Developer: Visual Concepts, 2K Sports
Plataforma: Xbox Series X|S, PlayStation 5
Data de Lançamento: 10 de Setembro de 2021

Ano após ano a 2K Sports brinda-nos com a sua franquia anual NBA 2K. Como todos os grandes jogos, é normal ser muito elogiado por uns e odiado por outros, principalmente quem só joga os modos online. É certo que muitas vezes não há melhorias significativas de uma edição para a outra e talvez o facto de não ter concorrência no mercado ajude a justificar isso. No entanto, é melhor despir esse preconceito e equipar-nos a rigor para esta segunda época da franquia na nova geração de consolas. Seja na PlayStation 5 ou na Xbox Series X|S, NBA 2K22 apresenta mudanças significativas, dentro e fora dos pavilhões.

Começo pelas diferenças dentro do terreno de jogo que mudam e melhoram a jogabilidade em relação ao passado. O primeiro aspecto que salta logo à vista é o cansaço dos jogadores. Não é novidade nenhuma eles se cansarem, mas nunca tinha tido tanta influência no rumo da partida. A barra por baixo do jogador mostra o quão o nosso jogador está ou não de rastos e vai-se esgotando ao longo de cada jogada. Se depois de levar com um cesto quiserem agarrar num jogador vosso e correr o campo todo a fintar jogadores, as hipóteses de atirar ao cesto com sucesso são nulas, a não ser que se consiga um isolamento. Isto porque o jogador vai-se cansando ao longo do caminho, perdendo a força e o discernimento na hora de atirar ao cesto. 

Outra boa mudança neste NBA 2K22 é a força e a presença que os jogadores maiores e mais robustos têm dentro do garrafão quando estão a defender. Se antes parecia banal ultrapassá-los, agora a conversa é outra. Pensem duas vezes antes de partir para cima de um Giannis Antetokounmpo ou de um Rudy Gobert porque o mais certo é levarem com um bloco, ou um abafo como se diz na gíria do basquetebol. Isto torna as partidas mais físicas e também mais realistas, menos quando um jogador destes mais parece um guarda-redes. Isso aconteceu-me mais online, onde às vezes parecia impossível marcar cestos. É claro que isto obriga a descobrir novas maneiras de fazer pontos e se houver jogadores livres, sem marcação, o sucesso do lançamento é quase garantido. Isto dá ao jogo um maior equilíbrio entre atirar de longe e tentar penetrações. Vai depender muito da equipa que temos, mas é melhor estarmos preparados para todos os cenários. De resto, o jogo mantém a riqueza tática que já tinha e continuamos a ter de “inventar” jogadas para descobrir jogadores soltos de marcação. 

As novas animações aumentam o sentimento de realismo que existe no jogo. Assisti a duelos absolutamente maravilhosos com um sistema de colisões entre jogadores melhorado e também a bolas que pareciam perdidas, mas que nas últimas um jogador atira-se e consegue evitar que ela saia. Estas situações são hilariantes, onde até cheguei a ver um jogador meu a empoleirar-se na mesa onde estão aqueles senhores que controlam os placares eletrónicos, junto à linha. 

A vida que há em cada jogo continua a ser uma das marcas da franquia. Isto vai desde a entrada para o pavilhão, onde estão jogadores a aquecer, bailarinos e bailarinas a animar o público, a mascote aos saltos, outros a mandar t-shirts e tantas outras situações. Mantém também inalterável aquilo que parece ser sempre uma transmissão televisiva em cada partida com os repórteres de pista a darem o seu contributo, jogadores a falar em descontos de tempo, a análise de jogo ao intervalo com Shaquille O’Neal e companhia. Também podemos contar com os grafismos específicos para cada fase da época, desde a primeira semana de jogos, passando pelas noites de jogo em dias de Halloween ou em dia de Natal. Está lá tudo. A isto, associa-se a beleza gráfica que o jogo já tinha na edição passada quando deu o salto para a nova geração. Se já era bonito na anterior, imaginem agora com faces mais reais, mais efeitos de luz no pavimento e com o suor a escorrer na cara dos jogadores. 

Estas mudanças fazem de NBA 2K22 um jogo melhor dentro do terreno de jogo, mas também há novidades nos modos que o jogo costuma ter. Desde logo no My Player, onde há uma incorporação direta entre o modo online “The City” e o offline. O que acontecia antes era que usávamos o mesmo jogador para o modo história e para o online onde andávamos pelos vários campos a participar em partidas contra outros jogadores. Agora “The City” junta tudo isso como se fosse um novo jogo em mundo aberto, qual RPG, onde temos missões principais, que fazem parte da história e outras secundárias. Esta evolução era necessária depois de um ano em que esta cidade enorme estava praticamente vazia. Desta vez há muito mais vida por todos os cantos. Há grupos a fazer o seu jogging, gente sentada a conversar e mais jogadores a andar por ali a jogar as suas próprias missões. 

Do lado da história principal, não esperem nada como antes. É muito mais superficial que outros enredos contados anteriormente, principalmente nos primórdios deste modo lá para o NBA 2K14 ou 2K15. De forma rápida podemos passar pelo College, pela G-League ou ir logo para a NBA propondo-nos ao Draft, o sistema que seleciona os novos jogadores para a Liga. Convém fazer os treinos e quanto mais preparados tivermos, mais chances temos de ser escolhidos numa posição superior. Podemos ir vendo as probabilidades de ir parar a uma ou outra equipa. Uma parte gira é que não somos nós a escolher a equipa diretamente. Eu fui parar aos New York Knicks na 7ª escolha do Draft. Nem foi mau ser companheiro de Derrick Rose, um dos meus jogadores favoritos. 

Paga-nos o café hoje!Como a vida não é só jogar, preparem o vosso telefone para andar pelas redes sociais, escolham a melhor agência para vos representar e habituem-se às críticas que vêm da internet. Algo me diz que isto é o jogo a brincar com as próprias críticas que recebe todos os anos de jogadores que jogam online. No meio disto ainda há desafios diários de lojas de roupa como a Adidas ou Nike, conversas de moda capazes de nos levar a uma carreira paralela nesse sentido e até a desfilar ou fazer de nós mestres musicais em quizzes, mesas de DJ ou aparecer em estúdio para gravar músicas. Isto faz parte das variadíssimas missões secundárias que The City tem para nós. A movimentação pode ser feita a pé, com uma bola ou, no início, com um skate, qual Tony Hawk. Mais tarde podemos ainda aceder a outros meios de transporte como bicicletas e também vi por lá Karts, mas devem custar muitos VC Coins. A moeda virtual do jogo continua a ser um grande problema porque custa muito a ganhar, parece o estilo de vida em Lisboa para quem ganha pouco. Claro que isto pode levar os menos pacientes a gastar dinheiro extra em microtransações. É legítimo, mas é algo que não concordo minimamente uma vez que já se paga pelo jogo. A boa notícia é que dá para ficar forte na mesma sem gastar um tostão. É ir jogando e como já diz a sabedoria popular: “devagar se vai ao longe”.

Se do lado masculino há muita coisa para fazer, o modo The W, no qual criamos uma jogadora e tentamos a nossa sorte na WNBA, não tem a mesma dinâmica, nem a mesma quantidade de elementos que o My Player. No entanto, o objetivo é o mesmo, ou seja, ganhar o caneco no fim e ser uma das melhores jogadoras da Liga. O MyNBA mantém-se idêntico ao do ano passado, onde podemos customizar a nossa experiência, desde fazer uma época simples, sem grandes sobressaltos fora do campo, ou escolher decidir tudo sobre o clube, desde a franchise, escolher a equipa técnica, criar um campeonato com equipas clássicas e até poder fazer ligas online com os nossos amigos. Liberdade total.

E se o NBA 2K tem sido uma franquia que leva outros jogos de desporto como FIFA ou Madden NFL a imitar os seus modos de jogo, no MyTeam a coisa é diferente. Aqui foi a 2K Sports a ir buscar a ideia ao FIFA e ao seu famoso modo FUT. O modo mantém as bases do ano passado e continua com modos online e offline. As cartas de jogadores, equipamentos, arenas, jogadas e por aí fora, vão nos chegando via packs que compramos ou objetivos que cumprimos. Neste modo destaco sempre o modo offline Domination, no qual teremos de vencer todas as equipas da NBA com a nossa que estamos a criar. Online há as habituais divisões, os campeonatos de fim-de-semana que requerem alguns requisitos próprios e um novo modo Draft, no qual calham cartas de jogadores ao calhas e é com esses que vamos a jogo. Uma espécie de FUT Draft, mas adaptado a este NBA. Se não quiserem criar uma equipa para jogar online, podem jogar com as equipas originais e fazer amigáveis, jogar em diversas divisões, nas quais se vai subindo conforme os resultados e até realizar as partidas diárias com os jogos que vão existir mesmo na realidade. Nesta altura ainda não é possível, mas quando a época da NBA arrancar dia 20 de outubro, esses jogos estarão disponíveis.

Antes de terminar esta análise, confesso que este é um dos anos mais felizes para quem gosta da modalidade em Portugal. Pela primeira vez na história, um português foi escolhido no Draft, que todos os anos permite a entrada de novos jogadores para a NBA. Neemias Queta foi escolhido pelos Sacramento Kings na 39ª posição e tudo indica que, mais tarde ou mais cedo, fará a sua estreia na NBA. Para já, sabemos que tem um contrato que lhe permite jogar na G-League, uma espécie de liga de desenvolvimento para novos jogadores, mas que, a qualquer altura pode ser chamado para a equipa principal. No jogo, à data desta análise, o português ainda não faz parte do vasto plantel de jogadores que NBA 2K22 apresenta, mas como há atualizações constantes, espero que Neemias possa vir a existir ainda na edição deste ano.

NBA 2K22 é o melhor simulador de basquetebol que alguma vez foi feito. Não só pelos gráficos incríveis que já é uma marca da franquia, mas pela sua jogabilidade que sofreu boas mudanças para a edição deste ano. A maneira como se gere o cansaço, associado à defesa forte de jogadores grandes, elevam a experiência deste ano e obriga-nos a jogar de várias maneiras. É uma pena que ainda existam microtransações, mas isso é um dos males do nosso tempo. Os modos infinitos, seja online, seja offline continuam a ser uma bandeira neste verdadeiro mundo que é ideal para qualquer fã da NBA se sentir em casa.

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