Developer: Sony San Diego
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 17 de Março de 2026
Chegou aquela altura do ano em que está prestes a arrancar mais uma época do campeonato norte-americano de basebol e com isso, não podia faltar mais um jogo dedicado à modalidade: MLB The Show 26. A única franquia que tenta passar para videojogo a essência deste desporto aposta na continuidade de processos e modos que têm funcionado noutros anos.
Se por um lado isso é bom, pelo outro é mau porque acaba por parecer estagnado se pensarmos que o ano passado já tinha a maior parte das coisas que tem este ano. Não é o único caso nos jogos de desporto e numa comparação fácil, podemos falar de EA Sports FC que evolui muito pouco de ano para ano e aqui é igual, ou pior. Jogar a edição do ano passado ou esta pode parecer diferente nos menus e nos primeiros encontros, mas rapidamente perdemos a noção se estamos no de 2026 ou num dos últimos dois anos.
Este não é um dos desportos mais populares no nosso país. Com excepção de um nicho muito específico, a maior parte das pessoas muito provavelmente conhece os New York Yankees apenas por causa da marca de bonés que muita gente usou nos anos 2000 e ainda hoje se encontram à venda nas lojas desportivas. A razão para a marca MLB não ser tão conhecida noutros países talvez seja cultural e tirando a World Series, o nome que se dá às finais do campeonato, a maior parte das pessoas não ligam a um jogo de época. Os norte-americanos têm o hábito de juntar a família e ao domingo ir ver um jogo de basebol, nós temos isso com o futebol. Diz-se que acaba por ser relaxante e eu acredito que seja, porque é essa a sensação que eu tenho quando jogo uma partida de MLB The Show. Poucas vezes me stresso, só quando passo muito tempo sem acertar na bola, aí o grau de irritação começa a aumentar, mas é fácil ajustar a dificuldade ou a forma como queremos bater na bola.
Tal como nos outros anos, assim que entramos no jogo a primeira vez, somos confrontados com uma data de perguntas sobre a forma como queremos jogar. Quer na parte de bater a bola, onde podemos escolher pela zona onde ela cai ou pelo timing certo de bater nela. Quando lançamos a bola também podemos optar por opções mais simples, como escolher apenas um botão e a sua direção ou optar por algo mais complicado onde temos de desenhar um padrão com o analógico. Também podem escolher a forma como nos movemos de base em base ou como passamos a bola para as bases, tornando o jogo acessível a vários tipos de jogador.
Mesmo não sendo eu o maior fã de basebol, ao longo dos anos tenho jogado e analisado os jogos da franquia e por isso também acompanho um bocado a modalidade. As mecânicas de jogo idênticas a outros anos e os modos já familiares ajudam a entrar facilmente num jogo destes, mas se forem novatos, provavelmente vão passar por um bom bocado de habituação. É importante escolher bem a vossa maneira de jogar porque pode influenciar a percepção sobre o jogo. A dificuldade dinâmica introduzida há uns anos também ajuda a esta habituação e para ser sincero é sempre a que uso para os diversos modos.
À primeira vista, MLB The Show 26 mostra-se diferente na roupa que veste, ou seja nos novos menus, aparentemente mais simples e apelativos. Concordo com a parte do apelativo, mas, na verdade, alguns continuam praticamente iguais aos do passado, apenas muda as cores e onde está a informação. Talvez com excepção no modo carreira, o chamado Franchise Mode, que este ano tem um menu dedicado às transferências, que inclui rumores e facilita a nossa abordagem à troca de jogadores possíveis. Este é o meu modo favorito, onde fazemos o papel de General Manager de uma equipa praticamente. Só sinto falta daquilo que havia há uns anos em que era possível fazer uma época de forma mais rápida colocando-nos em jogo apenas em pontos chave da temporada e o nosso desempenho nesses momentos acabava por influenciar os resultados seguintes.
Este ano, isso é possível apenas se simularmos os jogos. Podemos escolher uma data específica até onde queremos ir e até lá, em cada jogo, MLB The Show pára essa mesma simulação e pergunta-nos se queremos ir para o campo em alguns momentos. Podemos estar em vantagem ou desvantagem, depende dos jogos, mas é sempre interessante ter essa hipótese. De resto, o habitual mantém-se: evoluir a equipa, o clube, o estádio se quisermos, entre outras hipóteses que já estavam presentes nos últimos jogos da franquia.
Noutro modo bastante cobiçado nos últimos anos, o Road To The Show, que nos permite criar um jogador e levá-lo até às finais da MLB, este ano acrescenta mais equipas da NCAA, o campeonato universitário dos americanos. Se na edição passada tínhamos 8 equipas, este ano temos mais 11 disponíveis que podemos escolher para seguir a nossa carreira. Este ano a carreira começa mais cedo, como amador e teremos de provar o nosso valor para chegar ao Draft Combine, onde depois somos escolhidos para uma das equipas da MLB. Este até pode ser uma das principais razões para os jogadores habituais comprarem o jogo e ter um novo desafio, mas eu penso sempre que fazer praticamente a mesma coisa todos os anos, sem mudar grande coisa nas histórias, acaba por ser pouco atrativo entrar novamente numa jornada destas que envolve muito tempo até chegar onde queremos.
Claro que eu digo isto, estando em Portugal, mas imagino que muitos norte-americanos se identifiquem com o jogo, nomeadamente se a sua universidade estiver no jogo. Era a mesma coisa que o EA FC trazer as nossas equipas da Liga 3 e começar uma carreira lá. De resto o modo acaba por ser superficial. Dizer que sim ou não em algumas interações simples, escolher um clube ou outro, aceitar ou rejeitar uma equipa… Na verdade, as consequências das nossas escolhas não são assim tão impactantes quanto isso. Talvez a que tenha mais sejam os desafios dinâmicos que surgem no meio dos jogos em que escolhemos uma de três possibilidades, umas mais fáceis e outras mais complicadas que nos dão mais pontos de experiência para evoluirmos o nosso jogador. Também existe um menu com os nossos objetivos que vai atualizando conforme os jogos que fazemos e o clube onde estamos. Quanto mais cumprirmos, mais XP ganhamos para ficar mais forte. O interesse das equipas também parece ser bem aleatório, joguemos bem ou mal. É como acontece em alguns jogos do género, não muito diferente do NBA 2K por exemplo. Pelo menos nos contratos que nos oferecem estão os chamados Perks que podem evoluir e especializar o nosso jogador em certos tipos de jogo.
Outra das mudanças também em campo é a possibilidade de encher uma barra de motivação em que à medida que vamos tendo boas jogadas, ela vai enchendo para a usarmos em momentos cruciais. A chamada Bear Down Pitching, acrescenta uma nova dinâmica de jogo às já existentes noutros anos, repletas de mini-jogos rápidos que definem o sucesso ou não de cada jogada. Arrisco-me a dizer que é a única grande mudança na jogabilidade e é verdade que pode mudar o rumo do jogo porque nos tornamos mais fortes e certeiros, mas é pouco se compararmos com o que podia ser feito.
Outro regresso é o Storylines, que mais uma vez recorre a lendas do antigo The Negro Leagues. Já tivemos outras histórias nos últimos jogos e como tem tido sucesso, a Sony San Diego continua a investir nisto. A parte boa é que ficamos a conhecer mais sobre a história de pessoas que mudaram o desporto, como Roy Campanella, George “Mule” Suttles, Pop Lloyd, James “Cool Papa” Bell ou a primeira mulher a jogar nesta liga, a Mumie “Peanut” Johnson. A parte má é que os desafios são mais do mesmo e alguns extremamente básicos.
A galinha dos ovos de ouro continua a ser a Diamond Dystany, que corresponde ao Ultimate Team no EA Sports FC. Comprar packs com cartas de jogadores para usarmos, podemos evoluí-los, fazer jogos offline e online, participar em campeonatos, desafios de equipa, entre muitas outras coisas. É outro mundo dentro do próprio jogo, demasiado complexo para jogadores casuais, mas já no FUT isso acontece. Este modo é feito para ganhar ainda mais dinheiro com o jogo porque quanto mais packs tivermos, mais hipóteses temos de ter uma boa equipa. É por isso que também existem várias versões do jogo com ofertas especiais que melhoram quase imediatamente o valor da nossa equipa.
Não é preciso gastar dinheiro extra para se divertirem neste modo, até porque têm muito para jogar. É sempre esta a frase que utilizo nestes casos, mas percebo que começar com uma equipa pior pode ser mais difícil e desesperante em jogos online. Para ajudar à festa, este ano, MLB The Show 26 inclui cartas ainda mais raras que chama de Red Diamonds, progressões mais rápidas de jogadores e um limite de jogadores por equipa, o que pode fazer com que estejamos constantemente a trocá-los, para o bem e para o mal. Podem fazer épocas mais curtas e diretas ao objetivo e ainda jogar o modo Conquest, que é das coisa mais estranha que vi nos últimos anos. Já não é novo, mas há sempre uma palavra que não me sai da cabeça: Porquê? Acho que era desnecessário.
A nível gráfico, a franquia já nos habituou a um nível elevado desde o salto para esta geração, mas já digo isto há cinco anos. Hoje parece-me igual àquilo que era e apesar de não ser mau, sinto que estagnou e não conseguiu evoluir. Ainda assim, é fácil confundir com a realidade se estivermos a assistir no modo espectador a um jogo. A nível músical o jogo vai a todo o lado, desde o hip-hop ao indie e ao reggaeton moderno. Bad Bunny, Geese, De La Soul e Teddy Swims refletem bem essa panóplia de mais de 45 músicas que o jogo tem.
MLB The Show 26 é muito parecido com os jogos anteriores da franquia. Com os mesmos modos e os mesmos gráficos, as novidades são poucas para quem já tem alguma das versões passadas. Ainda assim, se não tiverem nenhum dos antecessores, este é o jogo que devem pegar porque é o mais atual e acrescenta, ainda que pouco, mais uma ou outra mecânica que é útil na jogabilidade. Além disso, tem os jogadores nas equipas certas e isso para alguns já é suficiente.





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