Developer: Capcom
Plataforma: Nintendo Switch
Data de Lançamento: 26 de março de 2021

Embora Monster Hunter seja uma franquia com diversos anos de existência e com um enorme sucesso no Oriente (principalmente no Japão), foi com Monster Hunter World que a Capcom viu o seu jogo se expandir por todo o mundo, isto é, foi a versão do jogo que maior sucesso teve, encantando não só os jogadores do Oriente, mas também os jogadores Ocidentais.

O sucesso foi tanto que bateu diversos recordes de venda da companhia. Vendeu 7,5 milhões de cópias só nos primeiros 2 meses de vendas, tornando-se o jogo mais rapidamente vendido de sempre da companhia. Obviamente que isto eleva a fasquia para qualquer novo jogo da franquia, e não tendo o jogo chegado à Nintendo Switch, é normal que a chegada de Monster Hunter Rise faça as expectativas dos jogadores estarem bem altas, ainda para mais sendo este um exclusivo da consola da Nintendo.

Monster Hunter Rise não esconde por nenhum momento a sua total inspiração em Monster Hunter World. Algo que faz todo o sentido, porque como se costuma dizer: “em equipa vencedora não se mexe”. E é exactamente isso que a Capcom fez, adicionando algumas novas ideias, mas o essencial está lá. Tudo aquilo que os jogadores adoraram mantém-se, trazendo ainda assim novos monstros, esquecendo alguns, e mantendo outros que já conhecíamos, mas que agora ganharam novos movimentos.

Não escondo que sou fã da franquia, e que ainda hoje passo algum tempo a derrotar aquelas criaturas, e já nem é para ter melhores equipamentos, até porque essas já estão ao meu gosto, é mesmo pelo facto da diversão e da experiência de jogo. Depois de ter jogado as duas demos do jogo, foi quase uma certeza que Monster Hunter Rise teria tudo para me conseguir agradar, pelo menos no que se refere ao nível de combate. E não me enganei. Diria mesmo que, embora com mapas mais pequenos, Monster Hunter Rise consegue até ter mais “açúcar” do que qualquer outro jogo da franquia.

Ao contrário do que acontece em grande parte dos filmes de Hollywood, em que um pobre coitado que ninguém lhe dá valor mostra no fim do filme que afinal é tão bom ou melhor do que qualquer outro, os jogos nos últimos anos têm tipo uma postura totalmente oposta. Monster Hunter Rise vai no mesmo sentido, já que o nosso personagem é um jovem com enorme potencial e que todos em Kamura Village acreditam que irá tornar-se um excelente caçador. É mesmo no início do jogo que sabemos que entramos na Guilda dos Caçadores e que as nossas caçadas vão começar. Obviamente que, como novos naquele papel, no início apenas podemos aceitar missões de rank inferior.

É também no início que ficamos a conhecer Kamura Village e os seus habitantes, será Hinoa que nos levará numa visita guiada pela pequena vila, onde podemos encontrar o ferreiro, o mercador, o Mestre Utsushi, uma espécie de professor dos jovens caçadores, mas também o Ancião da Vila, Fugen, o cozinheiro, entre outros. Algo interessante também é que qualquer pessoa que já tenha visto alguns cenários tradicionais japoneses, percebe à primeira vista que a vila é totalmente inspirada no Japão feudal, quer pelas bandeiras penduradas na sua entrada, quer pelos edifícios (não são muitos), mas também pelas bancas de comerciantes, pelos carrinhos de transportes de materiais e alimentos, e claro, pelas sakuras – árvores com flores cor de rosa (flores de cerejeira).

Paga-nos o café hoje!

A história do jogo é interessante e é apresentada ao jogador de maneira progressiva. Os caçadores na vila servem para ajudar os seus habitantes, seja na caçada de monstros que interferem nos itinerários comerciais, como em habitantes ou animais da vila que estejam em perigo. Além disso, por vezes a vila é atacada por diversos monstros que a tentam invadir, sendo que os habitantes locais chamam esse fenómeno de Frenesi, algo que a vila está habituada, mas que ultimamente tem acontecido com uma maior frequência do que o habitual. Será esse fenómeno que nós teremos de desvendar com algumas boas surpresas pelo meio, que fazem o jogo ser não só extremamente interessante e divertido pela sua jogabilidade e por derrotar monstros, mas também por tentarmos perceber que fenómeno se está a passar.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, o jogo não depende de ir para os diversos mapas e andar a matar monstros, nada disso, tudo está dentro de um sistema de missões que está dividido em duas categorias: as missões da aldeia (que são dadas por Hinoa), e as missões da guilda (que são dadas por Minoto). As missões são em si bastante parecidas nos seus objectivos, umas em que temos de caçar um determinado monstro, outras onde temos de caçar uma determinada quantidade de monstros mais pequenos, e ainda outras em que apenas de recolher materiais, etc.

Existem também as novas missões, que se chamam Missões de Frenesi onde diversas ondas de monstros decidem atacar a aldeia. São missões totalmente novas na franquia e são um verdadeiro desafio para os caçadores. Para perceberem a ideia, os habitantes de Kamura Village fazem duas barreiras para tentar deter os monstros, além de diversas armas que podemos colocar, umas que podemos comandar, outras que serão comandadas automaticamente pelos habitantes. Caso as 3 ondas de monstros consigam mandar abaixo a última barreira, estes conseguem invadir a vila e fracassamos a missão; caso os consigamos derrotar a todos, ou o tempo da missão chegue ao fim, a missão será superada.

Nestas missões os monstros estão divididos em três categorias diferentes, uns que o único objectivo é simplesmente rebentar as barreiras, outros que tentam atacar-nos a qualquer custo, e ainda os voadores cujo objectivo é destruir e atacar as nossas armas. Será necessário gerir tudo isto de maneira a que não fracassemos a missão. Felizmente existem as ajudas que eu chamo de SOS, isto é, quando estamos mesmo apertados, por cada missão, podemos chamar uma vez alguns habitantes da vila para nos ajudar, como por exemplo as irmãs gémeas, Hinoa e Minoto, ou por exemplo o Ancião da Vila, Fugen, entre outros habitantes, mas é preciso terem em atenção que somente podem chamá-los uma vez.

Se nas missões principais do jogo (quer seja da guilda ou da aldeia), podemos recolher partes dos monstros que nos ajudarão a ter melhores equipamentos. Nas missões de Frenesi, o material que apanhamos dos monstros são especiais, isto porque permitem reforçar as nossas armas de uma maneira diferente do melhoramento normal, dado que podemos, por exemplo, melhorar a nossa afinidade com a arma, ou melhorar o seu ataque ou defesa, entre outros bónus.

As missões opcionais também são bastante importantes para o nosso sucesso no jogo, e são missões que podemos combinar com as missões principais do jogo, já que são feitas ao mesmo tempo e podemos escolher 5 ao mesmo tempo. Neste campo, podemos ter missões como apanhar 7 cogumelos, minar determinadas rochas, matar 2 monstros grandes, matar 14 monstros pequenos, fazer 2 missões num determinado local, entre muitas outras. Estas missões nunca expiram, e podem ir fazendo devagar enquanto concluem as missões principais. Além de vos darem itens interessantes, oferecem pontos de Kamura, assim como Esferas de Armadura, sendo que estas são essenciais para conseguirem melhorar a defesa da vossa armadura.

Sempre que estamos prestes a subir de rank, tanto nas missões da aldeia, como nas missões da guilda, aparece uma missão urgente, e estas costumam ser missões que dão bastante trabalho ao caçador, já que o monstro que temos de caçar costuma ser bastante duro para a armadura e armas que temos. É nestas alturas que é importante usarem tudo o que têm ao vosso dispor, quer em termos de artefactos como bombas e bónus extras que podem adquirir na vila.

Por último, existem também as missões de arena, que são desafios que o Mestre Utsushi nos proporciona. Estes são interessantes e tiram-nos da nossa zona de conforto, já que teremos de lutar com determinados monstros numa arena, mas com equipamento dado pelo mestre, o que significa que os nossos equipamentos não interessam para estes desafios, e teremos de escolher entre um determinado conjunto de armas e equipamentos que vamos usar para tentar derrotar o monstro. Os jogadores terão de levar mesmo estas missões como um desafio, já que nem o prêmio é muito incentivador para lá ir muitas vezes – será mesmo por um sentimento de superação e divertimento.

Com a conclusão das missões vamos subindo de rank, quer seja nas missões da aldeia, como da guilda, ou seja, teremos acesso a missões mais complicadas, com monstros bastante mais complicados que dão mais dano, que têm bastante mais vida e com alguns ataques mesmo devastadores. Por esse motivo, o equipamento certo é essencial, porque se as missões iniciais até se fazem bem com o equipamento mais comum, tanto nas armaduras, como nas armas, a verdade é que com o aumento da dificuldade das missões tudo isso muda, sendo preciso uma preparação bastante melhor.

Como imaginam, existem diversas armas que podemos usar, e podem contar com Arco, Espadas Longas, Espada e Escudo, Martelo, entre outras. São 14 no total, e só testando conseguimos saber qual a que se adequa melhor ao vosso estilo de jogo. Todas elas podem ir sendo melhoradas ao longo do jogo, e basta para isso terem os materiais necessários para isso acontecer; podem até ter várias armas, seja do mesmo tipo ou de outros tipos, já que alguns melhoramentos que vocês podem fazer além de terem mais ataque, é têm também elementos associados, como fogo, água, vento, etc. Esses melhoramentos são bastante importantes conforme os monstros que combatemos, já que muitos deles têm fraquezas contra determinado elemento.

Já no caso das armaduras, isto também se aplica, e para as criarem vão necessitar de vários materiais, senod que todas elas são diferentes nas defesas que oferecem, além de todas terem uma defesa global. Depois, existe a defesa contra determinados elementos, que também é importante na hora de escolher o equipamento a levar quando vamos combater contra determinados monstros. É essencial terem em atenção as fraquezas e os pontos fortes dos monstros para conseguirem ter sucesso nas caçadas. Além disso, as armaduras ainda podem melhorar a sua defesa a partir das Esferas de Armadura que vos falei; todas têm um máximo de melhoramento, mas que ajuda bastante na hora de escolher entre continuar com a mesma armadura e melhorar a sua defesa, ou ter de gastar materiais para criar uma armadura melhor.

Quer seja nas armas, ou nas armaduras, não esperem ter todas prontas para serem melhoradas ou criadas. Embora no caso das armas tenham as 14 armas logo disponíveis no início do jogo, o seu melhoramento vai aparecendo conforme avançam na história, por isso é essencial ir passando pelo ferreiro para ver se têm novas opções disponíveis. Já as novas armaduras vão aparecendo conforme os monstros vão também surgindo no jogo, e acreditem que a quantidade de armaduras que existem é mesmo bastante grande, especialmente se pensarmos que cada armadura é composta por 5 peças (elmo/fita, a armadura de peito, as luvas, o cinturão e as botas). Vai acontecer por vezes usarem partes de várias armaduras diferentes por não terem partes que cheguem, e caso queiram mesmo completar uma armadura na sua totalidade terão de matar o monstro que serve para a construir entre duas a três vezes.

Saltando agora para os nossos companheiros, teremos então o Palico e o Palamute. O primeiro já é bem conhecido dos outros jogadores que jogaram os outros jogos de Monster Hunter; já o Palamute é a mais recente entrada no jogo, e tem um papel fundamental por na maneira como podemos percorrer todos os locais de maneira bastante mais rápida. Para os que são novos na franquia, o Palico é uma espécie de amigo suporte do nosso personagem, e pode, por exemplo, ter a especialização de cura, colocando por vezes plantas para nos dar vida (será o jogador a escolher o tipo de suporte do Palico). Já o Palamute, além de nos ajudar nas deslocações, também nos dá suporte atacante, e até podemos escolher o tipo de táctica que queremos que ele use nos seus ataques. Para melhorar ainda esta ajuda, podemos criar equipamentos para os nossos companheiros, fazendo assim com que eles tenham mais defesa, mas também mais poder de ataque.

Quanto ao combate, que é o ponto essencial do jogo, posso desde já dizer que está incrível. Diria mesmo que consegue oferecer a melhor experiência de sempre de qualquer Monster Hunter. Todos os monstros têm os seus próprios ataques, alguns deles com 6 ou 7 ataques totalmente diferenciados, e que requer que o jogador estude o monstro para não ser atingido demasiadas vezes. Os combates em Monster Hunter oferecem esse tipo de experiência, além de termos de estudar o monstro em si no aspecto dos seus pontos fracos, é essencial nos primeiros minutos do combate perceberem as movimentações do monstro, assim como os seus ataques e a maneira como faz combinações – ou não – de certos movimentos. Isso irá possibilitar que a nossa “dança” com o monstro seja feita em harmonia para o nosso lado, isto é, termos a possibilidade de atacar, e de nos desviarmos dos ataques nos momentos certos.

Para nos ajudar nos combates, além dos nossos companheiros e da nossa armadura e armas, temos diversos artefactos úteis, como bombas que podemos usar, armadilhas, e até bónus de ataque e defesa. Algo que podem e devem fazer, é usar a cantina de Kamura Village, já que ao se alimentarem ganham bônus extras. Além disso, nos diversos mapas do jogo, existem à nossa disposição vários seres que também nos fornecem bónus, quer de defesa, ou ataque, como alguns peixes coloridos, bagas, e outras coisas que são essenciais para o nosso sucesso. Algo que também devem ter sempre convosco são os itens básicos como poções de vida, alimentos para a stamina, antídotos, desodorizantes, entre outros que vos fornecem a ajuda básica na luta contra alguns monstros. Todos estes tipos de itens mais simples podem ser criados pelo nosso caçador, basta para isso terem as plantas ou itens necessários para a criação.

Algo que tem implicação nos combates, mas principalmente na exploração, tem a ver com os mapas do jogo, já que são todos eles novos e bastante mais pequenos em relação a Monster Hunter World. Seja como for, existe algo que é inegável, que é a existência de mapas vivos, isto é, encontramos vida por todo lado, quer seja em vegetação, animais a passear e pequenos insectos. Existe de tudo um pouco para ficarmos deliciados com cada um dos mapas, e todos eles bastante diferentes uns dos outros. Além disso, os mapas são também eles construídos em altura, ou seja, não são apenas vales e zonas planas, temos imensos locais altos para explorar e muito disso acrescenta uma utilidade a uma grande novidade do jogo, o Wirebug.

Os Wirebug são pequenas criaturas que nos são bastante úteis, já que nos permitem usá-los para por exemplo saltar mais alto, subir paredes, desviar de ataques de monstros, e até os atacarmos. Diria que são essenciais para a exploração perfeita do mapa, já que é a partir deles que conseguimos chegar a zonas mais altas que não têm escadas ou ervas para escalarmos. Além disso, a partir dos Wirebug, mal o nosso personagem toque na parede, pode escalar paredes ou andar de lado nas paredes, tudo isto enquanto tiver stamina, e mal esta acabe, irá cair.

Será também a partir dos fios do Wirebug que chega outra grande novidade, o Wyvern Riding, que permite montar monstros. E passoa a explicar: em jogos anteriores já era possível andar em cima dos monstros a desferir golpes, mas agora tudo se tornou ainda mais incrível, já que é mesmo possível montá-los e comandá-los durante um determinado período de tempo. Esta técnica pode ser usada com dois objectivos, onde o primeiro é obviamente derrotar o monstro em questão, podendo jogá-lo contra paredes e até mesmo prendê-lo, mas também pode ser usada para lutarem contra outros monstros, infligindo assim muito mais dano por ataque do que a nossa arma daria.

Não podemos fugir da componente online do jogo, até porque é aqui que o jogo ainda se torna mais incrível. Foi possível, durante alguns períodos em que os servidores estiveram abertos, conseguir fazer várias missões com outros jogadores, e também perceber que os mapas serem mais pequenos ajuda bastante nesta componente. Já que no último caso, o grupo mantém-se bastante mais próximo, e não acontece como por vezes acontecia em Monster Hunter World de vermos jogadores espalhados pelo mapa, em vez de estarem todos a “remar” para o mesmo sentido; que é como quem diz, andarem todos a tentar caçar os monstros para concluir a missão. Além disso, e até pela maneira como o jogo funciona, não se sentiram lags nem atrasos, tudo funcionou bastante bem, com os servidores bastante estáveis.

Saltando agora para a componente gráfica, podemos dizer que o jogo está incrível. Excelentes detalhes, tanto nas armas, como nas armaduras; os monstros têm pormenores incríveis e os diversos locais dos mapas também estão muito bons. Assim como a Kamura Village também nos presenteia com diversos detalhes muito bem detalhados – embora continue a achar que um jogo não é bom pelo seu grafismo. As cutscenes que vão aparecendo ao longo do jogo também estão bem conseguidas, assim como os diversos efeitos e animações dos caçadores e das dezenas de monstros que o jogo tem. A verdade é que a Capcom mostrou mais uma vez como consegue colar muito bem algo graficamente excelente, com uma óptima jogabilidade e bons conteúdos de jogo.

Já no que se refere à parte sonora é tudo aquilo que os jogadores de Monster Hunter estão habituados, uma excelente banda sonora, óptimos efeitos de sons, quer nos monstros a rosnar, quer nos sons das armas, tudo está muito bem conseguido.

Referir que o jogo apresenta diversas línguas, alemão, inglês, espanhol, francês, italiano, japonês, russo, polaco e português. Já nas vozes, teremos o habitual Idioma de Monster Hunter: o japonês e o inglês.

Monster Hunter Rise é uma entrada brutal na Nintendo Switch. Diria mesmo que é o grande lançamento do mês de Março, sendo provavelmente um dos jogos do ano para a consola da Nintendo. Oferece tudo aquilo o que os fãs da franquia desejavam, mas também abre os horizontes a novos jogadores entrarem na franquia. A Capcom mais uma vez está de parabéns por conseguir voltar a trazer um jogo que agradará e surpreenderá a bastantes jogadores.

REVIEW GERAL
Geral
Artigo anteriorKilling Floor 2: Dystopian Devastation já disponível
Próximo artigoSix Days in Fallujah com uma tecnologia inovadora
Desde o tempo do seu Spectrum+2 128k que adora informática. Programador de profissão nunca deixou de lado os jogos, louco por RPGs e jogos de futebol. Adora filmes de acção e de ficção científica, mas depois de ver o Matrix nunca mais foi o mesmo.