Developer: Capcom
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 09 de julho de 2021

O ano de 2021 ficará marcado nas memórias dos fãs de Monster Hunter, já que além de em Março ter chegado um dos melhores jogos da franquia, Monster Hunter Rise, neste mês chega também Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin. Tirando os jogadores da Nintendo 3DS que tiveram oportunidade de jogar Monster Hunter Stories, uma vez que para os restantes jogadores foi um jogo que lhes passou ao lado.

Embora Monster Hunter Stories 2 tenha uma pequena ligação ao primeiro jogo, até porque o protagonista é o neto de Red (o protagonista do primeiro jogo, um rider lendário), não é em nada impeditivo aos novos jogadores começarem por este. Até porque quase sempre que se referem a Red, existe uma cutscene que nos mostra determinado acontecimento relevante para a história.

Antes de “montarmos” esta análise, devo dizer que se o primeiro jogo estava interessante para os fãs de RPG por turnos, devo desde já dizer que este segundo jogo está incrível. Foi um daqueles jogos que me agarrou do princípio ao fim, com um enredo muito bem criado, bons diálogos (que na maioria das vezes apresentam voice actings), entre muitos outros pormenores que tornam este RPG por turnos da Capcom um jogo que marcará os fãs da franquia.

Algo importante que os jogadores devem ter em conta antes de embarcarem em qualquer aventura de Monster Hunter é que existem hunters e os riders. O hunters são guerreiros que protegem a população de monstros, fazem caçadas para os matarem sempre que necessário, são excelentes a persegui-los e a encontrar pistas para darem com os seus paradeiros, e são os protagonistas de todos os jogos de Monster Hunter – excepto dos Monster Hunter Stories. Já os riders são guerreiros, mas que têm como principal objectivo conseguir domesticar os monstros, roubando os seus ovos e cuidar dos pequenos monstros desde o seu nascimento, criando amizade e laços com eles, e quando necessário também combatem monstros para proteger as populações. São estes os protagonistas dos jogos Monster Hunter Stories.

O jogo começa com uma incrível cinemática que nos faz a introdução ao jogo. E mostra como durante um festival na Aldeia de Mahana uma estranha luz vermelha apareceu no céu. Ao mesmo tempo, uma jovem wyveriana encontra-se com o Rathalos Guardião dessa ilha, e este dá-lhe um ovo para ela cuidar, nesse mesmo momento, essa luz vermelha aparece vinda de um enorme poço e o Rathalos Guardião começa a agir de maneira bastante estranha, a atacar caçadores humanos e a voar para longe, juntamente com outros Rathalos. Essa jovem wyveriana é Ena e será uma das figuras principais durante toda a aventura.

A história do jogo foca-se em grande parte numa antiga lenda que dizia que um dia nasceria um Rathalos de asas pequenas e incapaz de voar, e que teria um imenso poder e com isso, teria a capacidade de arruinar o mundo. Essa lenda tem o nome de Wings of Ruin – em português: Asas da Ruina.

Imagino que consigam facilmente compreender que o ovo que Ena possui irá ter algo a ver com essa lenda, e esse ovo será passado para o protagonista defendê-lo e cuidar dele, e até passar a ser o seu rider quando este nascer. O protagonista, como já tinha referido, é o neto ou neta (podem escolher o género) de um dos melhores e mais reconhecidos riders de todos os tempos, Red. Nós seremos um rider amador, que inicia a sua jornada num momento bastante complicado para o mundo, uma vez que os monstros andam a revoltar-se sempre que aquela luz vermelha aparece, e isso também fez com que os Rathalos espalhados pelo mundo começassem a desaparecer sem se saber muito bem a razão, apenas se imagina que esteja relacionado com os poços que estão a aparecer e que emanam esta estranha luz vermelha.

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Para tentarmos proteger o ovo do Rathalos teremos de ir até à vila natal de Ena, e será isso que faremos nas primeiras horas de jogo, onde também aprenderemos algumas técnicas e riders e muitas histórias do nosso avô e de como ele era um incrível rider. Vamos percebendo ao longo da aventura que teremos um enorme peso em cima, quer para proteger o ovo, como depois do nascimento do Rathalos, já que ele nasce exactamente com as características do Rathalos da lenda, o que provoca sentimentos diferenciados entre todos os que sabem do seu nascimento.

Não me irei alongar muito mais em relação à história, até porque é ela que nos faz agarrar ao jogo (pelo menos foi isso que me aconteceu comigo) se soubermos de antemão o que se vai passar. Acreditem que perde um pouco a piada. Posso dizer que vamos viver diversas aventuras, passar por diversos locais, e veremos o Rathalos a sofrer bastante devido à lenda, e também iremos assistir ao nosso personagem a evoluir quer na sua força e coragem, mas também na maneira de olhar para o mundo. Até teremos de perceber as diferenças entre riders e hunters.

Posso dizer que é uma história fascinante para um RPG por turnos, e que nos agarra do princípio ao fim. Bem sei que sou suspeito, já que esta franquia da Capcom é uma daquelas que sempre me fascinou, mas diria que este Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin conseguiu alcançar um patamar difícil de conquistar.

No aspecto da exploração, o jogo segue o padrão do primeiro. Teremos então diversas áreas para explorar, mas que são até bastante lineares, bem longe dos habituais mundos abertos que agora estão tão na moda na maioria dos jogos, e isso leva o jogador a conseguir seguir a história de uma maneira fácil sem se perder muito tempo com exploração. Os vários locais são bastante diferentes uns dos outros; mais tropicais, com praia e muita água, outras zonas mais desérticas cheias de areia, outras zonas com neve, exploração de estruturas, entre outros locais. Embora as coisas sejam bastante lineares e as missões nos indiquem os locais onde temos de ir, existem por vezes alguns entroncamentos e cruzamentos, o que devem imaginar que leva a termos de andar durante alguns minutos para chegar aos locais. Por essa razão, existe também a possibilidade de fazer viagens rápidas para alguns locais onde já estiveram. Isso é feito a partir de um felino, que tem por assim dizer um negócio de transportes, mas que também vos permite salvar o jogo nesse local.

Por outro lado, uma das partes mais importantes continua a ser a aquisição de ovos de monstros, e ao longo dos locais onde vamos passando, vão aparecendo uma espécies de grutas (umas pequenas, outras um pouco maiores) onde podemos adquirir esses ovos, umas vezes teremos alguns confrontos com monstros, outras a aquisição é bastante fácil. Agarrando neste ponto, vamos então falar dos vários tipos de monstros que vamos encontrar, visto que a diversidade é enorme. Diria que os monstros mais conhecidos da franquia estão presentes, e outros já foram confirmados que chegam em actualizações gratuitas. Algo bastante agradável é que grande parte dos monstros (não todos) podem ser adquiridos a partir dos ovos para os montarmos e serem nossos companheiros, outros apenas existem no jogo, seja a vaguear no mapa, como em missões específicas onde temos de fazer enormes e incríveis duelos. É aqui que entramos numa componente que provavelmente vai aumentar em grande parte o número de horas deste Monster Hunter Stories 2, porque se a história já oferece umas boas dezenas de horas, se decidirem coleccionar todo o tipo de monstros para montarem, então diria que têm jogo para meses.

É importante perceberem que os monstros são normalmente diferentes uns dos outros, quer sua forma física, mas também nos ataques especiais, embora existam algumas características comuns a todos eles. Nessa categoria entra por exemplo a possibilidade de os podermos melhorar, e aqui existem dois tipos de melhoramentos, sendo que um é subir o seu nível, e isto pode acontecer quando eles nos acompanham (uma party até 5 monstros e com uma slot reservada para o pequeno Rathalos), e nesse caso ganham XP por completarem as nossas missões, a fazer batalhas contra outros monstros e caso não estejam na nossa party podem enviá-los em grupos de 6 para fazerem expedições. Já o outro melhoramento tem a ver com a alteração dos seus genes.

Para perceberem o que é isso dos genes, cada monstro tem uma pequena árvore de genes com 9 slots, e para entenderem a ideia de como eles estão alinhados, imaginem o jogo do galo, em que cada casa é um gene. Aquando do nascimento do monstro algumas slots estão bloqueadas, algumas com genes que depois ficarão desbloqueadas, outras com slots vazios, e outras ainda com slots trancados (que mais à frente aprendem a abri-los). Além de que com a sua progressão e desbloqueamento eles melhorarem com esses genes desbloqueados, é possível retirar 1 gene de outro monstro e colocar num que vocês queriam. O senão é que o monstro ao qual retiram o gene irá desaparecer, no entanto, interessante é que com isto é até possível ter monstros da mesma espécie e que tenham especificações diferentes, além de conseguirmos por vezes combinações bastante poderosas.

No aspecto de status os monstros vão ter a quantidade de vida, a velocidade, o ataque, defesa e ainda um ponto fraco (isto é extremamente importante, porque é a diferença entre muitas vezes ganhar um combate ou perdê-lo com uma facilidade incrível). Além disso, ainda existem alguns que não usam elementos, mas a maioria deles usa elementos, que podem ser água, fogo, gelo, dragão e raio. É por causa destes elementos que existem pontos fracos a ter em conta. Existem também os tipos de ataque, e são três: os fortes, os técnicos e os rápidos. Mais uma vez, é necessário ter em conta estes três tipos, já que ataques fortes ganham a ataques técnicos, ataques rápidos ganham a ataques fortes e, por fim, ataques técnicos ganham a ataques rápidos.

Obviamente que a progressão não acontece só nos monstros, já que o protagonista e também alguns personagens que por vezes nos fazem companhia também vão evoluindo. Essa evolução acontece a partir das batalhas com outros monstros onde ganhamos Xp e com isso subimos de nível, mas também a partir da criação de armas e armaduras e dos seus melhoramentos. Esta criação acontece como em qualquer outro jogo de Monster Hunter, e precisamos de ter partes de monstros que obtemos nos combates, e por vezes ossos e alguns outros itens que podemos apanhar nas nossas aventuras. Os melhoramentos são feitos da mesma maneira, e tudo isto irá deixar o protagonista cada vez ficar mais preparado para os combates que vão aparecendo. Claro que é importante ter em causa diversos factores, nas armas (e podem ter 3 de cada vez), os elementos de cada uma, e o seu tipo, o melhor é terem uma arma de corte (por exemplo uma espada), uma arma de longo alcance (como um arco), e depois uma arma de força (como um machado ou uma marreta), e digo isto porque existem monstros que levam mais dano consoante o tipo de arma que vocês lhes acertam, e claro, com o tipo de dano de elementos que ela dá.

Além disso, as armaduras também vos protegem do clima, e por exemplo em locais de gelo devem ter uma armadura que vos proteja do frio, mas também cada uma protegerá contra certos elementos. E novamente, será fraca contra outros elementos. Por esse motivo, é importante terem em conta o tipo de monstros que podem encontrar nas regiões onde se encontram e também os elementos que estes usam, assim como as suas fraquezas, de modo a terem vantagem sobre eles.

Passando para os combates, que é um dos pontos fortes do jogo, tenho de dizer que estão extraordinários. Eu que não sou um grande fã de combates por turnos, fiquei rendido ao jogo por ter uma boa componente táctica no aspecto de termos de ter em atenção aos elementos, o tipo de ataque (forte, rápido, técnico), e até as partes dos monstros que podemos atacar. Imaginem por exemplo um combate contra um Rathalos, que tem veneno na cauda, uma boa opção é esta ser a primeira parte a ser atacada, para ele deixar de fazer ataques venenosos, e não termos de estar sempre a gastar um turno a usar uma poção de antídoto. Além de tudo isso, embora o combate seja por turnos, consegue usar todos aqueles itens que sempre fizeram a diferença nos jogos de Monster Hunter, desde as megapoções, aos bifes, as bombas de luz, as bombas sónicas, as diversas armadilhas, ou seja, todos aqueles itens que nunca mais acabam dos jogos da franquia. Muitos destes itens podem ser apanhados em diversos locais do mapa, outros podem ser criados por nós, e alguns também podem ser comprados.

Em relação às missões temos de diversos tipos. Umas são as missões principais da história, outras são missões secundárias que podemos aceitar no quadro de missões das diversas aldeias ou cidades, mas também alguns pedidos de pessoas que encontramos nesses locais. As missões principais são aquelas que vos fazem avançar no jogo e progredir na vossa aventura, já as outras dão a possibilidade de adquirirem materiais e itens, assim como de ganhar XP e com isso conseguir uma progressão rápida do vosso personagem, mas também dos monstros que vos acompanham. Se as missões principais já oferecem dezenas de horas de jogo, se tentarem completar todas as secundárias e ainda adquirir todos os monstros possíveis, então provavelmente chegam a mais de 50 horas facilmente.

Falando da componente multiplayer, uma das grandes novidades é a possibilidade das missões cooperativas, dado que agora os jogadores podem jogar localmente (no caso de terem duas Nintendo Switch) ou online, em missões em conjunto; cada um escolhe três monstros para o acompanhar e terão diversos tipos de missões, desde abater determinado monstro, missões de exploração, entre outras. Em todas elas apareceram diversos monstros, diversos locais para explorar e até podem apanhar ovos. Além disso, ainda na parte multiplayer, existe a possibilidade de combaterem contra outros jogadores, assim como a de participar em torneios. Diria que quando finalizarem o jogo, provavelmente é toda esta componente multiplayer que vos fará continuar a jogar durante mais algum tempo.

Graficamente, o jogo agradou-me bastante. Bons cenários, os personagens com bons detalhes, assim como os monstros, as armaduras e armas também estão excelentes. Até as próprias animações, quer da movimentação dos monstros, que dos ataques e habilidades especiais, todas essas animações estão incríveis. Mas no aspecto gráfico, o ponto mais forte são mesmo as cutscenes que deixam qualquer um rendido ao jogo, já que apresentam uma qualidade muito acima da média.

No aspecto sonoro o jogo está aquilo que a Capcom já nos habituou nesta franquia, uma óptima banda sonora com excelentes efeitos sonoros, e no caso dos diálogos apresentam um voice acting muito bom.

Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin é certamente um dos melhores RPG’s por turnos que poderão encontrar neste ano de 2021. Convence qualquer fã de RPG, mesmo aqueles que podem não gostar tanto da componente de batalhas por turnos. Consegue transmitir muito bem o que a franquia Monster Hunter tem para oferecer, assim como tem um enredo que nos prende ao jogo como poucos conseguem. Acredito que mesmo aqueles que já estavam entusiasmados com a chegada deste jogo, vão ficar surpreendidos com tudo aquilo que tem para oferecer.