e stuntman profissional. Curiosamente já acompanhavam o trabalho um do outro, uma história engraçada que podem ler com todo o detalhe numa publicação do PlayStation Blog. No fundo tiveram que capturar 1200 movimentos em 4 dias para dar a sensação de fluidez, de realismo e de divertimento que o jogo alcança.

Para além do combate super bem conseguido, fazendo-nos lembrar facilmente a recente experiência com Sifu, também a construção dos níveis está muito bem conseguida. O jogo desenrola-se em visão isométrica, mas tem muita variedade de cenários, verticalidade e movimento. Há vários tipos de níveis, os mais tradicionais de passar por zonas e derrotar os inimigos em cada uma delas, mas há também outros onde guiamos um jet ski ou uma mota, com aquele feeling de filme de acção de sábado à tarde. Ao longo das nove horas de jogo e as tais 40 fases, nunca senti que o jogo era repetitivo ou entediante. Apesar de simples e sempre a aviar, a boa dose de inimigos diversificados, os Bosses com estratégias próprias e a variedade de cenário e até do posicionamento da câmara, dá-nos sempre a sensação de algo novo a cada esquina.

É muito engraçado ver a quantidade de referências ao longo do jogo, das sequências de Kung Fu, passando pelo Fight Club, há ainda espaço para nos metermos com os piratas ou os motoqueiros, para além dos Game Devs, numa luta de almofadas e de armas NERF. Há um sentido de humor e até alguma sátira social pelo meio, que enriquece o jogo. A banda sonora puxando mais ao techno dá aquele toque de adrenalina, mas passado algum tempo torna-se um pouco repetitiva e aborrecida. A história torna-se mais interessante com o passar do tempo, mas os diálogos são um pouco extensos de mais para o jogo em si.

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Midnight Fight Express é a demonstração de como um jogo criado por apenas uma pessoa, pode ser um belo trabalho. É divertido, desafiante, a mecânica de combate está muito boa e a diversidade de todos os elementos que compõem o jogo, embrulham tudo em algo altamente recomendável. Precisava de limar algumas arestas, mas ainda tem espaço para fazer esses melhoramentos.