Developer: NetherRealm, WB Games
Plataforma: Xbox Series S|X, Xbox One, PS4, PS5, Nintendo Switch e PC
Data de Lançamento: 17 de novembro de 2019

Avançamos para esta análise desta oferta incrível que é Mortal Kombat 11 Ultimate, um jogo que mereceu 5 estrelas na nossa análise que vamos acabar por recordar, mais à frente, juntamente com a análise também a Aftermath, mas no início desta análise vamos desbravar as novidades técnicas do jogo que agora tem também uma versão Xbox Series S|X e PS5, para além das plataformas nas quais saiu o jogo original.

Falemos então do que podemos esperar na nova geração, testámos o jogo em Xbox Series X e podemos dizer que ficámos de boca aberta. Sou honesto quando achava que a qualidade de Mortal Kombat 11 não poderia melhorar, pelo grau de detalhe que já apresentava, mas afinal pode. A questão passa muito pela resolução dinâmica em 4K, o que permite uma fluidez adaptada consoante os recursos disponíveis, tendo assim na na Series X todo o seu potencial ao máximo, estamos a falar de novas texturas, texturas mais apuradas, relfexos e efeitos de iluminação ainda mais trabalhados e uma velocidade de processamento mais elevado. Isso nota-se por exemplo nos loadings, que já eram bastante rápidos, mas agora são instântaneos, então no modo de campanha agora são nulos.

Ainda mais importante é o facto de poderem continuar, quer seja na PS5 ou Xbox Series X|S a vossa campanha original da PS4 ou Xbox One, respectivamente. Algo que era fundamental, especialmente por tudo o que pode desbloquear, e até pela Krypta em si, e para além disso vão poder jogar entre plataformas, isto é, vão poder jogar na nova geração com jogadores da antiga, basta que acedam a modos e servidores com a palavra “Krossplay”.

Se formos comparar a lista original de MK 11 de lutadores e as adições atuais, não há dúvida que o jogo ganhou robustez, diversidade e muitas opções para os fãs, sejam eles os mais casuais, sejam os veteranos de longa data, ou até os profissionais do eSports. São agora 37 lutadores e lutadoras (12 dos quais dos DLCs lançados posteriormente e Shao Kahn, do DLC de pré-compra).

Os novos personagens trouxeram, cada um à sua maneira, novidades para o jogo. O mais inesperado deles, Rambo, da tradicional franquia dos cinemas, é talvez o que mais tenha causado dúvidas e até a sua própria existência acabou por ser questionada, por poder parecer um lutador sem grandes artíficies para subjugar todos os outros adversários. No entanto é que acaba por fazer parte de um rol em que à partida e sendo fora da lógica das personagens de MK, acaba por ter um papel muito interessante, como aconteceu, de resto, com outras personagens, como é o caso do Terminator, Robocop Spawn .

Rambo, usa um arco-e-flecha, armas de fogo, explosivos, combate com facas, armadilhas com cordas, e mistura mecânicas de NightwolfJaxRobocop e Kano, mas tem uma postura própria, uma movimentação muito fiel ao que vimos nos filmes.

Outra das última adições foi Rain, ele que tem uma carreira bastante tímida em termos de relevância para a trama principal e também na preferência do público. Começou sua carreira na franquia sendo só mais uma cor dentre os ninjas, mas no final da sua torre até é capaz de ser o que melhor se encaixa no espaço-tempo em que o jogo se situa neste momento.

Por fim Mileena, toda a gente sempre perguntou por ela e Ed Boon acabou por ceder a introduzir a personagem no jogo, mas apenas agora e depois dos acontecimentos de Aftermath o que acaba por fazer muito mais sentido. E agora já todos podem dizer que este Mortal Kombat 11 é o melhor de todos os tempos.

Vamos então à História, a NetherRealm tinha prometido um modo de campanha imersivo, com uma narrativa interessante e trabalhada e com uma forte componente cinematográfica. Check, Check e… Check! A história em si pode ter traços de semelhanças com aquilo que já vimos em Injustice, no sentido de tentar encontrar uma fórmula, ou entidade, que cole todas as personagens que fazem honra à história que Mortal Kombat tem e terá no mundo dos videojogos. Neste caso, o facto de a narrativa ter um peso enorme neste modo de campanha, é algo que é um deleite para qualquer fã, porque explica todos os eventos passados, todas as relações das personagens, todas as empatias e rivalidades, sempre com a preocupação de o fã de hoje compreender os mais de 25 anos de historia de MK, mas um verdadeiro deleite para um fã de mais de 25 anos de Mortal Kombat, como eu.

Para compreenderem melhor este facto, depois dos eventos de MKX e da derrota de ShinokRaiden ficou corrompido e traz consigo o amuleto do próprio Shinok e começa a tentar controlar todos os reinos e a demonstrar que é ele que manda em todos eles, e como essa personalidade de Raiden desafia o equilíbrio do mundo, Kronika, a entidade que controla o tempo, faz com que os mundos colidam em um só, isto é, todas as personagens de todos os tempos estão metidos ao barulho, o que faz com que tenhamos versões duplicadas das personagens, vários conflitos pelas mudanças dos tempos, dois Khans e um caos entre Deuses, mortais e imortais para resolver para lá do tempo e do espaço.

Pode parecer um enredo complicado e complexo e não posso dizer que não o é, mas a verdade é que estamos perante um verdadeiro filme de Mortal Kombat, onde os combates são parte integrante duma trama onde até podemos escolher entre duas personagens, em muitas das situações, para ainda ter uma experiência mais pessoal.

Mortal Kombat 11 é um mimo, é inegável ao escrever esta análise como estou satisfeito com o trabalho da NetherRealm em todos os aspectos e mais algum, o lore, o grind é enorme, existem centenas de items para desbloquear, personagens, gear, intro, brutalitiesfatalities, cartões, ícones cosméticos, bem tudo e mais alguma coisa, que nos fará jogar e joga e jogar.

E depois existe a Krypt, onde o jogo se transforma num mega puzzle na terceira pessoa, onde temos que usar todos os pedaços do nosso cérebro para conseguir abrir todos os cofres e arrepanhar todos os coleccionáveis. Mas atenção, a Krypt não é um local apenas de abrir cofres com as moedas que amealhámos, é muito mais do que isso, é um quebra cabeças que a Capcom gostaria de ter feito com um dos seus jogos, isto é, em certa medida, e apesar de não existirem combates, muito me fez lembrar o Onimusha, no sentido em que é preciso puxar alavancas, arranjar formas de fugir às armadilhas, encontrar artefactos específicos para desbloquear outras zonas, e tudo isso, sempre com pedaços de história para serem recordados, quer através de armas lendárias, aos locais de culto de algumas das personagens mais icónicas de sempre, como é o caso de Goro, tudo isto na ilha misteriosa de Shang Tsung, esse mesmo, o braço direito de Shao Khan e o inimigo mortal de Liu Kang.

Pelo meio destes puzzles e deste grind, vamos adquirindo desde o martelo de Shao Khan para conseguir destruir objectos para arrecadar moedas, a adaga de Scorpion para atingir objectos fora de alcance ou até a headband de Kenshii que se a colocarmos por cima dos olhos conseguirmos ver para além do mundo real, e apanhar uns quantos cagaços pelo meio.

Dizer que as mudanças da jogabilidade não são muito significativas em relação a MKX, mas foram apuradas, especialmente porque não havendo um botão de corrida e voltarmos ao velho Dash, os combos para encaixarem vão precisar de uma maior dedicação e conhecimento do que estamos realmente a fazer e contra quem estamos a lutar, podendo utilizar ainda o R1 para com um combo encaixado aplicar mais dano no ataque desferido.

Continuamos a ter os counter e os cancels attacks, dando sempre a oportunidade de dar uma resposta e de recompensar o jogador pela paciência e estratégia aplicada, por isso, vamos continuar a ter as famosas cenas de partir os queixos ao adversário ou as costelas e ver essas animações, para além de duas barras que foram incorporadas, uma de defesa e outra de ataque para que também não possamos abusar na estratégia submissa ou agressiva que tentemos aplicar.

Para equilibrar ainda mais as partidas, temos os Fatal Blows, que quando estamos, diria eu a 1/6 da nossa barra de energia, podemos fazer um ataque especial, com direito a animação especial também, pressionando o R2 e L2 ao mesmo tempo. A Inteligência Artificial está muito boa, e isso nota-se particularmente nas Torres do Tempo, que já referi, em que a IA começou a perceber que eu tinha encontrado um sequência de ataques, e começou a dar-me a volta, e eu estive a falar comigo mesmo, naquela do: “olha o gajo…a dar-me a volta” e ficar com aquele sorriso malandro, do desafio que estava à minha frente.

Juntar ainda o facto de os próprios cenários poderem ser utilizados em 3 pontos chave, centro, extremo esquerdo e extremo direito, com algumas variantes, seja de atirar objectos e de encontrar um apoio para um salto que nos pode dar uma vantagem num ataque ou escapar de um ataque do oponente. Acho que este é um Mortal Kombat muito equilibrado e muito eficaz em todos os sentidos.

Vamos lá falar ainda de Aftermath, a expansão do jogo incluída também neste Mortal Kombat 11 Ultimate. Depois de God Liu Kang ter derrotado Kronika, ele ficou como Raiden, agora terreno, a ter que organizar todas as linhas do tempo, mas existe um problema, ao derrotar Kronika, God Liu Kang destrui também a sua coroa que fazia com que a cápsula do tempo não se partisse ao manejá-la, e é aí que entram 3 novas personagens na história. NightwolfFujin e Shang Tsung, os 3 aparecem para explicar este facto e para tentarem recuperar a coroa, regressando ao passado, antes que Kronika para apanhar a coroa e então restabelecer a ordem. Contudo com Shan Tsung metido ao barulho as coisas nunca são assim tão simples e é claro que não vai ser assim tão linear, mas isso vão vocês descobrir.

Para além destes 3 personagens podemos contar também com SindelSheevaShao Kahn e um jovem Shang Tsung como personagens jogáveis durante a história, que continua a ter os seus momentos onde podemos escolher a personagem com quem queremos jogar, até moldar o fim do jogo com uma escolha que dará um final diferente à expansão. Em relação a isso, estou curioso para saber se a escolha que fazemos terá implicações no futuro ou se poderemos jogar os dois lados da moeda num futuro próximo. Mais do que apenas uma expansão, acho que estamos a falar de criar uma base de continuidade, a verdade é que, e já falámos disso na análise, trazer todas as personagens de volta depois de tantos acontecimentos não era uma tarefa fácil e foi brilhantemente conseguida, agora trata-se de conseguir dar continuidade para que não tenhamos que esquecer algumas das personagens num futuro próximo, e parece-me que isso foi conseguido.

A campanha termina-se em cerca de 3 horinhas muito bem passadas, sempre com a mesma sensação que estamos a ver um filme e a jogá-lo pelo meio, desbloqueando skins e elementos de cosmética para todas as nossas personagens, alimentando a que joguemos mais do que uma vez, até para experimentarmos jogar com todas as personagens e ver os dois fins do jogo, duplicando logo aí o tempo de jogo, para além da adição de novos cenários como Dead Pool e Soul Chamber, para além das Friendships que regressaram e ainda a introdução de novas personagens, entre as quais RoboCop com a voz original do filme da década de 80.

Tendo em conta tudo isto, o que dizer desta versão Ultimate de MK 11?! Bem acho que é simples, é um jogo obrigatório, já o era na sua versão “normal”, e neste caso é obrigatório para todos aqueles que por ventura ainda não têm o jogo, porque assim ficam com tudo aquilo que já foi lançado até à data, e especialmente com o facto de ter a expansão incorporada, é uma edição recheada de coisas boas. Continua a ser o melhor jogo de Mortal Kombat já editado, e nesta versão e com o update de nova geração, torna-se agora também obrigatório para todos aqueles que já têm uma consola desta nova geração.