Developer: Visual Concepts, 2K Sports
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, PC, Nintendo Switch
Data de Lançamento: 04 de setembro de 2020

O meu gosto pela NBA já vem desde pequeno. As primeiras imagens que tenho são das finais de 1998 onde Chicago Bulls lá estavam com uma equipa enorme liderada por Jordan, Pippen e Rodman que eu o apelidava como “o do cabelo às cores”. O documentário Last Dance, da Netflix, fala dessa equipa, principalmente de Jordan e fez-me reavivar algumas memórias desse tempo. Nos videojogos lembro-me de ter tido o NBA Live 98, o 2000 e o 2002, mas depois, já não sei muito bem porquê só voltei a jogar um jogo de NBA em 2006 e foi aí que mudei para a série NBA 2K com o NBA 2K7. Desde aí, poucos foram os anos em que não joguei a franquia anual da 2K Sports. Uns mais do que outros, à sua maneira, lá foram surpreendendo pela positiva, até mesmo nestas últimas edições em que a evolução já não tem sido assim tanta, há sempre este ou aquele aspecto que devolve a qualidade merecida à franquia.

Na partida para a despedida da atual geração, NBA 2K21 não vem revolucionar o que tem feito nos últimos anos, pelo menos na atual geração onde estou a analisar o jogo. Talvez isso esteja guardado para a edição da nova geração na PlayStation 5 e Xbox Series X, onde o jogo foi feito de raíz com novos motores e novas captações de movimentos. É um ano atípico. Desde uma NBA real sem público que caminha para o final de temporada, quando devíamos estar a começar uma nova a um jogo que sai duas vezes e que quem o quiser nas duas versões, na atual e na futura geração, terá de comprar a edição Mamba Forever Edition, mais cara e que tem Kobe Bryant na capa, como uma homenagem ao jogador depois da sua trágica morte que aconteceu no início deste ano. Valerá a pena comprar a edição atual, esperar pela nova ou comprar já a Mamba Forever Edition? Ao longo dos próximos parágrafos vou tentar responder-vos a essas perguntas.

Começo pela jogabilidade. Quando ligamos o jogo pela primeira vez nota-se algo diferente. Não é abismal, nem nada que se pareça, mas os jogadores parecem mais soltos e livres de movimentos do que na edição passada. Há mais uma série de lançamentos para quem domina a arte de atirar ao cesto com os analógicos. Decidi este ano desafiar-me e jogar também como os “profissionais” ou jogadores mais recentes o fazem. Eu sou daqueles que ainda usa os botões tradicionais para jogar e colocar a bola dentro do cesto. O que é certo é que quando usamos os analógicos, abre-se uma enorme panóplia de possibilidades. Há muitas mais manobras controláveis e truques que podemos utilizar para tirar da frente os defesas. Além dos tipos de lançamento que já vinham de anos anteriores, NBA 2K21 adiciona mais umas dezenas de combinações possíveis e tudo apenas com os analógicos. 

Também a barra que enche quando efectuamos os lançamentos está diferente. Aparece agora na horizontal em vez de aparecer na vertical e diz-nos onde devemos acertar para ter uma maior possibilidade de sucesso. É claro que a podemos desligar, mas no início recomendo usá-la. Nas táticas, notei uma maior movimentação dos jogadores. No anterior havia jogadas em que os nossos jogadores se mantinham estáticos até lhes darmos algumas ordens, mas este ano lêem melhor o jogo e libertam-se de marcações, de bloqueios e tentam procurar alguns espaços livres em ataques mais complicados. As jogadas que podemos efectuar são praticamente as mesmas, mas muda a maneira de as fazer, porque os jogadores que defendem também parecem mais inteligentes a fechar os espaços. Ainda assim não é tão satisfatória a experiência de atacar o cesto de longe, na passada. Há quase uma relutância por parte do jogo quando estamos com espaço e queremos entrar no garrafão. Sem que nada o faça prever, o jogador demora um pouco a fazê-lo. Eu até gosto quando se passa a bola para o nosso poste e o jogo se torna mais lento para permitir um ataque ao cesto ou um bloco mais dramático, mas quando se trata de um ataque rápido não faz grande sentido o jogador demorar mais uma fração de segundo para atacar o cesto. 

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A nível de animações também há melhorias. Os jogadores que desesperadamente vêm em corrida para tentar um bloco, muitas vezes vão levados pela linha lateral ou até mesmo contra a base do cesto que está coberta de material almofadado. É engraçado ver isso bem como também novas animações quando estamos a atacar. Não é revolucionário, não o podia ser porque o jogo já era genial, mas fazem alguma diferença nas primeiras vezes que apanhamos estes novos movimentos. Graficamente o jogo já era espetacular e assim continua. Ás vezes até se confunde com imagens reais. E é uma benção ver ambientes de alguns pavilhões cheios a criar pressão aos adversários como não se tem visto ultimamente devido aos pavilhões vazios na “bolha” de Orlando, onde se está a jogar o final de temporada da NBA na realidade.

Quanto aos modos de jogo, eles mantém-se intactos, mas com algumas mudanças. Começo pelo MyPlayer, onde a cada ano que passa somos levados a uma nova história. A deste ano é bem diferente do que estávamos habituados, mas porque nos leva para uma parte da vida ainda mais jovem. Vamos começar no secundário com o Junior, o nome que o jogo utiliza e embora seja possível escolher o nome, aparência e estilo de jogo como nos anteriores, o jogador é apelidado de Junior. Este ano o “filme” é o The Long Shadow e segue a premissa de um miúdo jovem que é promissor, mas que joga na sombra do falecido pai. O Junior vai lidar com os problemas de adolescente e dilemas básicos. Questiona se deve seguir a carreira no basquetebol e mistura-se com uma história paralela de amores de secundário, à boa maneira dos filmes americanos de domingo à tarde. O enredo acaba por não ser tão apelativo como outras edições que já passaram. Talvez tenham perdido a hipótese de fazer um real tributo a Kobe Bryant e até quem sabe fazer uma espécie de início de carreira do jogador. Ainda assim e devido ao facto de começarmos mais novos, a longevidade deste modo é ainda maior. Primeiro jogador do secundário, depois a faculdade, a Summer League e por fim então o Draft. Se não quiserem jogar esta parte podem saltar a história e passar diretamente para a NBA, onde podemos escolher o nosso empresário. Uns dão mais benefício por jogo com VC Coins, a moeda virtual usada pelo jogo e outros têm mais incidência nos patrocinadores.

Além disto, há o tradicional The Neighbourhood que muda de cenário de um “Park” mais tradicional para uma praia, a “Venice Beach” em Los Angeles com as paredes repletas de grafitis com a cara de Kobe Bryant e mensagens. A vista é mais atrativa, embora as lojas e os modos se mantenham a bem dizer os mesmos que o jogo passado. Este é aquele modo online em que é excelente jogar com amigos nos campos de rua 2×2, 3×3 ou criar uma equipa mais profissional com pavilhão e equipamento e jogar 5×5 contra outras equipas. O grande problema disto, já não é de agora, mas mantém-se: as microtransações. Um jogador normal para evoluir o atleta tem de jogar muito, mesmo muito para chegar a valores como 90 e tal. Se comprarem VC Coins, a tarefa é mais fácil e basta evoluir o atleta. É certo que isto só continua a existir porque há público a comprar, mas acaba por estragar um pouco a experiência de jogadores mais casuais porque não há um ranqueamento de servidores. Um jogador de 60 pode estar no meio de 20 jogadores com overall 99 o que acaba por ser muito desolador se não tiverem alguns amigos para jogar entre vocês.

Outro modo que vive muito também de VC Coins é o My Team. O modo Ultimate Team do NBA 2K que ao longo dos anos tem feito uma mudança ou outra e tenta motivar os jogadores a construírem as suas equipas de sonho. O modo mantém-se com muito do ADN do passado, mas acrescenta algumas boas adições. A luta por anéis de NBA, onde aos fins de semana há novos desafios específicos para os jogadores. Desde ter uma equipa só do Este ou só vencedores de NBA, ou rookies, entre muitas outras possibilidades. São torneios diferentes todas as semanas o que é sempre bom. Ganhar esses anéis dá prémios e cartas para a nossa equipa que agora além de jogadores normais, especiais e que evoluem se fizerem determinados objetivos, há ainda cartas de estilo de jogo que regressam nesta edição para podermos jogar mais como queremos e moldar os nossos jogadores ao nosso estilo de jogo. Há também um sistema de Seasons que vai ser dividido ao longo do ano. Bem ao estilo de FIFA, onde há medida que vamos fazendo mais coisas na época, mais ganhamos. O My Team dá para jogar Online e Offline, escolhas não faltam. 

Há ainda os outros modos tradicionais que eu acabo por jogar mais. Além da novidade do ano passado, a WNBA está de volta este ano e nos homens continuamos com o modo Seasons, onde escolhemos uma equipa e tentamos vencer o anel. Há o My GM onde assumimos o papel de General Manager de uma Franchise e a podemos reformular e até mudar de cidade para os levar à glória. Não se esqueçam que podem mudar os preços dos bilhetes dos jogos, do material vendido e por aí fora. Há o divisões online onde se vencerem um certo número de jogos sobem de divisão e caso não consigam, podem descer e ainda o modo My League que nos permite configurar uma liga toda à nossa maneira, inclusivé fazer uma franchise online com amigos, cada um com a sua equipa. Uma maravilha. O modo NBA Today só vai estar disponível quando a nova época arrancar, em dezembro, mas o modo é idêntico ao de outros anos onde começamos com uma equipa na situação em que ela se encontrar, na realidade.

Como já perceberam, modos não faltam, gráficos são excelentes e dentro do campo há algumas melhorias, retirando alguns bugs da CPU em situações fáceis e que de repente passa-lhes algo pela cabeça e fazem disparates como estar isolados e esperar por um defensor em vez de atacar o cesto. Acontece, mas não é sempre. Dito isto, não tenham dúvidas que o jogo é bom. Muito bom até, mas é mais do mesmo com as irritações do costume nomeadamente loadings desesperantes e o problema das microtransações e do pagar para ser melhor mais rápido em modos online.

Estou curioso para perceber como será NBA 2K21 na nova geração. Nesta, atingiu um nível que já não passa muito daquilo que se viu em edições anteriores. Tentando responder às perguntas iniciais optava por comprar a Mamba Forever Edition, não só por ter Kobe na capa, até porque há outros jogos antigos onde o ex-jogador já estava presente, mas pelo facto de permitir jogar nas duas plataformas. Começar já e depois fazer o upgrade agrada-me bastante. A bola está lançada para os donos do trono à cerca de 15 anos e sem grande concorrência do NBA Live. Resta saber se se acomodam ou mostram trabalho. Acredito nesta última opção pelo que a 2K Sports já demonstrou ao longo dos anos. Até lá, é ir jogando.

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