Developer: Vewo Interactive
Plataforma: PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch, PC
Data de Lançamento: 28 de Agosto de 2020

É engraçado ver como o género RPG está na moda há anos e anos a fio, e ao contrário de outros géneros que foram tendo o seu tempo – e salta à vista os fighters nos anos 90 que eram o género mais jogado –, a verdade é que nas últimas duas décadas os RPG’s têm cada vez mais fãs, e muito se deve à enorme quantidade de escolha que os jogadores têm à sua disposição. Um dos culpados foi Pokémon, que tem nos últimos 20 anos conquistou uma legião de fãs enorme. Por esse motivo, diversas companhias têm tentado agarrar na ideia e lançado alguns jogos onde o objectivo é apanhá-los todos (sejam lá quantos forem) e adicionando uma história ao barulho, oferecendo assim escolha aos jogadores, até porque muitos deles não têm uma consola da Nintendo (onde Pokémon é exclusivo).

Nexomon Extinction é exactamente isso, mas com “uma pitada de sal” à mistura que lhe oferece algo diferente e único. Para quem não sabe, a franquia Nexomon fez a sua primeira aparição em 2017 para Android e iOS, e mais tarde foi lançado no PC, em todas essas plataformas teve um sucesso tremendo, fazendo com que a Vewo Interactive decidisse dar continuação à franquia, com Nexomon Extinction mas agora para PlayStation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC.

A história do jogo é bastante interessante e até intrigante, pois a humanidade acredita que durante muitos milénios os humanos e os Nexomon viveram em harmonia e felizes, ajudando-se mutuamente e superando as dificuldades juntos. Mas a verdade é que não foi isso que aconteceu, já que há bastante tempo os Nexomon tinham um rei impiedoso, Omnicron, e esse rei levou a cabo uma cruzada contra toda a humanidade, tentando erradicar todos os humanos que existiam.

Felizmente, um grupo de heróis fez frente a Omnicron e encontrou uma maneira de enfrentá-lo e colocar os Nexomon contra o seu rei, sendo que foi dessa maneira que conseguiram matar Omnicron. Desde aí, a ideia de harmonia predominou entre os humanos, mas a verdade é que continua a existir uma guerra entre os Nexomon para a ocupação do cargo de Rei. Os grandes culpados disso são os Tyrant, umas criaturas de enorme poder, e alguns humanos que têm influência sobre eles.

É a partir desta premissa que começa a nossa aventura como treinador da Tamer’s Guild, sabendo de antemão que o nosso personagem é peça essencial nesta trama.

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Como é normal nestes jogos, teremos muitos NPC nos quais vamos tendo diversas conversas, e é neste ponto que Nexomon Extinction é incrível. Não falo das conversas banais e às vezes até monótonas que muitos destes jogos oferecem ao jogador, falo mesmo da parte cómica e crítica que oferece em relação ao seu jogo, e também em relação à concorrência. E isso é bastante comum durante toda a jornada, onde até podemos encontrar os personagens a questionarem-se do porquê de certas jogabilidades em RPGs, e a criticarem diversas decisões que a maioria dos RPG têm, e até a gozarem com o seu próprio RPG – como no caso de apenas podemos andar nos 4 sentidos (direita, esquerda, cima e baixo), que é o que aqui acontece.

Obviamente que o jogador percebe que os criadores do jogo estão a tentar passar a mensagem que todos estes jogos seguem os mesmos princípios, não alterando grande coisa entre uns e outros (tirando o nome da franquia), e daí a diferença de vendas entre uns e outros.

Falando então de uma das componentes que provavelmente agradará mais aos jogadores deste género de RPG, a quantidade de Nexomon que existem para apanhar são 381 e de diversos tipos. Existem os comuns, os raros, super raros, mega raros, os especiais e por fim dos lendários. Além disso, cada um deles tem o seu tipo, o que significa que tem as suas potencialidades contra alguns tipos e fraquezas contra outros. Abaixo podem ver os tipos assim como as fraquezas e potencialidades:

  • Fogo
    • Fortes contra: Vento, Planta e Fantasmas
    • Fracos contra: Água e Rocha
  • Água
    • Fortes contra: Fogo e Rocha
    • Fracos contra: Planta e Eléctricos
  • Eléctricos
    • Fortes contra: Água, Psíquico e Vento
    • Fracos contra: Rocha e Planta
  • Planta
    • Fortes contra: Eléctricos e Água
    • Fracos contra: Vento e Fogo
  • Rocha
    • Fortes contra: Eléctricos, Psíquicos e Fogo
    • Fracos contra: Vento e Água
  • Vento
    • Fortes contra: Rocha e Planta
    • Fracos contra: Eléctricos e Fogo
  • Psíquicos
    • Fortes contra: Normais e Fantasmas
    • Fracos contra: Mineral e Eléctricos
  • Fantasmas
    • Fortes contra: Normais e Vento
    • Fracos contra: Psíquicos e Fogo
  • Normais
    • Fortes contra: Nenhuma vantagem
    • Fracos contra: Psíquicos  e Fantasmas

Mas como apanhamos os Nexomon, para começar, teremos de os encontrar, e isso até é bastante simples, já que vamos vendo as folhas a remexer conforme vamos andando pelo enorme mapa do jogo. Noutros pontos, como em locais fechados, como as grutas, aí é um pouco aleatório; vamos andando e aparecerá uma batalha inesperadamente, um pouco como acontecia com os jogos de Pokémon mais antigos.

Acontecendo isso, começará uma batalha onde teremos as opções normais neste tipo de jogos, isto é, a opção de usar itens como poções. Mas também outras opções, como a de alterar o Nexomon que está a combater; a opção de fugir, e claro, a opção de atacar que normalmente oferece 4 ataques. Quando os Nexomon são de nível muito baixo – como acontece no início do jogo – só terão 2 ataques, algo que vai aumentado progressivamente e também com o seu aumento de nível. Como é normal nestas batalhas, existirá uma barra de HP e de ST (stamina), que vai sendo gasta conforme efectuamos os ataques.

Por fim, podemos vender o oponente ou tentar capturá-lo, e essa captura é feita com uma Nexotrap (uma espécie de Pokébola mas em forma de pirâmide), mas é neste campo que Nexomon Extinction se diferencia dos outros jogos, já que é-nos apresentado um ecrã com a nossa possibilidade de o conseguir capturar (ainda aparecerá uma sequência de botões que temos de carregar num determinado tempo para essa hipótese aumentar).

O mapa é bastante grande e com diversas regiões. Apresenta um grafismo um pouco datado, mas que se aceita bem para o tipo de jogo em questão. Infelizmente acontecem alguns bugs, como o nosso personagem ficar a andar e o mapa por momentos parar, como se tudo tivesse ficado bloqueado.

Além disso, para os jogadores que gostam de coleccionar tudo o que os jogos oferecem, neste caso os Nexomon, não existe nada que vos diga exactamente onde apagar determinado Nexomon. É uma caça ingrata para quem quer conseguir “apanhá-los todos”.

A progressão no jogo é bastante simples, caso vocês vão combatendo com regularidade para aumentar os vossos Nexomon, não precisam de batalhar tudo o que mexe, mas convém explorar um pouco e ir batalhando, para não chegarem a locais e ficarem encalhados com a falta de poder da vossa equipa.

Nas batalhas, o grafismo ganha um ar mais animado, com mais detalhes e texturas mais interessantes, mas sem grandes efeitos, o que é uma pena, já que muitos Nexomon são bastante interessantes e via com bons olhos uns efeitos nos seus ataques.

Já a componente sonora, sejam as músicas, ou alguns sons do jogo, tudo está bastante razoável, onde não existem pontos a criticar nem a realçar.

O ponto mais negativo do jogo é mesmo a falta de um modo multiplayer para podermos batalhar com os nossos amigos, tal como acontece noutras franquias. Até porque seria isso que faria os jogadores andarem a aumentar o nível dos seus Nexomon ao máximo.

Nexomon Extinction é acima de tudo um RPG onde, além da história, os jogadores que adoram capturar criaturas o podem fazer. É uma excelente alternativa aos jogos Pokémon que só podem ser jogados nas consolas da Nintendo. O lado negativo é que só tem single player, não sendo possível batalharem com os vossos amigos, como acontece com outros jogos do género.