Developer: Visual Concepts, 2K Sports
Plataforma: PlayStation 5, Xbox Series X|S
Data de Lançamento: 9 de setembro de 2022

A pergunta é simples, mas muitas vezes provoca discórdia entre os amantes da NBA. Quem é o melhor jogador da história e qual a melhor equipa de sempre? À cabeça vem sempre nomes como Michael Jordan e LeBron James, bem como as equipas dos Bulls dos anos 90, os Lakers do início de 2000 ou os Celtics dos anos 80. Imaginem poder jogar cada uma dessas épocas num só jogo e ter ainda um modo especial para o eterno número 23 de Chicago.

A 2K Sports tornou isso possível com o novo NBA 2K23. Fazendo jus ao número do ano, os criadores do jogo lançaram uma bola certeira ao cesto e aproveitaram para criar, ou recriar o Jordan Challenge. O desafio que os mais veteranos aproveitaram no NBA 2K11, pode agora ser jogado com um grafismo invejável da nova geração. Além disso criaram o MyNBA Eras que permite jogar em quatro dinastias diferentes que marcam a história da modalidade. 

Começo então por vos falar no grande destaque desta nova edição, o tal Jordan Challenge. O modo consiste em ultrapassar 15 desafios sobre a carreira de Michael Jordan, que é para muitos, nos quais também me incluo, o melhor de sempre da história da NBA. É basicamente uma espécie de The Last Dance, a série da Netflix que documenta a carreira do jogador, mas agora connosco a jogar. Antes de cada desafio, há uma introdução histórica com testemunhos reais sobre os feitos do jogador e é como se jogássemos o modo carreira com ele. 

Vamos jogar nos tempos da NCAA, com os grafismos datados e a imagem sem as cores de hoje em dia, para dar um maior realismo e saudosismo a tudo isto. Vamos ter de replicar no ano de chegada à NBA e os 63 pontos marcados aos Celtics, ganhar os anéis pelos Bulls, entre outras aventuras ao longo da carreira do jogador. Cada Challenge tem três estrelas que podem ser conseguidas atingido o objetivo que cada uma delas nos pede. Com a emblemática faixa musical “Sirius”, sempre em fundo, a música que ainda hoje se ouve no pavilhão de Chicago, este modo é uma autêntica homenagem ao jogador e uma prenda extra para quem tem a sorte de ser adepto dos Bulls.

O segundo modo de jogo em grande destaque neste NBA 2K23 é o MyNBA Eras, que é nada mais nada menos que a possibilidade de jogar em várias décadas de história da modalidade. Podemos escolher quatro momentos para começar: optar por jogar na Era de Magic Johnson vs. Larry Bird e começar no ano de 1983 com todas as regras da altura e com um Draft à espreita onde se falava de um tal Jordan. Podemos viajar até 1991 e à Era de Jordan, onde vamos poder encontrar pelo meio, Karl Malone e cruzar-nos no Draft por exemplo com o peso pesado Shaquille O’Neal. 

Podemos também jogar na Era do Kobe Bryant e começar em 2002, onde no ano seguinte se realiza o Draft que viria a trazer para a liga jogadores como LeBron James, Chris Bosh, Carmelo ou Wade. Tudo isto com os grafismos datados, comentários de época próprios, os equipamentos antigos, os símbolos da altura, as equipas que apareceram e desapareceram da NBA e todas as regras de cada geração. Como é óbvio também podem jogar na Era Moderna que é como quem diz, a atual que junta Giannis, Tatum, Curry e ainda LeBron no mesmo campeonato.

Ainda naquilo que os jogadores têm para jogar, há o habitual MyTeam, onde vamos ter de formar uma equipa com as cartas que vamos adquirindo ou nos vão calhando em cada pacote. Nas novidades deste ano está o desaparecimento dos contratos, algo que já era pedido a algum tempo, bem como novas formas de jogar em cooperativo, como é o caso do Triple Threat 3vs3 em co-op online que antes não havia. Está de regresso o Clutch Time, com jogos de 5vs5 com ataques rápidos de 14 segundos até aos 21 pontos e outros tipos de partida já habituais como o Draft, onde fazemos uma equipa para jogar contra outros jogadores com cartas que não temos e que nos vão ser mostradas na altura. Modos não faltam, desde jogar com amigos, partidas ranqueadas online e os habituais desafios offline que permitem evoluir algumas das nossas cartas na equipa. 

Online podemos ainda juntar vários jogadores para fazer uma partida, jogar épocas no MyNBA Eras com outros amigos, andar pelas ligas em divisões que vamos ter de subir, entre muitas outras coisas. Junta-se ainda o modo MyCareer, que este ano volta a estar integrado com a Cidade gigante onde tudo acontece, mas para isso é preciso ter algum dinheiro virtual. Dos últimos anos é o modo carreira menos ambicioso no que toca à história e coloca-nos logo na noite do Draft, onde  escolhemos a equipa que quisermos. A partir daí e com apenas um jogo de observação é decidido o nosso papel na equipa para o início de época.

Começamos fracos e nem nos dão muito tempo para melhorar, mas podemos fazê-lo dentro de The City com vários desafios. A integração está boa, mas os atributos custam VC, a tal moeda virtual que deve enriquecer a 2K todos os anos. Tudo é pago: os equipamentos custam VC, uma simples t-shirt custa VC e acho que já perceberam que ou pagam ou tem de jogar muito, mas mesmo muito para conseguir ser um jogador minimamente competitivo. Este é assim aquele que considero o pior modo de jogo deste NBA 2K23 e é uma pena dizer isto quando olhamos para uma The City gigante que junta uma quantidade grande de jogadores online num só servidor para fazer atividades, jogar quiz, fazer partidas de 2vs2, 3vs3, 4vs4 e 5vs5. O modo perfeito na teoria, mas que na prática não funciona tão bem.

Na The City andei a completar quests como se fosse um RPG desportivo de modo a  evoluir o jogador e dotá-lo de técnicas especiais, vi por lá vários jogadores a moverem-se com skates, bicicletas e outros veículos, alguns deles ridículos, enquanto eu andava de metro para fazer viagens rápidas até outros pontos da cidade. o conceito é muito giro, mas acaba por ser frustrante ver tantos jogadores já competitivos desde início, que certamente pagaram para chegar aos 90 e tal de pontuação e nós ali no meio sem grandes chances de poder competir com eles. É urgente o balanceamento destes servidores e colocar na mesma sala, jogadores tendo como base a sua pontuação geral, mas claro que isso retiraria o dinheiro extra que as editoras teimam em ganhar todos os anos. Não é caso único e é um dos problemas dos dias de hoje. Nada contra quem o quer fazer, mas podiam colocar tudo mais equilibrado e não juntar os muito fortes com os muito fracos no mesmo servidor de The City. Haja esperança no futuro.

Com tanto modo de jogo, não me esqueci do mais importante para isto ter sucesso, a jogabilidade dentro dos pavilhões. O trabalho contínuo foi mantido e o jogo leva apenas uns ajustes em relação ao seu anterior. Há novas formas de lançamento para passar pelos defesas que me pareciam mais fortes antigamente e a força dos lançamentos vai requerer uma nova habituação. A IA dos adversários está melhorada e as equipas elaboram muito bem os planos de jogo dos seus treinadores. Os estilos de jogo assemelham-se à realidade e é incrível como às vezes já sabemos o que vão fazer, mas nem assim os conseguimos parar. 

Não é um salto de gigante do ano passado para este, nem nada que se pareça, mas há pequenas afinações nas movimentações dos jogadores, novas animações que até pode mandar o homem da câmera que está debaixo do cesto ao chão sem querer, entre outros apontamentos curtos que marcam esta edição. A nível gráfico o jogo continua um portento com todas as figuras da NBA a estarem fielmente recriadas e ainda a banda sonora mais virada para o hip-hop que a franquia já nos tem habituado e que não desilude quem gosta do género.

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A 2K Sports pode ter estagnado a evolução do jogo no campo, mas continua a encontrar soluções diferentes e fora da caixa para todos os anos levar os jogadores a pagar a nota por mais um jogo da franquia. Desta vez até havia uma versão com uma subscrição do NBA League Pass, a plataforma que permite ver os jogos todos da temporada da NBA. Costumo achar que as edições anuais dos jogos são caras, mas esta Champions Edition até valia a pena para quem costuma acompanhar todas as incidências da liga norte-americana de basquetebol.

NBA 2K23 é uma carta de amor aos que acompanham a NBA. Dos mais novos aos mais velhos, há aqui histórias para mais tarde recordar e modos de jogo que podem ter vindo para ficar. Sólido dentro do campo e inovador fora dele, só não leva um redondo 5 por causa das malditas microtransações. As tais VC que acabam por estragar a experiência online, mas que ainda assim não reduz em nada o resto do jogo que pode ser experienciado sem gastos extra e que por si só tem umas valentes horas pela frente.

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