Se um combate mortal fosse para meninos, não era um Mortal Kombat. É tão simples como isso. Começo a não conseguir compreender muito bem o facto de se pensar que os jogos não foram feitos para ser difíceis mas para serem fast food. Não é que tenha um problema com isso, há muitos jogos nesse sentido, há os Battle Royales da vida e alguns jogos que até são considerados como eSports, a questão é que o Mortal Kombat também o é, e na verdade sempre o foi, mesmo quando a “modalidade” não existia. O que existia nessa altura era um sorver de moedas nas máquinas arcade para com muito empenho e dedicação chegar ao Goro e vir para casa chorar por não o conseguirmos derrotar. É claro que 1992 para 2019 a frustração terá que ser diferente, nem que seja, pelo facto de não gastarmos moedas, mas temos de ficar com os dedos doridos, e provavelmente uns comandos partidos. Mas a questão é: isso acontece porque as condições para vencermos são impossíveis, ou porque ainda temos muito para aprender?! A resposta é só uma, e é simples, e só para pescar uma frase do Batman cujos jogos também estão sob a alçada da WB Games, “Why do we fall? So we can learn to pick ourselves up“. E é só fazer isso mesmo, com um olhar crítico olhar para onde falhámos e perceber o que estamos a fazer mal e aprender a fazer bem, e Mortal Kombat 11 dá-nos todas as ferramentas para isso. O Tutorial vai dos elementos mais básicos de combates e movimentos, o “encaixar” os combos, o usar de forma inteligente as duas barras de defesa e ataque, o timing certo de ataque, defesa e contra-ataque, e deixa-nos o fazer até ao último pormenor, pois podemos analisar ao frame os movimentos do adversário, para. por exemplo, os profissionais, aprender toda as movimentações e as indicações corporais dos ataques dos adversários. Existe ainda um tutorial para cada uma das personagens para dominar os vários ataques das várias personagens.

Mortal Kombat 11 – Official Launch Trailer

Como podemos começar a jogar Mortal Kombat 11 com o decorrer da instalação do modo história, Torres e Krypta, aquilo que fui fazendo enquanto esperava, foram estes turoriais, e para além de arrecadar moedas preciosas para as customizações, senti uma evolução muito natural e recompensadora, e senti muito mais isso agora, neste MK do que em anteriores ou mesmo nos Injustice.
E como o Modo história ainda não estava instalado, fui para as Torres do Tempo, para além dos Tutoriais que nos demonstram como os modificadores podem alterar a forma de abordarmos as batalhas, também aprendemos a usar os consumíveis, que podem dar alguma vantagem perante lutas mais demolidoras. Os modificadores podem “sugar” a nossa vida sem parar, podem ser misseis de sangue a surgirem do nada, pode ser também o facto de quando usamos um movimento especial, perdemos uma grande quantidade de vida, entre outros, e são superáveis com persistência e treino, é só preciso ter paciência e uma mentalidade forte.

Mortal Kombat 11 – Official Story Trailer

Eu sei que ainda não falei do Modo História, já lá vou, ainda em relação às Torres do Tempo cujo o nome tem a ver com a história deste Mortal Kombat 11, também o tempo é um factor, isto porque há Torres que apenas surgem durante uma semana, um mês, um ano, e há ainda alguns que apenas podem ser desbloqueados usando as moedas do jogo, como é, por exemplo, as Torres para determinada personagem, para ganharmos items de customizaçaão específicos para essa personagem. Há ainda a hipótese, já que falei de tempo, de jogarmos em formato contra relógio, só para colocar ali uma pressão extra.

Mortal Kombat 11 – Official Story Prologue Trailer

Vamos então à História, a NetherRealm tinha prometido um modo de campanha imersivo, com uma narrativa interessante e trabalhada e com uma forte componente cinematográfica. Check, Check e… Check! A história em si pode ter traços de semelhanças com aquilo que já vimos em Injustice, no sentido de tentar encontrar uma fórmula, ou entidade, que cole todas as personagens que fazem honra à história que Mortal Kombat tem e terá no mundo dos videojogos. Neste caso, o facto de a narrativa ter um peso enorme neste modo de campanha, é algo que é um deleite para qualquer fã, porque explica todos os eventos passados, todas as relações das personagens, todas as empatias e rivalidades, sempre com a preocupação de o fã de hoje compreender os mais de 25 anos de historia de MK, mas um verdadeiro deleite para um fã de mais de 25 anos de Mortal Kombat, como eu. Para compreenderem melhor este facto, depois dos eventos de MKX e da derrota de Shinok, Raiden ficou corrompido e traz consigo o amuleto do próprio Shinok e começa a tentar controlar todos os reinos e a demonstrar que é ele que manda em todos eles, e como essa personalidade de Raiden desafia o equilíbrio do mundo, Kronika, a entidade que controla o tempo, faz com que os mundos colidam em um só, isto é, todas as personagens de todos os tempos estão metidos ao barulho, o que faz com que tenhamos versões duplicadas das personagens, vários conflitos pelas mudanças dos tempos, dois Khans e um caos entre Deuses, mortais e imortais para resolver para lá do tempo e do espaço. Pode parecer um enredo complicado e complexo e não posso dizer que não o é, mas a verdade é que estamos perante um verdadeiro filme de Mortal Kombat, onde os combates são parte integrante duma trama onde até podemos escolher entre duas personagens, em muitas das situações, para ainda ter uma experiência mais pessoal.

Mortal Kombat 11 – Old Skool vs. New Skool Trailer

Mortal Kombat 11 é um mimo, é inegável ao escrever esta análise como estou satisfeito com o trabalho da NetherRealm em todos os aspectos e mais algum, o lore, o grind é enorme, existem centenas de items para desbloquear, personagens, gear, intro, brutalities, fatalities, cartões, ícones cosméticos, bem tudo e mais alguma coisa, que nos fará jogar e joga e jogar. E depois existe a Krypt, onde o jogo se transforma num mega puzzle na terceira pessoa, onde temos que usar todos os pedaços do nosso cérebro para conseguir abrir todos os cofres e arrepanhar todos os coleccionáveis. Mas atenção, a Krypt não é um local apenas de abrir cofrens com as moedas que amealhámos, é muito mais do que isso, é um quebra cabeças que a Capcom gostaria de ter feito com um dos seus jogos, isto é, em certa medida, e apesar de não existirem combates, muito me fez lembrar o Onimusha, no sentido em que é preciso puxar alavancas, arranjar formas de fugir às armadilhas, encontrar artefactos específicos para desbloquear outras zonas, e tudo isso, sempre com pedaços de história para serem recordados, quer através de armas lendárias, aos locais de culto de algumas das personagens mais icónicas de sempre, como é o caso de Goro, tudo isto na ilha misteriosa de Shang Tsung, esse mesmo, o braço direito de Shao Khan e o inimigo mortal de Liu Kang. Pelo meio destes puzzles e deste grind, vamos adquirindo desde o martelo de Shao Khan para conseguir destruir objectos para arrecadar moedas, a adaga de Scorpion para atingir objectos fora de alcance ou até a headband de Kenshii que se a colocarmos por cima dos olhos conseguirmos ver para além do mundo real, e apanhar uns quantos cagaços pelo meio.

Mortal Kombat 11 – NetherRealm's Favorite Fatalities

Bem já estou farto de escrever e ainda tenho de falar da jogabilidade dos combates em si, para tentar resumir da melhor forma, dizer que as mudanças não são muito significativas em relação a MKX, mas foram apuradas, especialmente porque não havendo um botão de corrida e voltarmos ao velho Dash, os combos para encaixarem vão precisar de uma maior dedicação e conhecimento do que estamos realmente a fazer e contra quem estamos a lutar, podendo utilizar ainda o R1 para com um combo encaixado aplicar mais dano no ataque desferido. Continuamos a ter os counter e os cancels attacks, dando sempre a oportunidade de dar uma resposta e de recompensar o jogador pela paciência e estratégia aplicada, por isso, vamos continuar a ter as famosas cenas de partir os queixos ao adversário ou as costelas e ver essas animações, para além de duas barras que foram incorporadas, uma de defesa e outra de ataque para que também não possamos abusar na estratégia submissa ou agressiva que tentemos aplicar. Para equilibrar ainda mais as partidas, temos os Fatal Blows, que quando estamos, diria eu a 1/6 da nossa barra de energia, podemos fazer um ataque especial, com direito a animação especial também, pressionando o R2 e L2 ao mesmo tempo. A Inteligência Artificial está muito boa, e isso nota-se particularmente nas Torres do Tempo, que já referi, em que a IA começou a perceber que eu tinha encontrado um sequência de ataques, e começou a dar-me a volta, e eu estive a falar comigo mesmo, naquela do: “olha o gajo…a dar-me a volta” e ficar com aquele sorriso malandro, do desafio que estava à minha frente. Juntar ainda o facto de os próprios cenários poderem ser utilizados em 3 pontos chave, centro, extremo esquerdo e extremo direito, com algumas variantes, seja de atirar objectos e de encontrar um apoio para um salto que nos pode dar uma vantagem num ataque ou escapar de um ataque do oponente. Acho que este é um Mortal Kombat muito equilibrado e muito eficaz em todos os sentidos.

Unboxing Mortal Kombat 11 Kollector's Edition

E por isso, falta-me apenas referir a componente gráfica deste jogo, em que o testámos numa PS4 Pro, com uma qualidade cinematográfica de invejar o único filme (e mau), que existe do Mortal Kombat, com um profundidade muito grande, com vários elementos nos cenários em movimento e a incorporarem-se no jogo com uma fluidez incrível, talvez como a própria fluidez que existe, nomeadamente no modo história, em que se passa de cutscenes para combates sem quebras, sem pausas, sem demoras, em que nem sequer existe uma quebra de capítulos, em que podemos sair quando quisermos e depois o jogo é resumido no ponto em que o deixámos, para que não sintamos que estamos a passar de um nível para o outro, apenas a seguir viagem numa narrativa muito bem construída.

The Making of Mortal Kombat 11 with NetherRealm Studios

Mortal Kombat 11 é talvez uma ode aquilo que representa este videojogo na história de todos nós gamers, se Mortal Kombat X trouxe uma componente gráfica num salto qualitativo enorme, devido à entrada na nova geração, Mortal Kombat 11 será sempre o ponto de partida para novas gerações de gamers, mas com um enorme respeito às gerações que cresceram com este jogo. Será também um ponto de partida para a NetherRealm e da WB Games para o futuro desta franquia, e terá um jogo como se costuma dizer, “rock solid”, para abordar um futuro que promete muito promissor do Mortal Kombat.

5.0

Sim

  • Modo história sublime
  • Graficamente superior, fluidez incrível
  • Lore, Grind e eSports garantidos
  • Um modo Krypt refinado e o modo de Torres realmente desafiante

Não

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