Developer: PlatinumGames
Plataforma: PlayStation 4, PC (Steam)
Data de Lançamento: 26 de Fevereiro de 2019

NieR: Automata foi um dos jogos que melhores críticas teve na altura do seu lançamento, a 10 de Março de 2017. A verdade é que já se passaram praticamente dois anos e o jogo da PlatinumGames continua a ter uma enorme quantidade de fãs, e fugindo até para o universo Cosplay, a personagem principal do jogo, 2B, é provavelmente uma das personagens dos videojogos que mais pessoas atrai. Além do jogo original, recebeu também um DLC (3C3C1D119440927), este pacote adiciona diversas coisas ao jogo: um fato ‘Revealing Outfit’ para 2B, o fato ‘Young Man’s Outfit’ para 9S e o fato ‘Destroyer Outfit’ para A2. Além disso, oferece novas missões secundárias, com três batalhas em diferentes coliseus.

Foi no passado dia 26 de Fevereiro que chegou a versão definitiva deste fantástico jogo, NieR: Automata Game of the YoRHa Edition. Uma excelente opção para todos os jogadores que sempre tiveram a curiosidade de o jogar, mas não o chegaram a adquirir na altura do seu lançamento. Para todos aqueles em que o jogo por algum motivo passou ao lado, este é, como já disse, um RPG de acção com um cheirinho de hack and slash nas suas batalhas.

O jogo passa-se num futuro bem longínquo, onde a terra foi invadida por seres alienígenas com tecnologia bastante superior aos humanos. Deu-se então uma guerra onde a terra ficou bastante devastada, e os humanos que sobreviveram tiveram de fugir para a lua. A terra fica então dominada por máquinas pertencentes a esses seres alienígenas e os humanos vão tentando fazer investidas para conseguir voltar a ter de volta o seu planeta. Com isso é criada uma unidade de elite chamada YoRHa, que é totalmente composta por andróides extremamente treinados para combate e cujo objectivo é aniquilar as máquinas e devolver o planeta Terra aos humanos.

Basicamente esta será a história que vos será contada no início do jogo, sendo que ao longo do mesmo, vocês começam a perceber que provavelmente as coisas não são bem assim, e que existe outro lado de uma história que serão vocês a descobrir.

A diferença de estilos entre este RPG, em comparação com muitos outros que existem no mercado, começa logo a ser notado no seu prologo. Para terem uma melhor noção, o início do jogo começa com um esquadrão de naves que vai sendo destruída aos poucos, até que só restamos nós, e durante todos esses momentos, vamos jogando uma espécie de nave com uma vista por cima, onde podemos disparar sem limite e vão aparecendo naves inimigas para destruirmos. Depois continuamos nesse modo de naves mas agora com um estilo visto de lado, e por fim no modo mais 3D onde a nossa nave se transforma numa espécie de Robot gigante.

Passado esta parte, começamos a jogar com 2B, numa perspectiva em 3D e com vista na  terceira pessoa, mas o que nos deixa pasmados, é que conforme vamos avançado neste prólogo, vamos tendo diversas vistas, desde termos lutas com os inimigos vistas por cima, ou perspectivas vistas de lado. Tudo é estranho, mas impressionante para um jogo de RPG, consegue surpreender-nos e torna tudo incrível e diferente do que estamos habituados.

Será quando recebem a vossa primeira missão da Comandante dos YoRHa, que as coisas começam a ficar com características mais parecidas com as de um RPG normal, passando dessa forma para o habitual mundo aberto. Podem encontrar um mundo enorme e com diversos tipos de cenários, obviamente que o cenário é devastador com vários prédios destruídos, e árvores a entrarem pelas cidades, já que estas se encontram desabitadas há imenso tempo. Também vamos encontrar cenários meio desérticos, com bastante areia. Mas algo que vão notar é que este é um jogo bastante cinzento, isto é, não esperem em nenhuma altura cores vivas e cenários com brilho. Embora tudo esteja brilhante, este jogo está mais virado para cores bastante escuras a contrastar com cores bastante claras, mesmo para dar a ideia ao jogador que o planeta terra está bastante devastado e num cenário terrível.

Além de 2B que controlamos, 9S também estará sempre connosco, um andróide que além de nos ajudar em tudo, serve um pouco como guia na história, dando-nos dicas e indicando melhores caminhos, onde até por vezes vai dando a sua opinião sobre as coisas. É notória uma certa química entre os dois andróides, mas devido às leis dos YoRHa os sentimentos são proibidos (que bela inspiração em Star Wars). Seja como for, nota-se que os dois embora tentem obedecer a essas leis, por vezes é mais forte do que eles, e lá sai uma frase que deixa a entender que algo está no ar.

Outra das nossas companhias, e diria que pelo menos no que toca aos combates é de extrema importância, é o nosso Pod. Este estará sempre ao nosso lado a voar, e pode disparar para onde quisermos, tendo um alcance bastante razoável. Para terem uma noção, é possível limpar os inimigos só com o Pod a disparar, e quando estiverem mais apertados, vão ver que será ele e a sua arma que irá salvar-vos enquanto vocês tentam desviar-se dos ataques inimigos.

Tratando-se de um RPG, NieR: Automata tem obviamente toda a componente de materiais, melhoramento e dinheiro à mistura. Ao logo de todo o mapa e até nos combates com os inimigos, vamos apanhando dinheiro e materiais, por vezes podemos encontrar este no chão, outras vezes aparecem quando aniquilamos um inimigo. Esses materiais servem para melhoramento das nossas armas, e até para criação de outras coisas. O dinheiro serve também para pagar esses melhoramentos, mas também para comprar diversas outras coisas, desde armas a reabastecimentos de vida para 2B. Os melhoramentos não se ficam pelas armas, sendo o nosso Pod um robot e 2B uma andróide, como podem imaginar, algo que podem fazer é melhorá-los com novo tecnologia, e isso acontece a partir de chips que podem alterar e adicionar.

Mas é no combate que NieR: Automata mostra a sua essência, e acredito que seja por aqui que a maioria dos jogadores se tenha rendido ao jogo, já que não é fácil termos um RPG de acção, mas que em combate se torna numa espécie de hack and slash. Aqui teremos combates de extrema dificuldade quando se trata de bosses ou “mini” bosses, que além de nos obrigar a devastar tudo com a nossa lança ou espada conforme preferirem, terão de aos mesmo tempo ter cuidado nos ataques e pensar como atacar da melhor maneira. Depois temos a enormidade de inimigos que por vezes aparecem sem darmos por isso, e é nesses momentos, com o nosso PoD a disparar, enquanto nós “esmagamos” os botões dos nossos comandos para conseguirmos destruir tudo aquilo que nos aparece à frente, que percebemos a pérola que temos diante dos nossos olhos.

Mas nem tudo é perfeito, e a primeira delas é a câmera, que principalmente quando estamos em combate, várias são as vezes que somos atingidos por termos um inimigo nas costas e nem conseguimos perceber isso, já que a câmera está numa péssima posição; bem sei que podemos alterar a visão com o analógico direito, mas caramba, em combates de extrema dificuldade por vezes já é difícil nos desviarmos de alguns golpes, quanto mais estar a pensar em andar sempre a mover a câmera para ver se está algum inimigo atrás de nós. O outro ponto tem a ver com o “falso” mundo aberto, e passo a explicar: temos diversos prédios devastados com imensas entradas, mas quando chegamos perto percebemos que simplesmente faz parte um cenário, e 2B fica a correr como uma louca contra uma entrada sem conseguir passar. As paredes invisíveis são das piores sensações que um jogo de mundo aberto nos pode dar.

Por último, não posso deixar de referir a sua banda sonora, que além de encaixar como uma luva no jogo, tem igualmente músicas incríveis. Conforme a situação de jogo são premiados com uma nova música, e nos bosses são os locais onde irão notar essa presença que fará com que tudo se torne imensamente grandioso. E já que falamos em prémios, não posso deixar de dizer que esta mesma banda sonora ganhou o prémio de melhor banda sonora do ano de 2017, pela The Game Awards (uma espécie de Oscars dos videojogos).

Colocando todos estes pontos em cima da mesa, e mesmo com estas duas pequenas falhas do jogo, a verdade é que estamos perante um RPG de excelência. NieR: Automata Game of the YoRHa Edition é diferenciador do que encontramos no mercado, e esta versão definitiva do jogo era o que faltava a todos aqueles jogadores que não tiveram a oportunidade de jogá-lo. Se são fãs de RPG este é um daqueles jogos que não podem perder.