Developer: Milestone S.r.l.
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S, PlayStation 4, Xbox One e PC
Data de Lançamento: 30 de Novembro de 2021

Ainda antes do final do ano chega MXGP 2021 – The Official Motocross Videogame, o jogo oficial do campeonato de Motocross. Pode parecer estranho que este chegue já depois da temporada ter terminado e do próprio ano estar a acabar, mas como o conteúdo licenciado é relativo à edição de 2021, a equipa da Milestone parece não ter tido alternativa e talvez alguma dificuldade para captar tudo o que queria de conteúdo devido, ainda, à pandemia da Covid-19. 

Este é já o segundo jogo da franquia na nova geração, depois de MXGP 2020 ter feito a sua estreia na PlayStation 5 e Xbox Series X|S. Aqui vou falar-vos da experiência que tive na consola da Sony, que muito beneficia de ter o DualSense, porque sem essa sensação, este MXGP 2021 perde metade da piada. Desde a primeira corrida percebe-se que o comando vai estar sempre a tremer e que os gatilhos se tornam pesadões graças aos terrenos lamacentos invulgares e cheios de buracos. Preparem bem esses dedos porque facilmente chegam ao fim de cada corrida um pouco cansados, ou pelo menos com essa sensação.

Quem olha para  MXGP 2021 – The Official Motocross Videogame pode pensar que está a jogar a edição do ano passado. Infelizmente não houve grande evolução, mas, pelo menos a nível gráfico, as coisas estão num bom patamar. Não só na imagem nítida e brilhante, mas principalmente em pequenos pormenores, que juntos, tornam o jogo mais realista e bonito. A camisola do piloto a abanar com o vento, o apoio do pé no chão numa curva mais apertada, as pistas irregulares com aquela terra batida muito bem caracterizada, o público e ainda quando chove, vamos notar que fica tudo mais sujo, o que eleva este jogo para outro patamar de realismo.

Houve também alguns retoques na jogabilidade, mas coisas curtas que o jogador mais casual será incapaz de reparar. Na pista mantém-se um misto de arcade e de simulação. Por um lado é difícil manter o equilíbrio na mota quando saimos um pouco fora de rota ou quando fazemos um salto menos controlado, mas ao mesmo tempo podemos fazer quase uns truques no meio desses saltos, num estilo mais freestyle sem que isso nos cause problemas. Também na primeira curva, quando está tudo embrulhado, as quedas que vi surgiram mais da parte da IA. Eu por exemplo, nunca caí numa primeira curva contra outros pilotos e se fosse mais simulação aconteceria de certeza. 

A moto reage bem às nossas acelerações e travagens com destaque ainda para a posição e postura que o piloto tem em cima da moto, em que podemos ir ajustando com os analógicos. Isto é importante para a abordagem às curvas mais rigorosas e para os pontos em que vamos ter de dar saltos. Pode muitas vezes ser a diferença entre cair ou criar uma vantagem para ultrapassar um piloto à nossa frente.

Se na pista as coisas até parecem equilibradas, fora dela, principalmente nos modos de jogo, a história é outra. Fica a sensação que há pouco para fazer no final de umas quantas corridas. Além dos tradicionais contra-relógios e  corridas simples, o foco é no modo carreira, mas nem esse se livra de ser demasiado superficial. Quando olhamos para as franquias como o WRC, F1 ou até mesmo MotoGP, percebe-se que o caminho ainda é longo para a equipa da Milestone que até se podia aproveitar de ter tudo licenciado para elevar a fasquia. Ainda assim, este foi o modo que gostei mais, no qual, o objetivo é ir progredindo para assinar contratos com marcas e escolher a nossa equipa favorita ou ainda criar uma de raiz. Vamos ainda andar pelo MXGP2 a preparar caminho para ser campeão no escalão principal do MXGP. No final de uma ou outra temporada, não há muito mais a fazer. Há alguns convites para duelos com outros pilotos, mas pouco mais. 

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A nível de pistas, além das provas oficiais, o jogo vai manter provas icónicas do ano passado designando-as como Legacy Tracks, das quais faz parte a de Águeda, em Portugal. As restantes são Ottobiano na Itália, Ernée na França e Leon no México. Há também o modo PlayGround, que através de zonas abertas podemos explorar e aprender a conduzir melhor ou a afinar a moto para uma melhor performance noutras corridas. Podemos também criar alguns desafios e bater recordes de velocidade, por exemplo. É bom para relaxar também, se quiserem apenas dar uma voltinha. 

O modo para criação de pistas mantém-se, mas não é fácil terminar um circuito se forem novatos nestas andanças. É necessário as “peças” certas para se desenhar curvas em condições e ligar a parte final à inicial. Essas pistas podem depois ser usadas para fazermos corridas com os nossos amigos e com as nossas próprias regras. 

No online há poucas salas de jogo e obriga a ter de esperar muito tempo até conseguirmos ter alguma competição. A boa notícia é que se juntarem uns amigos, o panorama muda de figura, conseguindo colocar todos na mesma corrida. Também é possível jogar em ecrã dividido localmente. Algo que era normal nos tempos das consolas sem ligação à internet, mas que há jogos que inexplicavelmente não tem esta opção. Felizmente aqui não é o caso.

Uma palavra ainda para a personalização que é bastante limitada, até porque o jogo beneficia de ter todas as licenças e de já ter praticamente tudo no sítio. Podemos fazer ajustes ao nosso personagem e também à nossa mota. Há vários atributos que elas têm e seremos nós a escolher a melhor afinação. Velocidade, estabilidade e aceleração são alguns dos pontos a ter em conta na hora de partir para uma corrida.

MXGP 2021 – The Official Motocross Videogame acaba por ser a continuação do seu antecessor sem grandes mudanças de direção. É bonito graficamente, tem uma boa jogabilidade, mas faltam novidades nos modos de jogo que se revelam curtos passado pouco tempo. Há uma boa base de conteúdo para que o jogo possa crescer no futuro e oxalá possa vir a acontecer numa próxima edição. Por enquanto, vou continuar com tremideira nas mãos graças à imersão causada pelo DualSense.