Developer: Criterion
PlataformaXbox Series X|S, PlayStation 5, PC
Data de Lançamento: 02 de dezembro de 2022

Se existe franquia de automobilismo que nunca deixou nenhum jogador indiferente foi Need for Speed. São quase 30 anos (primeiro jogo lançado em 1994) em que a Electronic Arts (EA) tem alimentado os jogadores com o seu título de corridas, que teve tanto momentos memoráveis, como na última década temos visto a franquia a decair de qualidade, ou pelo menos, a não ser tão bem aceite por parte dos jogadores.

Este novo Need for Speed Unbound foi entregue pela EA à Criterion, numa tentativa de voltar a colocar a franquia na ribalta novamente, a ser um daqueles títulos de corridas que todos os jogadores queriam ter, como aconteceu com o nostálgico Need for Speed Underground. A verdade é que embora não estejamos a falar de uma cópia, as ideias do que podemos fazer com o carro, isto é, toda a personalização, melhoramentos, entre outras coisas está toda lá, e isso é um enorme ponto a favor para começar. Dito isto, será que Need for Speed Unbound é o tal jogo que todos os fãs da franquia desejavam? A resposta não é fácil, durante o jogo tive momentos em que me diverti imenso, e parecia que tinha voltado aos velhos tempos, noutros a sensação não foi assim tão boa. Melhor é irmos por partes, e começarmos pelo modo história.

A história não foge muito à realidade de outros jogos da franquia, já que como é habitual começamos em grande, com um carro bastante interessante e depois acontece algo e temos de ir subindo patamares, para alcançar novamente o topo. Aqui, mais uma vez, seremos um piloto que se aventura pelas corridas de carro devido a Yaz, uma mecânica que nos arranja um antigo carro, e o coloca praticamente como novo, para nos aventurarmos pelas ruas de Lakeshore. Durante o tempo que andamos com Yaz, vamos ter a oportunidade de fazer alguns eventos, ganhar algum dinheiro para alterar esse carro esteticamente e percebermos como funciona o jogo no geral, quer em termos de chegar aos eventos, ir até às safehouse, neste caso a garagem principal – Rydell’s Rydes – onde conhecemos Rydell, um mecânico extremamente conhecido na cidade por arranjar alterar os carros de muitos pilotos da cidade.

Será num serviço que vamos fazer para Yaz, que percebemos que algo de errado se está a passar, já que nada corre como ela nos falou, e ao voltarmos para Rydell’s Rydes, é que nos apercebemos de que tudo não se tratava de um esquema desta personagem, e ela além de roubar-nos o nosso carro, ainda rouba todos os carros que Rydell tinha na oficina, deixando assim a oficina Rydell’s Rydes com uma péssima imagem, e bastante mal visto por os outros pilotos. Depois deste acontecimento passam-se 2 anos, e será nessa altura que iremos começar novamente do zero.

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Durante esses dois anos passamos a trabalhar na Rydell’s Rydes, com Rydell a ser o nosso chefe, onde além de estar na oficina, também teremos de fazer trabalhos para ele fora da oficina. É num desses trabalhos que conhecemos Tess, que ao levá-la de um ponto a outro da cidade fica impressionada com a nossa condução, e mete-nos o bichinho de voltar às corridas de rua, e ainda convence Rydell a nos ajudar a tentar derrotar Yaz, que agora anda pelas ruas da cidade com o seu gang, e com todos os carros que roubou a Rydell.

É nesse momento que compramos o nosso primeiro carro, um carro de classe B, e iremos começar a participar em eventos, ganhando dinheiro, podendo fazer apostas contra outros oponentes, fugindo à polícia, e claro, com esse dinheiro entrando em eventos pagos, que proporcionam ainda mais dinheiro, melhorando o nosso carro na sua performance, alterando o seu aspecto e até comprando outros carros. Obviamente que o jogo não se foca só em derrotar Yaz, e existem muitos eventos que nada têm a ver com essa personagem; existem outros pilotos, personagens que vamos conhecendo e nos vão oferecendo novas safehouse, e trabalhos que vamos fazendo para Rydell.

É todo este bolo, quer de conteúdo jogável, e de personalização que fazem Need for Speed Unbound mais ambicioso do que os anteriores, e confesso que no aspecto do conteúdo é difícil os jogadores se queixarem. Obviamente que nem tudo é perfeito, mas já lá vamos.

Antes de avançarmos para a jogabilidade e até falar sobre Lakeshore e os seus eventos, falemos então da personalização, quer dos carros em performance e aspecto, mas também do personagem. Começando por este último, é no início do jogo que vão ter a oportunidade de criar o vosso personagem, isto é, partindo de 8 modelos existentes, 3 masculinos e 5 femininos, vocês terão a oportunidade de escolher um deles, e depois alterar o modelo do rosto, cor dos olhos, cor da pele e até a voz. Além disso, tem também a escolha do penteado, a cor de cabelo, tipo de barba, cor da barba, pinturas faciais e o tipo de óculos. Obviamente que estas três últimas personalizações podem desactivá-las, ou seja, não necessitam de ter pêlos faciais, nem pinturas na cara e muito menos usar óculos.

Existem ainda as roupas que o vosso personagem pode usar, e no início vão ter algumas desbloqueadas, não muitas, mas existe uma colecção bem grande de grandes marcas que podem adquirir. Vão encontrar marcas oficiais como Puma, Champion, Vans, Palace, Guizio, Versagem, Balmain Fils, entre muitas outras. A verdade é que para os jogadores que gostarem de uma roupa mais “normal”, então estão desgraçados, já que tudo varia de um estilo super desportivo, para algo muito fora da caixa, típico de roupas e acessórios de diversas passagens de modelos. Nesse aspecto, o jogo falha bastante, já que este não é certamente o estilo habitual dos streets racers, mas certamente o jogo é passado numa realidade alternativa, já que o metaverso está tanto na moda.

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Já no que se refere à personalização do carro, acredito que aqui faça a delícia dos jogadores. Neste aspecto, falo tanto da performance do mesmo, como dos estilos mais estéticos. Mas vamos aquele que eu mais gosto – a performance – já que é este que vence corridas, e aqui vão ter a possibilidade de alterar completamente o motor do carro, mas também algumas partes do mesmo, como o Módulo do Colector de Admissão, ECU, Sistema de Combustível, Sistema de Exaustão, Sistema de Aspiração Natural, Turbocompressor, Nitro, Suspensão, Travões, Pneus, Embreagem, Sistema de Velocidades, Diferencial e ainda uns extras que podemos usar.

No aspecto estético, a lista é ainda maior, mas é preciso ter em atenção que não altera em nada o carro, o que é estranho, porque não é preciso ser nenhum especialista para perceber que alterar um pneu, um aileron ou mesmo rebaixar o carro faz diferença na condução, daí fazer-me imensa confusão isso não fazer diferença no jogo, até porque faz certamente muitos jogadores só alterarem a estética do carro quando necessário. Seja como for, podem alterar o escape, o pára-choques traseiro e dianteiro, faróis, aileron traseiro, pára-lamas, espelhos retrovisores, saias laterais, rodas e aqui vai desde a estética dos pneus, às jantes e os discos, capô, entre tantas outras coisas.

Depois, temos ainda a pintura, e podem alterar as cores, mudar o tipo de visual, colocar adesivos, efeitos, o som do escape, os efeitos do carro a acelerar, quando batem, ou quando fazem algo especial com ele. Ainda podem alterar a buzina e ainda os neon por baixo do carro. Como é fácil perceber, o que não falta é personalização, e diria que neste aspecto nenhum jogador tem com o que se queixar. Obviamente que podem juntar dinheiro suficiente para comprar novos carros, e até vender carros que tenham adquirido, existe ainda a opção de comprar carros que já estejam personalizados.

Falemos então de Lakeshore, o mapa da cidade, que é bastante acertado para o tipo de jogo que estamos a falar. Temos diversos tipos de eventos, desde drifts, corridas de rua, corridas de em circuito, entre outras coisas. Além dos eventos ligados à história, existem ainda conteúdos adicionais, as chamadas Habilidades que podemos fazer para ganhar recompensas extras, como ganhar corridas com carros de classes diferentes – B, A, A+, S, S+ – mas também fugir um determinado número de vezes da polícia. Existem ainda Actividades, desde dar saltos longos em locais específicos que aparecem no mapa, passar em radar de velocidades a determinadas velocidades, fazer Drifs em determinadas áreas, entre outras coisas. Por fim, tem ainda os coleccionáveis, que vão desde partir outdoors, destruir ursos, ou encontrar artes urbanas.

Em termos de jogabilidade, o jogo passa-se em duas fases, durante o dia e durante a noite. Em ambas as fases existem eventos, com muitas corridas e fugas à polícia, embora estas sejam mais críticas à noite, já que basta serem detectados, para que comece a caça ao homem, e neste aspecto devo confessar que o jogo poderia estar bem melhor, já que fugir à polícia torna-se fácil, e ao mesmo tempo aborrecido, visto que sabemos que vamos conseguir fugir, apenas não sabemos o tempo que vamos demorar. Falta acção e um maior divertimento nestes momentos, e sendo algo que os jogadores sempre adoraram, deveria estar mais aprimorado.

Depois, temos a parte que não podemos mudar de carro sem irmos à garagem. E ir à garagem significa alterar a fase do dia, digo isto porque por vezes temos eventos de corridas e drift na mesma fase do dia, e isto requer carros diferentes, fazendo o jogador quase abdicar de um dos eventos. Podem sempre ir com um carro que faça imenso drift para ambos os eventos, mas não acredito que tenham grande sorte quando forem correr, a não ser que tenham um carro já com uma performance bastante grande.

Já em termos de condução, o jogo melhorou em relação aos anteriores. Obviamente que têm sempre de ter aquele tempo de adaptação, mas nota-se alguma evolução. Seja como for, ainda não chegou a algo verdadeiramente divertido como era o nostálgico Need of Speed Underground, e não seria muito difícil de o conseguir, até porque bastava agarrar na condução de Grid Legends que agora também pertence à EA, e colocá-lo em Need for Speed Unbound para o jogo disparar na qualidade da condução. Os drifts deixam a desejar, parecem demasiado forçados, não saem com aquela delicadeza que os jogadores tanto gostam, e obrigam o jogador a usar constantemente o Nitro para tentar endireitar o carro. O Nitro continua a ir enchendo por passarmos perto de outros carros, fazer drifts, andar em contra mão, entre outras coisas. Isto é, diria que embora melhorada, o aspecto da condução, que é algo essencial nestes jogos, ainda deixa a desejar.

Já Lakeshore tem um tamanho bastante interessante, muitos locais quer no campo, cidade, locais cheios de curvas, outros com auto-estradas para grandes acelerações e velocidade de ponta, isto é, existem eventos e locais para todos os gostos. Nesse aspecto, tudo parece excepcional, e no mapa os jogadores não têm com o que se queixar. E isso leva-nos para a componente online, onde é usado o mesmo mapa do jogo.

O Lakeshore Online, é onde os jogadores podem competir contra outros jogadores, ou andar só a passear com o seu carro. Confesso que foi um dos modos que me agradou bastante, uma vez que vamos começar com uma certa quantidade de dinheiro, e podemos adquirir um carro e começar a fazer as suas personalizações até saltarmos para o mapa e começarmos a competir. No aspecto das personalizações, temos as mesmas que no modo história, e mais uma vez podemos comprar carros, vender, isto é, são um street racer de Lakeshore como qualquer outro. O jogo mostra os vários eventos activos, onde os jogadores se podem encontrar e começar as corridas. É certamente um local que no início muitos jogadores vão passar muito tempo, mas que vai necessitar de eventos especiais a irem acontecendo para fazer os jogadores regressarem durante bastante tempo a este modo.

Graficamente, o jogo está incrível no que se refere aos carros, à cidade, e os diversos detalhes que podemos encontrar. A cidade está bem preenchida, quer de pessoas, como de outros carros que preenchem Lakeshore. Depois, temos o visual cartoon dos personagens do jogo, assim como os efeitos do carro, e aqui é que as coisas começam a ficar um pouco mais estranhas, porque se o visual dos personagens e roupas estão neste estilo pela direcção artística do jogo ter ido por este caminho até se entende, o problema prende-se a quando começamos a condução e temos de levar constantemente com os efeitos cartoonescos no carro. Até percebo que alguns jogadores gostem, mas muitos certamente não vão gostar, e não existir uma opção de desligar estes efeitos do carro, é algo que não se consegue compreender.

Quanto ao aspecto sonoro, os carros estão bons, com excelentes efeitos sonoros, quer a derrapar, quer o motor, como o ambiente envolvente também está bem conseguido. Já a banda sonora estará excelente para os fãs de hip-hop e reggaeton, já para aqueles que estes dois estilos não são tão apelativos, o melhor é mesmo desligarem a música do jogo.

Need for Speed Unbound está claramente um passo à frente dos anteriores, mas ainda tem alguns retoques a dar. A condução melhorou, mas poderia estar melhor como referi acima. A personalização em massa foi muito bem-vinda, e o modo o online tem muitos aspectos positivos, mas irá necessitar certamente de alguns eventos extra, para ir agarrando os jogadores a este modo. Não obstante, se são fãs da franquia de Need for Speed vale a pena darem-lhe uma oportunidade.