Developer: RockPocketGames, Dreamloop Games
Plataforma: Xbox One, PlayStation 4 e PC
Data de Lançamento: 24 de Março de 2020

As obras de H.P. Lovecraft têm sido um terreno fértil para adaptações de vários videojogos ligados ao género do suspense e terror. Se na sua grande maioria exploram épocas que têm lugar no passado, em Moons of Madness a abordagem é um pouco mais ousada, transportando o jogador até Marte, usando o potencial de isolamento claustrofóbico que o planeta vermelho é capaz de provocar nos jogadores.

Em Moons of Madness somos Shane Newhart, no ano de 2063. Shane é responsável por praticamente toda a manutenção da Invictus, uma estação espacial terrestre no planeta, e como resultado da sua tarefa solitária é perseguido por estranhos pesadelos recorrentes durante a noite. Como é previsível, todos esses pesadelos acabam por se revelar presságios, levando a que tenhamos de ajudar o protagonista a sobreviver e a distinguir a realidade da ilusão – um cenário habitual nos mundos imaginados por Lovecraft.

A história de Moons of Madness não tenta apressar o jogador. Guia equilibradamente entre o enredo e as mecânicas associadas. Também não tenta ser óbvio, o que obriga por vezes a termos de decifrar o que pretende de nós, levando a alguns períodos de frustração. Felizmente existem algumas pistas, especialmente pela voz dos seus quatro colegas que estão espalhados por outros pontos da estação e vão instruindo Shane nas suas funções e contextualizando os acontecimentos.

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Os puzzles são frequentes e vão funcionando como etapas na progressão da história. Não só isso, como também são elementares para criar alguma tensão, distraindo-nos, para nos momentos certos proporcionar alguns sustos. Porém, a origem dos pesadelos é muito mais profunda do que parece inicialmente, e tanto levarão Shane a vislumbres do seu passado, como a revelações sobre a Orochi, a corporação para a qual trabalha.

Sendo um jogo cujos puzzles são frequentes, a jogabilidade irá depender principalmente da interacção com objectos, máquinas e estruturas, mas especialmente com o BioGage, um computador de pulso que serve como interface de pistas e objectivos. A perspectiva é na primeira pessoa, para que possamos sentir uma maior proximidade e envolvência com a atmosfera que nos rodeia. Podemos dizer que cumpre nesse campo, apesar de se debater com alguns problemas de mobilidade.

Se no começo leva o seu tempo a introduzir o jogador às bases da sua jogabilidade – com alguma tranquilidade e despreocupação, diria mesmo – uma vez entregues à fase do suspense, não há mais retorno e o jogo como que se transforma, deixando-nos frequentemente desconfiados de qualquer sombra ou barulho mais suspeito.

Moons of Madness decorre tanto dentro, como fora da estação, onde teremos uma preocupação extra com o nível do oxigénio do nosso fato. Nas ocasiões em que que necessitamos ir ao exterior da estação, teremos um veículo que nos leva exclusivamente até ao ponto seguinte. O veículo não se conduz, e apenas temos de esperar que chegue ao seu destino, de maneira a não arriscar cortar o ritmo da história.

Graficamente está muito bem conseguido. Não só na qualidade das texturas, mas em todos os detalhes do design que podemos encontrar a bordo da estação espacial. A recriação de Marte também está incrivelmente bem representada, desde a superfície rochosa vermelha, até às tempestades de areia.

O som vai igualmente no sentido de nos sentirmos desamparados e paranóicos. O ruído constante do vento, os efeitos sonoros súbitos que nos deixam angustiados; enfim, todos os elementos essenciais que podemos esperar de um survival horror.

Moons of Madness poderá não ficar marcado como um dos clássicos do suspense nos videojogos, mas é ainda assim uma boa experiência para quem gosta do género. A história é misteriosa e cativante quanto baste, e proporciona facilmente diversas situações de sufoco. Os puzzles por vezes têm o defeito de afastar o jogador do foco da história, mas nada que não possamos considerar perfeitamente tolerável.

Para quem é fã de H.P. Lovecraft e ficção científica, tem aqui uma interessante opção.

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