Developer: Visual Concepts, 2K Sports
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X | S
Data de Lançamento: 12 de Novembro de 2020

Uma das minhas expectativas, sempre que vem uma geração nova de consolas, é ver como estão feitos os jogos de desporto, principalmente os jogos de basquetebol e de futebol. Esta é uma das franquias que normalmente faz parte da minha lista de compras no início de geração, até porque normalmente estes jogos servem de base para os anos seguintes, onde as diferenças não são assim tantas, pelo menos a nível gráfico.

NBA 2K21 Next-Gen foi feito de raíz para as novas consolas PlayStation 5 e Xbox Series X|S e com isso, não sendo apenas um port de uma geração para a outra, ganha muitos pontos naquilo que é verdadeiramente um novo jogo e não apenas uma simples atualização da 2K Sports. Depois da análise a NBA 2K21 na geração atual, asseguro-vos que este é um salto grande, principalmente a nível visual.

Se houve coisa que a 2K Sports me habituou foi a ver os seus jogos de NBA a confundirem-se com a realidade e este não é excepção. Aliás, este ainda se confunde mais com um jogo que podemos ver na televisão. Os pormenores fazem toda a diferença em NBA 2K21 Next-Gen. As feições dos jogadores, as reações em cada situação, a luz a incidir nos pavilhões e até a nova câmera de jogo que simula uma das perspectivas inovadoras que conseguimos ver durante a “bolha” de Orlando, o ano passado, onde decorreu a fase final da temporada, mostra a verdadeira essência do que se passa dentro de um jogo de NBA.

As faces estão mais reais, as reações aos embates fenomenais, principalmente se virmos as repetições detalhadamente, o reflexo de luz no chão dos pavilhões está excelente e o público ainda mais dinâmico a andar pelas escadas à vontade, porque a Covid-19 não faz parte deste mundo que é bonito de se ver. O jogo coloca todos os intervenientes no campo, desde treinadores, repórteres de televisão, mascotes, cheerleaders, equipa de acrobatas e até algumas caras conhecidas, donos de clubes, como é o caso de Mark Cuban dos Dallas Mavericks, que está à nossa espera à saída do balneário se jogarmos pela sua equipa. 

A jogabilidade também levou melhorias, principalmente quando chocamos contra jogadores, nos ressaltos ofensivos e defensivos. A luta é intensa e dá gosto ganhar um duelo desses. NBA 2K21 Next-Gen aproveita o DualSense da PlayStation 5 e os gatilhos ficam mais pesados nessas lutas e noutras situações de mudança de velocidade. Isto dá ao jogo uma maior imersão e coloca-nos mais dentro da ação como até aqui ainda não tinha acontecido. A nível tático o jogo também muda um pouco. Os jogadores ficam menos presos à posição e vão procurando situações que possam ser vantajosas para a equipa. Podemos e devemos recorrer ao nosso playbook de jogadas estudadas, mas mesmo sem usar isso é possível fazer coisas engraçadas. 

A defesa é mais agressiva e o bom posicionamento de um jogador é o suficiente para colocar o lançador mais desconfortável e dificultar o seu lançamento que tem a mesma lógica do jogo na PS4/Xbox One com uma barra lateral, onde quando se acerta no verde, as chances de a bola entrar aumentam drasticamente. O lado inverso também acontece, ou seja, se no ataque arranjarmos espaço livre para o cesto, dificilmente o nosso jogador não parte para o afundanço, caso tenha essas características claro. Jogadas como o “pick and roll” têm bastante sucesso até porque a troca de defensores no bloqueio ainda tem algum trabalho pela frente. Noutras opções táticas, a defesa à zona também me pareceu que tem de ser melhorada. Sempre que opto por esse estilo, rapidamente me arrependo e mudo de opção para o tradicional homem-a-homem. 

Fora dos pavilhões, o jogo está mais rápido e no que toca a tempos de espera, são quase instantâneos, aproveitando as características das novas consolas PlayStation 5 e Xbox Series X. A nível de menus está mais clean e organizado por sub-menus sem chocar à primeira vista, quem joga NBA 2K pela primeira vez.

Quanto ao que há para fazer neste NBA, dizer que há muita coisa que podem optar e algumas diferenças com o jogo da geração anterior. Os vários modos MyLeague e MyGM fundiram-se num só a que se chama MyNBA e consoante aquilo que pretendemos, podemos personalizar o jogo à nossa maneira. Escolher as equipas atuais, as mais clássicas, fazer um Fantasy Draft, jogar uma franchise online com amigos, ter uma experiência completa quase de Role-Play como havia no MyGM ou apenas fazer uma temporada normal até ao fim. Tudo é possível mudar, até mesmo algumas regras do jogo, do Draft ou o máximo salarial que se pode usar na nossa liga. 

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NBA 2K21 Next-Gen introduz também mais modos para o basquetebol feminino na WNBA. O The W permite-nos agora criar uma jogadora e fazer parte da elite feminina num modo muito parecido com o MyPlayer, mas sem a parte online. Também podemos fazer temporadas e até jogar online, tudo no mundo da WNBA. Já o MyTeam é exatamente igual à versão da geração atual, bem como os modos online já tradicionais como por exemplo o Play Now, onde podemos ir subindo divisões, mas que para encontrar alguém para jogar pode ser um exercício de paciência louvável. E claro que temos o grande modo da franquia, o MyPlayer que é, em potencial, uma das ideias mais espetaculares que um jogo já teve, mas que a nível offline é muito parecido com o anterior e dá-nos a mesma história The Long Shadow, com a diferença que agora conseguimos ficar a jogar no College mais anos.

O salto deste modo está no online. O Neighbourhood dá lugar ao The City, um crescimento substancial, mas que é quase um salto maior que a perna neste primeiro ano. Em vez de um bairro, agora temos uma cidade inteira dividida por quatro “equipas”, podemos chamar assim. O objetivo é ir crescendo, jogar nas dezenas de campos que existem por lá espalhados, fazer compras nas lojas habituais, jogar no REC, no Pro Am, mas isto para quem já jogava não é nada de novo. O pior é que a cidade é demasiado grande para um servidor onde estão 100 jogadores. É pouco e dá à cidade um ambiente de enorme vazio. Para piorar as coisas, há o grande problema do “pagar para evoluir”. O sistema de evolução é lento, para colocar o nosso jogador em forma e se vamos ao jogo poucas vezes ou mais tarde num ano, damos de caras com atletas no nível máximo enquanto nós surgimos com um simples 65 de overall. 

Isto estraga por completo aquele que é um excelente modo. Também o facto de não podermos passar os atributos desse atleta para um outro caso queiramos começar de novo, com outro estilo, é muito frustrante. O jogo não deixa fazer isso para se ter de recorrer aos tokens do jogo que se compram com microtransações. É o típico “se quiseres, paga”, como se dar 80 euros por um jogo não fosse o suficiente para poder desfrutar dele à vontade, nomeadamente em franquias anuais, como é o caso. Outro dos problemas é o facto de antes de chegarmos à The City, passarmos por uma espécie de testes, onde teremos de atingir um certo lugar no ranking para subir. Eu em dois jogos consegui logo, mas para se fazer um jogo tive de estar à espera que aparecesse alguém durante 20 minutos em cada partida. Entendo a ideia, mas para colmatar a falta de jogadores, talvez pudessem colocar a CPU em alguns momentos.

Esta edição do jogo é como se fosse um jogador que vem do Draft com imenso potencial dentro do campo, mas que, fora dele, continua com alguns problemas que já vêm de trás. Se dentro do campo está quase tudo bem feito e no bom caminho, é fora dele que a 2K Sports tem algumas dores de crescimento. 

NBA 2K21 Next-Gen criou uma boa base de sustentação para os próximos anos e é um dos jogos mais parecidos com a realidade que alguma vez joguei. Há planos que se confundem com uma transmissão televisiva da competição e não há dúvidas que é um salto grande geracional na vida da franquia. Alguns modos online com a sua base em microtransações estragam, em parte, o que está bem feito, mas cabe a cada um decidir o que pretende do jogo. Eu vivo bem sem isso. Bola ao ar e que comece a partida.